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| Subject: Re: Digitalismo - mais uma vez, a polémica... (2) | |
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Author: Guilherme Statter |
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Date Posted: 31/05/06 11:17:44 In reply to: Guilherme Statter 's message, "Digitalismo - mais uma vez, a polémica... (1)" on 31/05/06 1:18:09 Vejamos então uma crítica possível das "teses" dos nossos autores Terceiro e Matias: 1. Uma grande transformação das relações sociais. Parece-me que a grande transformação das relações sociais de que falam estes autores é apenas nível superficial, como em "ter amigos e conhecidos" ou como em "círculo de interesses comuns". De facto com a Internet aparecem muito mais possibilidades de alargar e variar as redes de contactos regulares. Mas o dia continua a ter apenas 24 horas, cada um precisa de dormir oito e há uma capacidade limitada de "contactar com os outros". Não estou a ver como é que "todos se podem vir a relacionar com todos"... 2.000.000.000 de adultos A vida acordada de cada adulto pode durar até 600.000 horas ou 35.000.000 de minutos. 2. Transformação do modo de produção. Este passaria a basear-se não só no capital físico ou financeiro mas também no conhecimento. A expressão "modo de produção" é utilizada aqui no sentido restrito de "base material de produção" (ou seja, a enfâse na tecnologia). Nem uma referência às transformações possíveis mas não garantidas no que respeita às relações de classe ou modificações nos múltiplos posicionamentos de classes. Aquilo a que os sociologos e antropologos chamam de "reprodução social". E nem é preciso ser-se marxista, para se ver o problema também - e sobretudo - desse prisma. 3. Mudança da estrutura económica. Esta transformar-se-ia de acordo com uma nova orientação, determinada pela informação e o conhecimento. Nesta "tese" os autores acabam por tocar na questão do "modo de produção" (no seu sentido mais amplo), mas - mais uma vez - sem abordar a questão da "reprodução social". Enquanto que falam de informação e conhecimento não se explicita como é que se tem acesso a essa informção e ao conhecimento cientifico e técnico que permitem o controle (e a posse de jure e de facto) dos meios de produção. 4. O global (a globalização?...) resulta do digital. Assim sendo, a organização com base em informação e no conhecimento adquire um novo protagonismo face a outros tipos de relação baseadas no indivíduo, na família e no Estado. Esta já será uma tese mais "retorcida". Quanto a mim é o "individualismo metodológico" ("gato escondido com rabo de fora") na sua expressão mais simples. As pessoas passariam a valer e a relacionar-se uns com os outros não na base da afectividade ("o que é isso?...") ou na partilha de "interesses e símbolos" comuns ("vivó Benfica"...), mas sim com base no tipo e quantidade de conhecimentos e informações de que cada um disponha. Uma espécie de "robôs" orgânicos. Não digo que não seja um futuro possível. Só que - a menos que estejamos numa de determinismo mecanicista - outros futuros são possíveis. 5. A "nova economia" é uma "economia da informação". Na medida em que os conteúdos têm como característica principal poderem ser digitalizados. Aqui teremos o mesmo tipo de erro que já tive ocasião de apontar aos Redondo: converter uma fracção da actividade económica, na totalidade da actividade económica. Confundir métodos de produção com os produtos eles mesmos. O trigo e o milho, ou o algodão e a soja (por muito OGM's que sejam) continuam a ter matéria e substância não ditigal... O que pode ser digitalizado - no sentido económico de coisas "vendáveis" - são livros e discos audio-visuais. Os bifes com batas fritas, não consta. A menos que estejamos numa de confundir a ficção "MATRIX" com a realidade comezinha de todos os dias. 6. Horizontes sem limites. Frente aos limites da matéria e da energia que caracterizam a economia "anterior", surge a ausência de limites própria do imaterial. Aqui teremos uma "tese" que roça o absurdo quase criminoso. Já não basta o seu "Idealismo" mesmo se superficial (por oposição a "Materialismo"...). E falo em criminoso porque não há digitalismo para ninguém sem um qualquer suporte material e dispêndio de energia para o activar. Ao digitalismo. E falo em criminoso porque à pala dos telemóveis e dos SMS e mensagens gráficas que pululam as redes "celulares" por esse mundo fora, já morreram centenas de milhar (ou mesmo milhões) de inocentes. Estou-me a referir, por exemplo, às guerras do "coltan", minério sem o qual não há telemóveis nem micro-computadores para ninguém. 7. Nova dinâmica espacial e temporal. O espaço e o tempo do digitalismo vêm substituir o espaço e o tempo do capitalismo mercantil, industrial ou financeiro. De facto, com o digitalismo torna-se possível a uma qualquer empresa multi-nacional, mandar conceber um produto nos arredores de Tóquio, mandar fabricar componentes em fábricas mais ou menos robotizadas espalhadas pelo mundo, estas por sua vez podem sub-contratar a uns tantos "fornecedores locais" - tudo sob o controle de um programa de gestão tipo BPM - e tudo isto independentemente do "tempo" e do "espaço". Uma espécie de neo-taylorismo... Não vejo e que isto venha substituir o que quer que seja. Vem "apenas" complementar e requintar os processos de "exploração da força de trabalho". Mas isto são manias de marxismo serôdio... 8. Surgimento de novos outros espaços-tempos. Alterar-se-ão as formas de viver, sentir e pensar na medida em que os órgãos dos sentidos como a vista, o ouvido, o olfacto o gosto e o tacto passarão a ser fronteiras alargadas graças a novas tecnologias digitais. Esta tese releva dos "gadgets" da realidade virtual e, no limite, da ficção ciêntífica tipo "MATRIX". Não quer dizer que esteja errada. 9. Em resultado do global virá o universal. O digitalismo vai provocar novos avanços tecnológicos que permitirão projectar a sociedade humana à conquista do Universo. Se antes disso não se resolverem os problemas fundamentais da Humanidade - em agravamento constante - não estou a ver bem este filme... 10. O grande desafio do século XXI é o ser humano. O digitalismo leva-nos à era das máquinas inteligentes e até à era das máquinas espirituais. A Humanidade encontrará formas de alongar a vida e tudo isso dará origem a um ser humano distinto daquele que conhecemos hoje. Nada a opor... A não ser o "sine qua non", da crítica anterior: "Se antes disso não se resolverem os problemas fundamentais da Humanidade - em agravamento constante - não estou a ver bem este filme..." Estou a pensar nos "Objectivos do Milénio" das Nações Unidas, nas centenas de milhões de crianças com fome, das dezenas de milhões de infectados com o HIV/SIDA, nas dezenas de milhões de mortos com malária (uma "doença dos pobres"...) Se estes e outros autores se deixassem de eurocentrismos e vissem o planeta como um todo e com olhos de ver, veriam que se agravam em todo o mundo as desigualdades sociais e que não é com uma "transição para o Digitalismo" que esses problemas se resolvem. É com uma transição para o Socialismo. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Inteiramente de acordo | Portuga | 31/05/06 15:06:46 |
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