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| Subject: Como cada olho vê sua coisa...(I) | |
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Author: Robert Weil |
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Date Posted: 13/07/06 22:30:46 In reply to: AAD 's message, "Olho na China..." on 6/07/06 13:36:22 Condições das classes trabalhadoras na China por Robert Weil Este artigo baseia-se primariamente numa série de reuniões com trabalhadores, camponeses, organizadores e actividades de esquerda em que participei durante o verão de 2004 juntamente com Alex Day e outro estudantes de assuntos chineses. Faz parte de um documento mais extenso que está a ser publicado como relatório especial pelo Oakland Institute. As reuniões tiveram lugar principalmente e em torno de Pequim, bem como na província Jilin no nordeste, e nas cidades de Zhengzhou e Kaifeng na província central de Henan. O que ouvimos revela de modo absoluto os efeitos das transformações maciças que se verificaram nas três décadas a seguir à morte de Mao Zedong, com o desmantelamento das políticas socialistas revolucionários executadas sob sua liderança, e um retorno à "estrada capitalista", deixando as classes trabalhadores numa posição cada vez mais precária. Uma polarização em expansão rápida — numa sociedade que estava entre as mais igualitárias — está a verificar-se entre extremos de riqueza no topo e um número crescente de trabalhadores e camponeses na base cujas condições de vida estão diariamente a piorar. A ilustrar isto, a lista da Fortune 2006 dos bilionários globais inclui sete na China continental e um em Hong Kong. Embora seus haveres sejam pequenos em comparação com aqueles nos Estados Unidos e outros lados, eles representam a emergência de um capitalismo chinês amadurecido. A corrupção desenfreada une autoridades do partido e do estado e administradores de empresa aos novos empresários numa teia de alianças que está a enriquecer uma classe capitalista florescente, enquanto as classes trabalhadores são exploradas de maneiras que nunca tinham sido vistas em mais de meio século. Os trabalhadores com quem conversámos eram alguns das dezenas de milhões que foram expelidos dos seus antigos empregos em empresas estatais, outrora o pilar da economia, com a perda de virtualmente todas as formas relacionadas de segurança social que faziam parte das suas unidades de trabalho: habitação, educação, cuidados de saúde e pensões, dentre outros. Como estas empresas estatais foram convertidas em corporações orientadas para o lucro, quer pela venda directa a investidores privados quer pela semi-privatização por administradores e autoridades do estado e do partido, a corrupção tornou-se comum. Os camponeses com quem nos encontrámos estavam a lutar para enfrentar os efeitos a longo prazo da dissolução forçada das comunas rurais e a introdução do sistema de responsabilidade familiar. Com a abertura do território do país ao mercado global, a venda de terras por responsáveis locais a urbanizadores sem compensação adequadas aos aldeões, e a devastação ambiental desenfreada das áreas rurais, esta política deixou centenas de milhões a lutarem para encontrar um caminho viável de ganhar a vida, enquanto despojados dos apoios sociais colectivos que haviam desfrutado anteriormente. Mais de 100 milhões deles tornaram-se parte da migração maciça para as cidades, à procura de trabalho na construção, nas novas fábricas orientadas para a exportação, ou nos mais sujos e mais perigosos trabalhos, onde lhes faltas mesmo os direitos mais básicos. Para muitos migrantes, as condições estão a deteriorar-se rapidamente quando assentam semi-permanentemente nas comunidades urbanas e quando a idade e os problemas de saúde aumentam. As classes trabalhadores chinesas não têm sido passivas em face das suas condições em deterioração e das perdas de direitos ganhos ao longo de décadas através da luta e do sacrifício na revolução socialista. Conflitos de classe e tumultos sociais desencadearam-se a níveis nunca vistos durante décadas. Os trabalhadores, camponeses e migrantes na China de hoje estão a fazer algumas das maiores manifestações do mundo, por vezes envolvendo dezenas de milhares de pessoas e resultando em choques violentos com as autoridades. Mesmo o ministro da Segurança Pública publicou número admitindo que os "incidentes de massa, ou manifestações e tumultos" elevaram-se para 74 mil em 2004, quando foram apenas 10 mil uma década atrás, e 58 mil em 2003 (New York Times, 24/Agosto/2005). A ameaça da crescente instabilidade social representa um aprofundamento do desafio para o topo do partido e dos líderes do estado, e já resultou em mudanças políticas numa tentativa de deter tumultos cada vez maiores. Mesmo a chamada nova classe média de profissionais e administradores e as fileiras em rápida expansão dos licenciados em faculdades, muitos dos quais