Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your
contribution is not tax-deductible.)
PayPal Acct:
Feedback:
Donate to VoyForums (PayPal):
| 19/04/26 7:58:39 | [ Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 1, 2, 3, 4, 5, 6, [7], 8 ] |
| Subject: Re: Perguntar, perguntar sempre... | |
|
Author: Visitante |
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 25/05/06 23:30:10 In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "Perguntar, perguntar sempre..." on 25/05/06 21:16:12 1-Em qualquer momento da História são as necessidades sociais – dentro da latitude que o conceito abarca – que determinam a evolução social. Novas relações de produção emergem precisamente para responder às necessidades sociais, e nunca são especialmente perversas, como os marxistas classificam, modernamente, a generalização do salariato. Novas relações de produção são sempre aquelas que vão sendo testadas informalmente e se revelam com potencialidades de se expandir e desenvolver, respondendo melhor às necessidades sociais. 2-O conceito de lucro é antigo; a escrituração e a contabilidade, que permitem a sua fácil verificação, já é mais recente. É a existência do lucro que permite a acumulação (de riqueza ou de meios de produção). No “capitalismo realmente existente” ocorrem taxas de lucro diversificadas (quer nas diversas empresas, quer nos diversos ramos da produção, quer na produção social global, quer numa formação económico-social específica, quer na sociedade em geral), embora sujeitas a uma constante equilibração. Depende das circunstâncias, nomeadamente: das transferências de valor de modos de produção anteriores e das oportunidades de exploração dos trabalhadores assalariados (neste caso, da taxa de exploração e da quantidade de trabalhadores explorados). 3-No capitalismo, a exploração (isto é, a apropriação de uma parte do produto social por uma classe de não produtores) aparece mascarada, como se fosse uma transacção equitativa de mercadorias efectuada por contraentes livres e iguais. Como ele se desenvolveu expandindo-se para a produção por compra de capacidade para trabalhar por tempo (nem que o tempo se tenha começado por medir pelo nascer e o pôr do sol) – capacidade para trabalhar que entretanto fora disponibilizada pelo modo de produção tributário, quer devido ao crescimento da produtividade na agricultura, quer devido à apropriação privada de terras comunais – a sua forma de exploração caracteriza-se por comprar tempo de trabalho e pagá-lo com menos tempo de trabalho (do mesmo tipo, isto é, trabalho vivo, incorporado nas mercadorias que o salário compra). 4-As pessoas comuns dispõem apenas de capacidade para trabalhar, e esta, a não ser no ramo dos serviços pessoais, não constitui factor produtivo suficiente. Se, em determinada altura do desenvolvimento económico-social, certos tipos de mercadoria exigem para a sua produção pequeno volume de meios de produção, acessível à bolsa de cada um, os trabalhadores podem passar a vender como mercadoria não já a capacidade para trabalhar, mas produtos do seu trabalho, tomando o processo produtivo sob o seu comando. Estou persuadido que uma forma de produção deste tipo – associando produtores autónomos ou pequenas sociedades cooperativas – poderá desenvolver-se no futuro, nalguns ramos produtivos, e não apenas nos mais criativos (porque a criatividade ou a capacidade heurística, ao contrário da capacidade para o trabalho manual, mais ou menos qualificado, não é uma característica da generalidade das pessoas nem uma necessidade em todos os ramos). 5-A tendência para o aumento da composição orgânica do capital tem sido uma característica do capitalismo. Existem muitas causas que a explicam – desde as imposições técnicas necessárias ou a inabilidade dos novos operários, que produzia grandes desperdícios, até à concorrência inter-capitalista de redução do custo pago ou ao aproveitamento de possibilidades de expansão da produção. Não está fora de causa que uma mudança da composição orgânica do capital seja necessária nalguns ramos emergentes (da produção do conhecimento ao da informação) ou até em actividades de publicidade, de marketing e de comércio, como já se verifica. Continuando a prestação do trabalho mais ou menos subordinada e sujeita à relação salarial, não vejo que uma relação de produção deste tipo possa deixar de ser designada por capitalismo. Aliás, uma certa autonomia na prestação do trabalho (flexibilidade de horários e de locais de prestação), possibilitada pelas novas tecnologias, tem sido uma das formas de mascarar o aumento do período de trabalho e, neste caso, de reduzir os custos pagos, conquistando vantagens face à concorrência. 6-O capitalismo perecerá por não poder aproveitar a capacidade para trabalhar disponível e ameaçar a sobrevivência, com um mínimo de dignidade, de muitos milhões de pessoas. Não vejo que ele possa inverter a sua lógica de desenvolvimento, porque esta é um produto histórico. A necessidade de utilização da capacidade para trabalhar irá ser aproveitada, quer porque as pessoas têm de sobreviver, quer porque a tecnologia disponível permite algumas formas inovadoras de produzir, que já permitem vender produtos do trabalho e não o próprio trabalho. Não quer dizer que o futuro seja um futuro de trocas equitativas, mas se permitir a vida com uma qualidade melhor para maior número, isso será suficiente para um novo modo de produção se desenvolver. Uma coisa tenho por certa: o futuro não está pré-escrito, é continuamente inventado, e começa a ser inventado no próprio presente, porque não há paragem do tempo. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |