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Subject: Revolução Cultural é memória sensível


Author:
Luís Naves
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Date Posted: 17/05/06 12:20:21

A imprensa chinesa ignorou ontem a passagem do 40.º aniversário do início do vasto movimento social conhecido por Grande Revolução Cultural Proletária, durante o qual morreu um número indeterminado de pessoas, que alguns autores colocam no patamar de dezenas de milhões. As autoridades tornaram inacessível, na Internet chinesa, todas as pesquisas usando a expressão "revolução cultural".

Nas últimas semanas, alguns órgãos de comunicação chineses têm abordado o assunto, mas de forma prudente. A questão é politicamente sensível, pois os excessos do período implicam a crítica ao fundador da República Popular, Mao Tsé- -Tung, e ao Partido Comunista.

A 16 de Maio de 1966 foi lançada uma campanha de Mao que visava a recuperação do poder (o Grande Timoneiro perdera influência após o fiasco do Grande Salto em Frente). Ao mesmo tempo, a China afastava-se ainda mais do bloco soviético, alvo de crítica. O resultado quase provocou uma guerra civil.

A Revolução Cultural começa por ser uma denúncia de "infiltrações burguesas" no partido, mas na realidade tratava-se de uma manobra de poder nos altos escalões. O golpe de Mao depressa se transformou num caótico movimento de massas. O líder chinês formou os "guardas vermelhos", que tomaram conta das instituições, perseguiram dirigentes moderados, intelectuais, professores e técnicos. Uma geração inteira perdeu uma década da sua educação e o terror foi acompanhado pelo colapso económico.

A Revolução terminaria só em 1976, após a morte de Mao Tsé- -Tung, mas a facção dos que pretendiam modernizar a China esteve perto do desastre. Um dos momentos cruciais da luta pelo poder ocorreu em Setembro de 1971, quando o líder radical, Lin Piao, o sucessor oficial de Mao, morre num acidente de aviação, ao tentar fugir para a URSS, após um golpe palaciano. A facção vencedora ainda teria de neutralizar o Bando dos Quatro, onde pontificava a quarta mulher de Mao, Jiang Qing. Hoje, a China é um país bem diferente e tudo não parece ser mais do que um distante pesadelo. Mas, para além dos mortos, do património cultural destruído e da geração perdida, a Revolução Cultural conta a história da poderosa energia das massas descontroladas. Estas são forças que a elite política chinesa conhece e, que certamente, não quererá nunca mais libertar.

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Subject Author Date
Pequim ignora 40 anos da revolução de MaoJorge Heitor17/05/06 12:22:36


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