prosperaram nas longas década do boom económico, está a fragmentar-se. O custo crescente da educação, que sob Mao era virtualmente gratuito ao longo de todos os níveis de ensino, está a tornar-se proibitivo, especialmente para as classes trabalhadoras. Aqueles que se licenciaram recentemente estão a ter dificuldade crescente em encontrar empregos. O stress do mercado cobra a sua portagem mesmo àqueles que estão numa situação melhor. Os ganhos que o desenvolvimento económico trouxe — especialmente acesso mais vasto a bens de consumo e alimentos e mobilidade acrescida e oportunidades de emprego — estão a ser erodidos para milhões pela divisão de classe cada vez mais vasta e pela insegurança crescente. Em consequência, a China está a entrar num período de aguçamento da luta de classe e de incerteza política que não será facilmente resolvido. Para as classes trabalhadoras, o caminho em frente será muito difícil, e a revitalização da esquerda, embora altamente significativa, está ainda num estágio muito incipiente. Este ensaio explora estas complexidades e possibilidades. Geralmente omiti os nomes de pessoas e organizações, para sua protecção. CONFLITO E UNIDADE À superfície, pelo menos, pareceria que as condições de convergência de trabalhadores urbanos, migrantes e camponeses — e mesmo muitos membros da nova classe média — proporcionariam a base para uma vasta unidade de luta contra aqueles que estão a explorá-los sob as reformas de mercado capitalistas e a abrir a China às forças económicas globais. Mas, tal como em situações semelhantes nos Estados Unidos e por toda a parte do mundo, a unificação das classes trabalhadores é mais facilmente concebida na teoria do que realizada na prática. Preconceitos antigos, especialmente a baixa estima que muitos chineses urbanos tem para com o campesinato, morrem dificilmente, agravado por novas formas de competição provocadas pela migração maciça das áreas rurais para as cidades, e a manipulação por aqueles no poder, que usam os métodos consagrados de dividir e conquistar para lançar uns grupos contra os outros. Um exemplo: quando perguntado se os trabalhadores de Pequim sentiam que os migrantes estavam a tomar os seus empregos, um activista com quem conversámos respondeu: "Sim, especialmente entre aqueles que são despedidos, há um pouco deste sentimento". Muitos deles olham de cima para baixa a população migrante. Durante os trabalhos de limpeza após uma grande tempestade, alguns trabalhadores urbanos observaram: "Isto é a espécie de trabalho que os migrantes estão aqui para fazer, eles nunca vêm qualquer dinheiro em casa". Como que a confirmar esta imagem, o New York Times (03/Abril/2006) relatou acerca de limpadores migrantes no aterro sanitário municipal de Shangai, o qual trabalhava para pagar as taxas 10 mil yuan (US$ 1250) da escola média da filha, e 1000 yuan (US$ 125) para a educação primária de uma segunda. Os sentimentos, entretanto, são mútuos, Os migrantes, por sua vez, dizem coisas semelhantes, tais como "Aquele merece ser um trabalhador despedido". Num padrão demasiado familiar nos Estados Unidos — onde raça e etnicidade, assim como o status de imigrante, entram na composição — as tentativas do governo de ajudar os migrantes a obterem salários atrasados e os outros direitos que merecem são vistas por alguns trabalhadores como favoritismo. Os media actuam sobre estas divisões e promovem más relações entre os diferentes grupos, dizem que os proletários urbanos apenas querem empregos com estrangeiros, enquanto afirmam que migrantes estão desejosos de trabalhar por "nada", e tentam obter o despedimento de trabalhadores para imitá-los, o que conduz ao ressentimento. É, entretanto, o fosso crescente entre rendimentos urbanos e rurais — agora de 3,3 para 1, "mais alto do que nos Estados Unidos e um dos mais elevados do mundo — que proporciona o combustível para tal manipulação (New York Times, 12/Abril/2006) A agudeza destas divisões evidenciou-se na experiência dos trabalhadores numa fábrica de equipamentos de transmissão eléctrica em Zhengzhou, onde se verificaram grandes choques em 2001. Ali, como a empresa estava a ser liquidada e encerrada, a polícia prendeu protestários à noite, e eles avariaram e levaram embora a maquinaria como ladrões. Eles também introduziram camponeses a cinquenta yuan por dia para carregar para o equipamento para fora. Isto resultou numa longa luta. Em parte para evitar a reacção pública a usar a polícia da cidade para fazer o seu trabalho sujo, foram contratados camponeses como marginais; utilizando capacetes, eles utilizaram armas para espancar os trabalhadores. Uns trinta camiões com cinco centenas de camponeses fura-greves foram trazido para dentro, um exemplo do que aconteceu por toda Zhengzhou. Um activista relatou que quando trabalhadores na fábrica tocaram um sino, "toda a gente veio para fora", o que levou a uma