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| Subject: Re: O teorema de Okishio - Alguns apontamentos avulsos - 2 | |
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Author: Guilherme Statter |
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Date Posted: 23/05/06 21:17:48 In reply to: Guilherme Statter 's message, "O teorema de Okishio - Alguns apontamentos avulsos - 1" on 23/05/06 15:55:04 Continuando... Mas afinal o que nos diz o Teorema de Okishio? "If the newly introduced technique satisfies the cost criterion (i.e. if it reduces unit-costs, given current prices) and the rate of real wage remains constant, then the rate of profit must increase" (Okishio, 1961, página 92). Vejamos então (de forma MUITO esquemática) a abordagem de Okishio: Em primeiro lugar a motivação: Teremos aqui a premissa de que uma qualquer empresa só adoptará uma qualquer nova tecnologia se esta contribuir para aumentar a sua própria taxa de lucro. Em segundo lugar as consequências: Teremos assim que em resultado da adopção de uma nova tecnologia mais produtiva, a empresa pioneira verá aumentar a sua própria taxa de lucro (seja por via de uma redução de custos seja por via de um aumento de vendas ou ainda por uma combinação destes dois efeitos). Em terceiro lugar resultarão daí pelos menos duas outras consequências: 1.Ou a empresa pioneira, para ganhar maiores fatias de mercado, transfere (faz passar...) para outras empresas a jusante, algum do benefício da sua maior produtividade (sob a forma de preços de venda mais reduzidos), ou 2. A empresa pioneira fica com maior capacidade de compra (vende aos mesmos preços mas a custos mais reduzidos) e assim pode aumentar a dimensão do mercado das empresas a montante, na medida em que passa a dispôr de mais capital. Verificando-se assim uma expansão dos mercados, haveria lugar a novos investimentos e em cadeia aumentaria o poder de compra geral para absorver a nova e alargada produção de bens e serviços. Em qualquer dos casos - segundo Okishio - a introdução de uma inovação tecnológica só poderá ter como resultado uma subida generalizada da taxa de lucro. Okishio raciocinava em termos da análise matricial inter-sectorial de actividades económicas e considerava que o aumento da taxa de lucro num qualquer ponto da matriz acaba por se difundir através de todas as empresas aumentando assim a taxa de lucro prevalecente no sistema. Ver mais adiante gráfico esquemático de uma matriz de "entradas e saídas" inter-sectoriais. Ou seja, exactamente o oposto daquilo que defendia Karl Marx. Continuando... Para os seus críticos mais comuns (ou melhor, aqueles a que tive acesso...) o erro básico de Okishio será o de considerar, para qualquer empresa pioneira (e implicitamente para toda e qualquer empresa, ainda que em grau eventualmente diferenciado) o referencial do sistema de preços de venda como distinto (temporalmente separado) do referencial do sistema de preços de compra. Por outras palavras, para Okishio o custo de substituição de máquinas (tecnologias) "obsoletas" por outras "mais modernas" (ou com maior produtividade potencial), far-se-ia sistematicamente pelos preços de compra (produção) das novas máquinas ou tecnologias e considerando que estaria sempre concluída a amortização (total e completa) dos custos históricos das máquinas e tecnologias "obsoletas". Ou seja, as novas "máquinas" (além de serem normalmente mais baratas), não tinham que "levar às costas" os custos não amortizados das máquinas "obsoletas". Dizem esses críticos que se trata aqui de uma premissa "irrealista". Quanto a mim, não é por aí que lá vão... Um outro erro que é apontado a Okishio é o facto de este considerar que estará sempre garantida "à partida" a venda da totalidade da produção (logo a concretização efectiva da totalidade das mais-valias originadas no momento da produção). Aqui Okishio incorrerá num outro tipo de erro (de coerência lógica): Por um lado, declara que a formulação da LQTTL, tal como apresentada por Marx, está errada e logicamente inconsequente, mas por outro lado, altera ou ignora de forma sistemática uma das premissas do raciocínio de Marx: o da contradição insanável entre a produção e o consumo das mais-valias. Finalmente e para concluir estas notas mais do que avulsas, um último reparo até e também à crítica que acima refiro e formulada em relação ao teorema de Okishio. De acordo com os resultados obtidos com iterações do algoritmo rudimentar que tive ocasião de elaborar (a partir de um ensaio de Ronald Meek), e no curto prazo, Okishio parece ter razão e verificar-se-ia de facto uma subida tendencial da taxa de lucro. Mas - há sempre um raio de um "mas"... - a médio e mais longo prazo (depende daquilo a que no algoritmo chamo de "grau de refluxo" e que poderá corresponder (grosso modo) àquilo que os economistas designam por "formação bruta de capital fixo"), a evolução da taxa de lucro sofre uma inflexão, estagna e começa de facto a descer. O erro fundamental de Okishio - dos críticos a que tenho tido acesso - é então de uma outra natureza: Muito simplesmente ignoram o caracter histórico (diacrónico, dizem eles...) da disciplina ciêntífica "Economia" e o permanente "ongoing" efeito de retroacção sistémica relativamente às condições de partida. Apresento em seguida os quadros correspondentes à evolução das variáveis pertinentes, assim como o rudimentar esboço gráfico de uma matriz inter-indústrias. Enfim, espero que saia... [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Quadros referidos pelo Guilherme Statter | Fernando Penim Redondo | 23/05/06 22:05:06 |