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Subject: Re: Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo - 2


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 25/06/06 14:44:33
In reply to: JMC 's message, "Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo" on 10/06/06 22:51:08

Ainda na temática da "Tendência Decrescente da Taxa de Lucro", devo acrescentar mais alguns comentários suscitados pelo texto de JMC.
Entretanto não quero deixar de sublinhar que espero que estes comentários sejam vistos mais como reflexões suscitadas pelos escritos de JMC aqui referidos, do que propriamente como "críticas" ao seu conteúdo.
Em primeiro lugar acho interessante e até mesmo útil de um ponto de vista heurístico que se faça a distinção – como faz aqui JMC – entre (1) "economia-política realmente existente", (2) "capitalismo realmente existente" e (3) "modo de produção capitalista".
No meu entender trata-se de uma classificação (ou "separar de águas") que no entanto suscita alguns comentários na medida em que esta mesma classificação deve ser confrontada com a divisão (também conceptual) entre "modelo" e "realidade". Ou então e ainda entre "objecto teórico" e "objecto prático".
No entanto seria útil e certamente proveitoso para a discussão que JMC explicitasse com algum detalhe os critérios de diferenciação entre aqueles três "objectos". Ou seja, por exemplo, que explicitasse quais são no seu entender as características ou elementos de intervenção ou comportamento que fazem parte de um objecto e não de outro...

Diz-nos a certa altura JMC "por mais elaborados e complexos que sejam os modelos matemáticos a que recorram, porque os dados não são consistentes com o modelo. Desejar confirmar ou infirmar, a partir da realidade empírica complexa (aqui, complexa no sentido de ser constituída por múltiplos modos de produção e formações económico-sociais em inter-relação), uma contradição insanável de um objecto teórico formal abstracto é como procurar comprovar o sexo dos anjos ou a existência de Deus".
Refere também JMC uma "ausência de isomorfismo entre o modelo teórico e a realidade empírica" (falando como parece óbvio, por um lado da "economia política realmente existente" e, por outro lado, dos "diversos modelos matemáticos a que recorrem os estudiosos").
A este respeito é necessário fazer uma chamada de atenção para possíveis confusões de linguagem e de conceitos.
Os modelos matemáticos de que fala JMC são sempre (como é natural) representações teóricas que resumem e procuram representar o essencial e intrinsecamente característico da fracção da realidade que se procura simular. É para isso que servem os modelos científicos, para simular a realidade. Para isso procura-se que haja um quanto maior possível grau de "isomorfismo", entre o modelo e a realidade. Ou seja, não se pode falar de ausência de isomorfismo (se assim fosse o modelo não servia para nada), pode-se é falar-se de maior ou menor grau de isomorfismo. Com a chamada de atenção de que se tivéssemos um grau total de isomorfismo então teríamos já não um modelo mas sim uma cópia ou "réplica" da realidade.
Por outro lado, aquilo que eu aqui designo de "grau de isomorfismo" não é propriamente uma relação matemática linear entre o modelo e a realidade. Ou seja, não se pode dizer de um determinado que modelo que ele representa 20% da realidade e que um outro tem o dobro de representatividade (se eventualmente tivesse um hipotético grau de representatividade de 40%).
Usando aqui uma espécie de analogia, dir-se-á que um modelo da realidade social poderá estar para a realidade social como um daqueles bonecos-manequins utilizados em aulas de anatomia, estará para o corpo humano real de cada um de nós.
Tudo isto para dizer que em todo o caso uma coisa são (1) as simulações matemáticas em que, através de modelos teóricos, os estudiosos procuram mostrar e prever o comportamento da "realidade empírica" e outra coisa são (2) as demonstrações lógico-matemáticas em que através da manipulação de símbolos (de significado comumente aceite) se procura explicar ou demonstrar o porquê dos acontecimentos.
Como dizia o matemático e filósofo francês René Thom "Prédire n’est pas expliquer" (Emile Noel, Editions Flammarion, Paris 1993).
Nesse sentido, procurar demonstrar a Tendência Decrescente da Taxa de Lucro como sendo intrínseca à lógica de funcionamento do sistema capitalista (lógica essa que é simultaneamente postulada pelos autores da "Economics" (a tal "Física dos fenómenos mercantis") e de facto historicamente observada), não é de todo a mesma coisa que "procurar comprovar o sexo dos anjos ou a existência de Deus".
Num dos casos temos "factos objectivos" e "materiais palpáveis" à nossa disposição: Documentos para estudo, evidências da realidade observável e sobretudo a já referida lógica postulada do próprio sistema, sendo que essa lógica é postulada até pelos seus mais acérrimos defensores (haverá alguém que seja capaz de mostrar um texto de um autor liberal ou neoliberal que não afirme o postulado da "maximização do lucro" ou o postulado da "maximização da utilidade individual"???...).
No outro caso – e em particular o problema da "existência de Deus" - temos uma regressão infinita até à demonstração final e definitiva da "Causa Primordial" do Ser.
A esse nível não haverá de facto demonstração irrefutável e entrámos no campo da Fé.

Entretanto, nos comentários anteriores referi a importância da demonstração teórica da Tendência Decrescente da Taxa de Lucro.
E volto a insistir que tal importância é válida e relevante só até no campo estritamente teórico ou das regras lógico-matemáticas postuladas para o sistema capitalista pelos seus próprios defensores.
Quando se elabora um modelo (ou algoritmo, que é ao que se resume um qualquer "modelo") que configure o funcionamento ou comportamento de um objecto prático "realmente existente" (como o "modo de produção capitalista") aquilo que se vem depois a obter com a execução do "programa" (do modelo ou algoritmo) é apenas uma "imitação" mais ou menos rudimentar (simulada) do comportamento do sistema ou objecto "real". Não é uma demonstração do "como" e do "porquê" desse comportamento.
Para se fazer uma demonstração explicativa "basta" (...) a manipulação teórica dos postulados lógicos que sejam consensualmente aceites para definir o comportamento do sistema, quer a nível teórico, quer a nível empírico).
Espero poder continuar...

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Re: Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo - 3Guilherme Statter26/06/06 17:55:35


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