batalha de quatro horas dos camponeses contra os trabalhadores em 24/Julho/2001. Estes últimos venceram naquele dia, pois trabalhadores de outras fábricas concentraram-se para ajudar — até 40 mil no conjunto. Apesar de oito trabalhadores terem sido presos e acusados de destruir propriedade, eles também tiveram apoio legal e os capitalistas perderam novamente. Como colocou um trabalhador, referindo-se aos direitos que tinham na era pré-reforma: "nossas leis, as leis de Mao" eram apoiadas. "Havia tanta gente que o governo teve medo". A dimensão da acção do povo levou as autoridades a uma pausa, mas sob a pressão dos capitalistas os trabalhadores foram presos outra vez, desta vez pela polícia de segurança pública para contornar os tribunais, e houve um combate de dez dias com os camponeses. Deste modo, eles utilizaram camponeses como tropa de choque para expulsar os trabalhadores da fábrica, e venderam tudo, despedindo 5600 pessoas. A seguir deitaram os edifícios abaixo, incluindo habitações de trabalhadores, e deram a terra a um urbanizador privado, que construiu uma loja e casas de luxo. Agora, sem trabalho ou habitação, toda a gente está receosa de continuar a lutar. A própria polícia por vezes torna-se violenta (goons), tirando os seus uniformes e actuando mais como uma gang que está a proteger os proprietários capitalistas, até utilizando facas. Numa cerâmica, um ajuntamento quase sovou um líder dos trabalhadores até à morte, mas as autoridades deixaram que isto acontecesse e ignoraram queixas posteriores. Deste modo, a polícia e outras agências do governo não só atacam directamente e reprimem aqueles que trabalham nas empresas de propriedade estatal como põem frente a frente os vários segmentos das classes trabalhadoras, uns contra os outros. Apesar da necessidade da unidade, tais experiências tornam muito difícil ultrapassar os preconceitos e divisões já existentes. Como disse um trabalhador activista da companhia de equipamento eléctrico: "Camponeses e operários deveriam ser uma família — temos de combate-los, mas deveríamos trabalhar juntos". Aqueles em lados opostos actuam em função dos seus interesses a curto prazo. Na fábrica, mesmo o chefe da polícia disse que não queria fazer o que fez, mas estava sob pressão. Um trabalhador disse-lhe que "ele era como um cão". E ele respondeu: "Sim, mas seu não morder você agora eles me arrancarão a pele". A substituição de empresas estatais pela iniciativa privada agrava as divisões. As novas fábricas que estão a ser construídas na região obtêm os seus trabalhadores principalmente entre os rurais, pagando-lhes salários muito baixo e não lhes proporcionando habitação ou benefícios. Além disso, como colocou um trabalhador, ao contrário dos EUA, aqueles que são despedidos das empresas estatais na China não podem obter tarefas em serviços pois os camponeses é que são utilizados para isso, uma vez que são baratos e fáceis de controlar. Apesar de um desejo de trabalhar em conjunto, portanto, tais condições conduzem inevitavelmente ao ressentimento entre segmentos das classes trabalhadoras. Apesar de tais divisões e conflitos, há esforços em curso para elevar a um nível mais alto a unidade entre segmentos mais vastos dos trabalhadores urbanos e construir laços mais estreitos entre eles e os camponeses, tanto aqueles que permanecem na agricultura como aqueles que migram para as cidades. As manifestações em torno das fábricas de equipamento de transmissão eléctrica, de papel e têxtil de Zhengzhou, e uma greve em 1997 de 13 mil motoristas de táxi daquela cidade, mostram que dezenas de milhares de trabalhadores em muitas empresas e sectores, bem como membros da comunidade, concentraram-se em apoio àqueles que se opõem à privatização, à perda de empregos benefícios, ou a impostos e taxas mais altos. No entanto, o padrão mais comum por toda a China é aqueles que trabalham em fábricas individuais terem de confrontar seus empregadores, e os responsáveis do governo que lhes estão associados, por si próprios. Muitas vezes, estas confrontações — que podem incluir acções tais como deitar-se sobre carris do caminho de ferro e bloquear auto-estradas, ou cercar e ocupar escritórios, e além disso encerrar negócios habituais para cidade — acabam com pequenos pagamentos efectuados uma só vez aos trabalhadores afectados, de forma alguma suficientes para proporcionar-lhes qualquer apoio a longo prazo, mas suficientes para pacificar a sua exigência imediata por alguma espécie de compensação. Numa tentativa de ir para além desta forma relativamente isolada de luta, que na maior parte dos casos demonstrou-se inadequada para travar a marcha geral da privatização, do desemprego e a perda de serviços e regalias, trabalhadores das diferentes empresas em Zhengzhou principiam a unir-se. Em Kaifeng — onde a maior parte das empresas estatais fechou, deixando 100 mil desempregados — trabalhadores