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Subject: Viva o capitalismo!


Author:
José Miguel Júdice
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Date Posted: 8/07/06 22:06:23

Viva o capitalismo!
José Miguel Júdice


Em 25 de Abril, para muitos de forma surpreendente, o Presidente da República fez da luta pela inclusão social o grande tema do seu discurso na Assembleia da República. Três dias depois, no PÚBLICO, escrevi: "Com mágoa e raiva o digo: deve ser muito difícil encontrar no mundo mais desenvolvido elites mais egoístas, com menos sentido social, mais desinteressadas com as dores dos que são trucidados pela roda da vida e com o sofrimento dos seus concidadãos do que as elites portuguesas."
No passado sábado, O Expresso anunciava que um grupo de 11 empresários portugueses de primeira linha se tinha organizado para responder ao desafio do Presidente da República, mobilizando recursos vultuosos para uma associação denominada "Empresários pela Inclusão Social (EIS)". Com alegria o digo: o meu pessimismo de há três meses está a ter um claro e forte desmentido.
Por estes dias, também, foi noticiado que Warren Buffett, a segunda maior fortuna mundial, doou em vida cerca de 30,7 mil milhões de dólares (mais de 15 por cento do PIB português) à Fundação Melinda e Bill Gates - já hoje em dia a maior fundação do mundo -, duplicando os fundos desta fundação. Para além disso, doou a cada um dos seus três filhos 6,3 mil milhões de dólares para as causas filantrópicas das fundações que dirigem. No total doou, para causas sociais, activos que correspondem a mais de 2/3 da sua fortuna pessoal!
Por sua vez, Bill Gates, a maior fortuna do mundo, anunciou que se irá retirando (na força da idade) da gestão da Microsoft para se dedicar profissionalmente à gestão da fundação que criou com a sua mulher e que beneficiou da doação de Warren Buffett. Nas palavras do Economist, depois de ter passado parte da sua vida a reunir a maior fortuna do mundo, decidiu passar o resto da vida a distribuí-la.
De comum entre estas iniciativas existe o serem concretizadas em vida dos doadores e assumirem a opção por soluções com elevado grau de profissionalismo de gestão. Buffett foi muito claro: é preferível entregar o seu dinheiro filantrópico a quem o saiba gerir, como sempre fez com os seus activos, do que criar mais uma fundação com o seu nome e que podia ser mais mal gerida.
Cada um dos 11 empresários portugueses de grande sucesso que se reuniram para lançar a EIS podia por si só aplicar os recursos numa estrutura que fosse gerir pessoalmente e que perpetuasse, de forma muito legítima, o respectivo nome e acentuasse uma merecida auto-estima. A opção por uma solução de gestão empresarial surge como um sinal de coerência e como um claro gesto de carácter ideológico, que merece ele próprio ser saudado.
De facto, os empresários e gestores de sucesso vivem da permanente demonstração de que a melhor forma de gerir o que se poupa do que vamos ganhando ao longo da vida é a entrega de tais recursos a profissionais. De formas muito diversas - gestão de fortunas e de activos, empresas cotadas em bolsa, obrigações, depósitos bancários - todos conseguiram convencer-nos de que isso fazia sentido. O que estão a concretizar na EIS é, afinal, o mesmo modelo de gestão.
Mas, bem mais importante do que isso, é o sinal ideológico que está subjacente a iniciativas deste tipo. As economias liberais baseiam-se num paradigma que é oposto ao modelo socialista: o Estado gere pior do que os cidadãos os recursos disponíveis em cada sociedade. O modelo socialista tenta aplicar a teoria oposta.
Durante décadas - admite-se - imperou o egoísmo social, caricaturado no capitalista de chapéu alto a fumar um enorme charuto. Havia, além disso, um acordo tácito em que se sustentou o chamado "Estado social do século XX". Os cidadãos são tributados (o máximo de imposto possível e o mínimo para não destruir a fonte da cobrança) e com isso pagam à sociedade tudo o que lhes pode ser exigido, podendo daí para a frente dedicar-se a fruir com egoísmo o que sobrar depois de pagar impostos; o Estado, por sua vez, trata de tudo o que tenha a ver com solidariedade social, educação, saúde, luta contra a exclusão social. Este contrato social está estruturado na má consciência dos detentores de riqueza e numa cultura dominante segundo a qual o capitalismo é um mal, porventura necessário, mas incapaz de superar uma visão "hobbesiana" das sociedades.
A luta contra o socialismo tem por isso de ser a demonstração de que, também nas chamadas áreas sociais, os privados são mais eficazes e produtivos na gestão dos sistemas do que o Estado. A abertura à iniciativa privada do ensino, da saúde, da habitação, das pensões de reforma, são realidades que neste século XXI começam a ser aceites de um modo muito amplo no espectro ideológico. Mas continua a dominar a tese de que o sucesso comparado das soluções privadas em relação às públicas resulta do facto de tais iniciativas serem aplicadas aos sectores mais favorecidos e não à generalidade da população. E são em regra mais toleradas do que amadas pelos poderes políticos.
A criação de instituições oriundas da sociedade civil que sejam bem geridas e que apliquem com sucesso recursos na luta contra a desigualdade social, a favor da criação de igualdade de oportunidades e, em concreto, a favor da inclusão social é a melhor forma de demonstrar que o Estado se deve cada vez mais restringir às funções de soberania e afastar-se das áreas em que tem demonstrado apenas delapidação de recursos e fracasso rotundo nos objectivos que constitucional ou legalmente se propõe atingir.
Acções como as de Buffett e de Gates e, à nossa escala, da doação de Champalimaud e agora a EIS de João Rendeiro e dos outros dez empresários, se tiverem sucesso, farão mais pela liberdade económica e pela sociedade liberal do que dezenas de políticos, centenas de manuais escolares, milhares de debates de ideias. E com isso farão justiça social, ajudando à modernização das sociedades contemporâneas. Advogado

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Subject Author Date
Re: Viva o capitalismo!... Pois. É tão bonito. Não é ?...Guilherme Statter 9/07/06 14:35:47
Re: Viva o capitalismo!José Manuel Faria 9/07/06 14:37:31
Caridade não é próprio de ladrões, meu filho! É exclusivo da nossa multinacional. Deus te perdoe! (NT)Bento XXI 9/07/06 19:33:40
Re: Viva o capitalismo!fraude electoral informático10/07/06 19:01:01


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