também exprimiram a necessidade de maior unidade a fim de ter êxito. Só recentemente, os das diferentes fábricas — incluindo os muitos que já perderam os empregos e os poucos que actualmente ainda estão empregados — começaram a actuar em conjunto, mantendo reuniões com representantes de cada uma das empresas, e organizando protestos conjuntos com participantes de todas as fábricas. Os activistas com quem conversámos ali estavam a planear uma grande manifestação de trabalhadores de todas as fábricas da cidade para aquele ano. Mas as perspectivas de tais acções unitárias são incertas. Há muitas divisões remanescentes dentro do proletariado urbano — económica, geracional e mesmo política — com alguns mais compreensivos para com as "reformas" e outros, inclusive do governo, mantendo a perspectiva socialista. Até um parque de Zhengzhou que visitámos, no meio de um distrito de operários, está dividido fisicamente entre agrupamentos de trabalhadores e aposentados de direita e de esquerda, com os primeiros a dominarem certas áreas, especialmente durante o dia, e os últimos mais predominantes em outras partes, particularmente à noite. Como experimentámos quando parámos brevemente para conversar com alguns dos muitos que vinham ali todos os dias para descanso, os debates podem ficar bastante acesos, e às vezes até mesmo vagamente ameaçadores. É semelhante às perspectivas de unidade entre os trabalhadores e os camponeses, com os migrantes a desempenharem uma espécie de papel intermediário. Há um desejo de ficarem juntos, mas diferenças tanto nas suas condições como no seu tratamento pelo governo trabalham contra tais níveis mais elevados de unificação. Com as reformas, houve também uma reversão parcial de fortunas. Em ambas as cidades e na zona rural, aqueles com que conversámos declararam que hoje, num contraste agudo com situação durante a era socialista sob Mao, alguns camponeses estão realmente melhor do que muitos dos trabalhadores urbanos. Eles ainda podem ser pobre e a lutarem pela sobrevivência — a maior parte das famílias camponesas empobrecidas permanecem os piores de todos — mas pelo menos têm um bocado de terra sobre a qual podem cultivar algum alimento. Mesmo os migrantes mais pobres podem retornar a uma aldeia se as coisas ficarem muito duras nas cidades. Para os trabalhadores urbanos não qualificados, contudo, especialmente aqueles foram despedidos, não há verdadeiramente nada a perder — eles foram reduzidos novamente à condição proletária clássica, destituídos de todo acesso aos meios de produção, e literalmente abandonados para morrerem de fome sem qualquer espécie de apoio externo. Se tiverem um parente doente, ou mesmo um filho para o qual devem pagar taxas escolares, sua situação pode ser desesperadora. Apenas aqueles com mais qualificações ou que são capazes de começar alguma espécie de pequeno negócio estão em situação mais igual à dos camponeses com a sua terra. Em consequência, a unidade nas acções destas duas classes também é difícil de alcançar. Frequentemente, protestos e manifestações verificam-se quase simultaneamente tanto nas cidades como nas zonas rurais circunvizinhas. Ouvimos acerca de tais eventos paralelos dentro e em torno de Zhengzhou e Kaifeng durante o curto período que estivemos ali. Nesta última cidade, vinte trabalhadores haviam acabado de ser detidos numa fábrica, enquanto camponeses estavam a protestar no mesmo dia no município vizinho — levantando-se e fazendo "actividades más", como colocou um trabalhador — e danificaram edifícios do governo e bloquearam auto-estradas porque haviam sido trapaceados sobre o terreno para uma estrada. Mas não havia ligação entre estes eventos virtualmente simultâneos, e ali ainda não havia protestos conjuntos de trabalhadores e camponeses. Além disso, há diferenças até nas formas de reacção do estado a manifestações destas duas classes. Os trabalhadores da cidade enfrentam uma repressão particularmente clara das autoridades locais, porque as suas lutas são mais visíveis para o público, contestadoras da sede do poder urbano, e desafiadoras directas do próprio núcleo das reformas — a privatização das empresas e a formação da nova classe capitalista. Como afirmou um trabalhador, ele e aqueles como ele estão furiosos, e "precisam juntar-se rebelar-se — mas ao contrário da América eles não são considerados nem mesmo para dizer algo acerca da sua situação". Ainda assim, eles "não têm medo de morrer, uma vez que nada têm" — e assim manter-se-ão na luta. Acções trabalhistas em grande escala estão a crescer por todo o país, por vezes a ganharem vitórias locais, mas frequentemente acabando com a detenção e aprisionamento dos líderes. Em contraste, enquanto pelo menos no papel a melhoria das condições rurais e agora política oficial do governo, o esmagamento de protestos camponeses pode ser ainda mais brutal, porque eles são invisíveis, a menos que as acções sejam numa escala suficientemente grande para serem notícia púlbica — tal como a morte de uns vinte aldeões em Dongzhou, na província de Guangdong, em Dezembro de 2005, por protestarem contra compensação inadequada pela terra tomada para uma central eléctrica. Apesar destas divisões e barreiras, há um sentimento de que as classes trabalhadoras nas cidades e nas zonas rurais podem em breve encontrar lanças, pois os camponeses tornam-se cada vez mais furiosos e as suas condições convergem com aquelas dos trabalhadores urbanos, e como migrantes envelhecem e enfrentam uma situação deteriorada. Activistas a ajudarem a organizar todas as classes trabalhadoras estão a tentar promover o movimento rumo à unificação, mas é um processo longo e difícil, que apenas começou a transpor o fosso entre elas. O RETORNO DA ESQUERDA A possibilidade de tais níveis mais elevados de unidade é favorecida pela presença entre os camponeses, migrantes e a classe trabalhadora urbana daqueles com profunda experiência na luta pelo socialismo na China e conhecimento do marxismo-leninismo-pensamento de Mao Zedong. Este legado histórico hoje tem significado fundamental para o renascimento da esquerda chinesa. Como disse um antigo Guarda Vermelho em Zhengzhou, o entendimento de uma "luta de duas linhas", uma demarcação clara entre o socialismo da revolução e o capitalismo do presente, está agora a revelar-se primariamente a partir das próprias classes trabalhadoras, e não principalmente dos intelectuais. Ela toma uma forma de anti-corrupção, em particular — não apenas no sentido estreito de oposição a malfeitorias financeiras e subornos, embora isto seja parte daquilo, mas como uma tentativa mais vasta de bloquear a aliança dos responsáveis do estado e do partido com o administradores e empresários para a conversão completa dos meios de produção na propriedade privada dos novos capitalistas emergentes e de reverter os ganhos socialistas adquiridos pelos trabalhadores e camponeses na era revolucionária. A teoria, espírito e prática da revolução são mantidos vivos pelos activistas, notavelmente em Zhengzhou e outras áreas, as quais foram centros do movimento comunista cuja tradição remonta à década de 1920. Naquela cidade, um duplo pagode, construído como torre em 1971, ergue-se no principal cruzamento para assinalar as mais de uma centena de trabalhadores mortos na greve geral de 1923 liderada pelos comunistas no caminho de ferro Beijing-Hankou, que foi liquidada de forma selvagem pelo senhor da guerra regional. O legado da era Mao também é mantido vivo aqui, e o nível de consciência do trabalhador é muito elevado, o que leva à luta das duas linhas. Dentre os mais notáveis aspectos que emergiram das discussões com os trabalhadores naquela cidade estava o senso de direito que eles sentem nas fábricas onde costumavam trabalhar. Quaisquer que sejam os limites para a propriedade social e direitos de participação que a classe trabalhadora tenha nas empresas estatais — as quais demonstraram-se inadequadas como protecção contra a reforma das expropriações dengistas — não há dúvida de que eles sentem fortemente que aquelas fábricas eram num certo sentido básico "suas". Como explicou um deles, a fábrica de equipamento de transmissão eléctrica foi "construída com o suor de trabalhadores" e eles não querem que seja tomada pelos capitalistas e privatizada. Ela pertence ao conjunto do país e era parte da acumulação económica colectiva de toda a classe trabalhadora. Sob Mao, os trabalhadores também têm algum controle sobre as fábricas, eles "podiam apresentar ideias e serem ouvidos". Isto chegou ao máximo durante a Revolução Cultural. Então "eles era os líderes, a classe trabalhadora representava-se a si própria naquele tempo" — mas agora ninguém a ouve, e eles não têm poder. Reiteradamente, estes trabalhadores exprimem o seu senso de perda de direitos em consequência do roubo efectivo da sua propriedade colectiva, construída ao longo de toda uma vida de trabalho, e o seu despojamento de todos os direitos de participação que haviam exercido anteriormente. Colocando este entendimento num contexto teórico mais geral, um trabalhador de Zhengzhou explicou que o actual sistema de "capital burocrático" é um problema político, não um problema basicamente da economia — uma análise que poderia ter vindo directamente de O que fazer?, de Lenine. "Parece económico à superfície, mas é realmente uma luta entre capitalismo e socialismo", primariamente uma questão de política. A China, afirma ele, "não é como os Estados Unidos, onde nunca houve socialismo. Os trabalhadores mais velhos entendem este contexto histórico. A maior parte veio da era de Mao e da Revolução Cultural. Eles conheceram o Pensamento de Mao Zedong, e sua geração quer trazer a China de volta ao "caminho de Mao". Isto é parte da luta internacional para proteger o caminho socialista". Este trabalhador gostaria que a luta da classe trabalhadora chinesa, e a razão porque é importante retornar outra vez à estrada do socialismo, fosse melhor entendida no Ocidente. É uma longa luta. Ele tem esperança de que os trabalhadores na China se moverão lentamente de volta a este caminho, caso em que acabariam por vencer. Mas também advertiu que se o actual movimento não alcançar um nível mais elevado dentro em breve, os trabalhadores mais jovens verão isto apenas como uma luta económica por "melhores condições". Esta é a herança do período de reforma anti-socialista, e das afirmações de Deng Xiaoping — como aquela de "ficar rico é glorioso". Elas estão a arruinar o entendimento dos trabalhadores mais jovens. "A maior parte deles estão receosos até de reunir e de discussões como esta" — ouvimos estes sentimentos expressos mais do que uma vez pelos trabalhadores mais velhos. É em parte por esta razão que aqueles que ainda se dedicam à luta pelo socialismo descobriram outros meios de transmitir a sua consciência e experiência, utilizando formas culturais, e não apenas as políticas e económicas, para manter viva a herança da revolução e transferi-la às novas gerações. Num canto de um parque que visitámos no centro do distrito operário de Zhengzhou, trabalhadores e membros das suas famílias juntavam-se à noite para cantar as antigas canções revolucionárias. Na noite de um dia de semana em que estivemos ali, uma centena ou mais — desde aposentados mais velhos a adolescentes e mesmo criança — num cântico muito animado, acompanhado por um grupo de músicos, e conduzido por um maestro dinâmico. Contaram-nos que nos fins de semana, "um número muitas vezes maior" costuma estar presente, até de um milhar ou mais. Como colocou um dos trabalhadores que encontrámos no parque, "O significado político destes cânticos é mostrar nossa oposição ao Partido Comunista — aquilo que ele se tornou — e utilizar Mao para confrontá-lo e elevar o nível de consciência". Este mesmo espírito histórico também atravessa as lutas práticas na cidade. Quando a greve na fábrica de papel começou em 2000 — ainda o "modelo" para a resistência à privatização nesta área — os trabalhadores utilizaram os métodos da "Revolução Cultural", segundo um activista, expulsando os administradores, tomando a fábrica, impedindo a remoção do equipamento e instituindo o controle operário. Após muitas peripécias, parte da fábrica ainda permanece nas mãos dos trabalhadores, mas ela está a lutar para sobreviver não só na economia de mercado como em relação às tentativas oficiais de miná-la economicamente. Como explicou seu líder, depois de ter sido preso, adoptaram esta forma específica de luta "porque os princípios da Comuna de Paris viverão para sempre". Uma perspectiva histórica de esquerda semelhante foi vista na luta da fábrica de equipamento eléctrico, onde um dos slongas era, "Trabalhadores querem produzir e viver", mas também ergueram uma bandeira a dizer: "Defender continuamente o Pensamento de Mao Zedong". Outras acções dos trabalhadores tomam uma forma ainda mais abertamente política. No mesmo ano da tomada da fábrica de papel começou uma celebração do aniversário da morte de Mao. Em 2001 ela reuniu dezenas de milhares de trabalhadores — com 10 mil polícias a cercá-los — e houve uma grande greve e confrontação. Hoje, os trabalhadores estão proibido até de irem à pequena praça onde se ergue a última estátua de Mao na cidade, tanto na data do seu nascimento como da sua morte. Mas eles vão de qualquer forma e confrontam a polícia. Foi ali que, em 9 de Setembro de 2004, um trabalhador activista, Zhang Zhengyao, divulgou um folheto acusando o Partido Comunista e o governo de abandonarem os interesses das classes trabalhadoras e tomarem parte na corrupção generalizada. O seu panfleto também denunciava a restauração do capitalismo na China e apelava a um retorno ao "caminho socialista" defendido por Mao. Tanto ele como o co-autor do panfleto, Zhang Ruquan, foram presos depois de a polícia vasculhar seus apartamentos. Os seus casos tonaram-se longe uma cause célèbre na China, com muita gente de esquerda de todo o país a viajarem a Zhengzhou para protestar do lado de fora do julgamento não público dos dois, em Dezembro de 2004, onde cada um deles foi sentenciado a três anos de prisão. Juntamente com Ge Liying e Wang Zhanqing — que colaboraram na redacção e impressão do folheto, e que também foram incomodados pela polícia — estes trabalhadores activistas ficaram conhecidos como "os 4 de Zhengzhou". Uma carta-petição, iniciada nos Estados Unidos, ao presidente Hu Jintao e ao primeiro-ministro Wn Jiabao, apelando à libertação dos mesmos, conseguiu mais de duas centenas de assinaturas — cerca da metade de entro da China e outra de fora. Isto foi uma demonstração sem precedentes de apoio a trabalhadores de esquerda, especialmente considerando o potencial risco para aqueles que a assinaram, unindo intelectuais chineses e activistas com os seus pares internacionais. Embora o governo não respondesse directamente à carta, Zhang Ruquan foi posteriormente libertado da prisão, ostensivamente por razões de saúde, o que alguns activistas acreditam que tenha sido pelo menos em parte um resultado da pressão gerada pela petição e outras actividades de solidariedade relacionadas, tais como a inserção de informação e análises, por vezes extensas. em sítios web de esquerda. Os 4 de Zhengzhou representam a recusa dos trabalhadores da China de aceitar passivamente as novas condições que lhes são impostas pelo partido e pelo estado, a persistência da ideologia de esquerda e o activismo nas suas fileiras, e o crescente apoio que eles estão a reunir junto a outros da sociedade e mesmo no estrangeiro. Mas este caso também salientou as divisões assim como o renovado fortalecimento da esquerda chinesa. Foram principalmente os mais jovens de esquerda que tomaram a liderança ao assinar a carta-petiçaõ pelos 4 de Zhengzhou, utilizando a Internet para faze-la circular amplamente, ao mesmo temo que criticavam aqueles dentre os mais velhos que, pelo menos a princípio, haviam hesitado. Para a geração jovem, a solidariedade com trabalhadores que estavam a tomar uma posição pública à esquerda tinha prioridade sobre a preocupação em ter exactamente a linha justa. Para os de esquerda mais velhos, as divisões passadas e as lutas sobre ideologia e política muitas vezes bloqueavam a unidade para a acção comum. No seu caso, é mais difícil por de lado conflitos históricos a fim de enfrentar as novas condições do presente. Estas atitudes diferenciadas reflectem uma análise aceite amplamente dos três principais agrupamentos encontrados entre os chineses de esquerda: (1) a "velha" esquerda que é constituída em grande medida por aqueles que ascenderam nas fileiras do partido e do estado e que, depois de em muitos casos inicialmente abraçarem pelo menos partes das reformas de Deng Xiaoping, moveram-se para a oposição quando a natureza capitalista daquelas políticas foi-se tornando cada vez mais aparente; (2) "Maoistas" que permaneceram firmes no seu apoio aos programas da era revolucionária do socialismo chinês sob Mao, e têm sua base popular basicamente entre os trabalhadores e camponeses, e, (3) a "nova" esquerda que, como a sua congénere no Ocidente — especialmente durante a década de 1960 — tende a ser composta pela geração mais jovens, centrada principalmente nas universidades e novas ONGs, que são abertas a um amplo leque de marxistas, assim como de modo geral a tendências sociológicas e social democratas, mas que estão muitas vezes mais desejosas de se alinharem com os seguidores de Mao do que aqueles entre a "velha" esquerda. As linhas entre estes três grupos, contudo, não são de modo algum rígidas ou mutuamente excludentes. "Velhos" de esquerda podem ser encontrados por toda a sociedade, tanto dentro como fora do governo, enquanto muitos "maoistas" e mesmo alguns da "nova" esquerda trabalham dentro do partido e do estado. Quaisquer paralelos com categorizações de esquerda — especialmente a "nova" esquerda — no Ocidente não deveriam ser exageradas, pois cada uma delas tem a sua própria característica chinesa específica que reflecte a história das lutas aqui. Em 2001, uma altamente inabitual reunião das quatro diferentes tendências políticas — organizada por um antigo líder Guarda Vermelho em Zhengzhou que esteve preso durante muitos anos após o começo das reformas, e ainda é um activista — foi efectuada em Beidaihe, a cidade a beira mar onde a liderança de topo reúne-se no verão para planear estratégia. Enquanto concordaram no seu desacordo sobre se se deve opor a todas as reformas políticas, foram unânimes na crítica a Deng Xiaoping pela extensão da recapitalização que ele introduziu. Mais recentemente, um fórum de quadros muito elevados de vários institutos, universidades e agências reuniu-se para desenvolver uma análise marxista da actual situação — com o presidente da Universidade de Beijing a abrir a sessão. A experiência era transformar isto num encontro permanente. Os antigos membros do partidos que estavam por trás da organização desta reunião explicaram que aquilo não poderia ter acontecido sem pelo menos algum apoio de alto nível. Em Zhengzhou, um fórum semelhante liderado por gente de esquerda e "liberais" — uma expressão que na China de hoje muitas vezes inclui aqueles que são mais radicais do que os seus confrades no Ocidente — tem-se reunido na última década, juntando pessoas que mantêm um amplo leque de visões. O seu terreno comum é um senso forte de que a actual direcção da sociedade chinesa e das políticas oficiais não é sustentável. Assim, apesar dos seus diferentes antecedentes e abordagens, ali há muitos que caem aproximadamente dentro de todas as três categorias de esquerda — "velhos", "maoistas" e "novos" — tanto dentro como fora dos corpos do partido, do estado e das instituições, e não apenas as suas ideias como também os seus vários fóruns e encontros, sobrepõem-se, interpenetram e influenciam uns aos outros, e atraem mesmo aqueles que não participam das suas ideologias. Dentro das novas ONGs há algumas com uma forte base de esquerda, as quais estão a trabalhar em assuntos práticos como proporcionar escolas para aldeias rurais empobrecidas e promover uma sociedade mais voltada para o trabalhador e o camponês do que o fazem as fundações dominantes. Este retorno da esquerda reflecte o crescente fortalecimento da luta popular entre as classes trabalhadoras, a qual tornou impossível ir mais além a afim de evitar chamar a crise social na China e a ameaça de que esta apenas seria aprofundada sem uma mudança radical nas actuais políticas. Isto reabre a possibilidade, ainda que possa parecer distante do ponto de vista actual, de uma renovação do socialismo revolucionário da era de Mao. Um exemplo gritante desta nova abertura à esquerda é uma carta a Hu Jintao de um grupo de "membros veteranos do PCC, quadros, pessoal militar e intelectuais", em Outubro de 2004, chamada "Nossas visões e opinião do actual panorama político". Embora em tom mais respeitoso do que o folheto dos 4 de Zhengzhou, e dando algum crédito positivo às "reformas" pelos seus ganhos económicos, a carta faz um paralelo muito próximo dos mesmos temas daquela declaração e, com os seus apelos à acção correctiva e por um retorno ao caminho socialista e afastamento da "estrada capitalista", é igualmente militante na sua crítica à situação presente. Não está claro que houve qualquer relação directa entre estes dois documentos. Mas gente de esquerda na China continuava a reunir assinaturas em apoio dos 4 de Zhengzhou, e o ímpeto com que partes da "nova" esquerda abraçaram a sua causa e a defesa de tais activistas "maoistas" está a abrir mais espaço para os "velhos" da esquerda reafirmarem também as suas críticas tradicionais — tal como a carta a Hu. Esta disposição de veteranos das antigas lutas revolucionárias de se manifestarem assim abertamente contra as actuais políticas do partido e do estado dá a medida do novo clima que está a emergir. Ainda em 1999, nossas discussões com gente da esquerda mais velha deixavam claro quão restringidos eles ainda sentiam que tinham de estar face à atmosfera prevalecente da reforma. Agora, isto é claro, muitos destes antigos líderes e aqueles em posições semelhantes sentem-se "libertos" para exprimir suas opiniões mais abertamente. Não é apenas em teoria, portanto, que o passado continua e informar o presente, e que as acções de uma parte da esquerda têm um impacto sobre outras, mas também na prática. Nuns poucos casos, pequeno em número mas por vezes bastante grande na sua influência, as formas socialistas de organização da era Mao continuam a ser implementadas hoje, embora necessariamente de forma modificada para atender as novas condições da economia de mercado. Assim, mesmo agora cerca de 1 por cento das aldeias rurais, representando vários milhares no total — os números variam conforme quem está a fazer a medição e conforme o que consideram como critério — nunca abandonaram plenamente a colectivização da era da comuna. Mesmo umas poucas que implementaram as reformas Deng recuaram outra vez para a produção colectivizada, tornando-se um modelo para outros explorarem alternativas para a economia rural. O mais proeminente exemplo de manutenção dos objectivos e métodos da era socialista, Nanjiecun (Aldeia da Rua do Sul), uma cidade "maoista" na Província de Henan a uma hora ou mais de Zhengzhou, a qual começou a recolectivizar 15 a 20 anos atrás, continua a funcionar como uma forma de comuna para todos os seus membros, com habitação, cuidados de saúde e educação essencialmente gratuitos — pagando mesmo a despesas de ensino superior para os seus jovens. Ela também apoia as práticas igualitárias da era socialista, tais como pagar aos seus administradores não mais do que os salários de um trabalhador qualificado. Também permanece dedicada aos objectivos políticos de Mao, cujas fotos e dizeres, juntamente com imagens de outros líderes revolucionários — incluindo Marx, Engels, Lenine e Staline — são ostensivamente mostradas por toda a aldeia. Aqui, complexos habitacionais de vários pisos, com luz e apartamentos arejados que são proporcionados a cada família membro, são cercados por imaculadas avenidas limpas, passeios e jardins. A aldeia tem uma escola atraente e um centro de cuidados infantis. Tal ambiente é virtualmente único na China — fora dos novos complexos habitacionais dos urbanos ricos — e choca-se agudamente com o ambiente rural mais típico encontrado para além dos seus muros e portões. (continua) [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |