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Subject: Maior oposição aos EUA por quererem recolonizar terras a sul do rio Bravo


Author:
Cubano
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Date Posted: 20/04/06 14:19:57

5º ENCONTRO HEMISFÉRICO CONTRA A ALCA

Maior oposição aos EUA por quererem recolonizar terras a sul do rio Bravo

• Reuniram-se em Havana 400 representantes de movimentos e organizações sociais de 36 países • Fidel encaminha mensagem de apoio à luta contra a ALCA

POR NIDIA DÍAZ — do Granma Internacional

APÓS quatro dias de debates intensos, em 15 de abril passado, terminou em Havana o 5º Encontro Hemisférico de Luta contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), do qual participaram cerca de 400 representantes de 36 nações, visando à consolidação de múltiplas alternativas para enfrentar esta nova estratégia de dominação colonial que o império nos quer impor.

Faz isso, depois de invalidar sua versão original, após mais de dez anos de luta — lembrar que a iniciativa foi lançada em Miami, durante a Primeira Cúpula das Américas, em 1994 — mesmo quando o governo dos Estados Unidos disfarce sua derrota ao dar luz verde à assinatura de acordos bilaterais, como os assinados com a América Central, o Peru e a Colômbia, mas se conformando com o que expertos e observadores qualificam de Alca light ou Alca de várias velocidades.

Em mais de uma década de combate, os movimentos sociais do continente estão cientes de que agora, quando a Casa Branca troca seus objetivos iniciais por novos acordos, convênios e alianças que escondem propósitos idênticos, é inadiável vencer a guerra pela consciência popular, tal qual foi expresso na Declaração Final do encontro.

Os participantes, membros de redes e campanhas do continente, opostos aos acordos de livre comércio, aprovaram na sessão final, um Plano de Ação e uma Declaração Final, em que, após socializar suas respectivas experiências nacionais, trocaram opiniões a respeito das diversas formas de oposição às novas variantes com que o império pretende nos dominar, como os acordos bilaterais, os bi-regionais, ou aqueles com que a União Européia se apresenta com uma “cenoura” neocolonial em suas relações com a região ou o Nafta-mais, para apenas citar alguns exemplos, ao passo que manifestaram seu repúdio às instituições financeiras e à ofensiva militarista no hemisfério.

Foram ótimas as análises feitas pelos grupos regionais, como o grupo andino que tocou na análise e perspectivas de um novo cenário político na região por galgarem o poder governos nacionalistas e populares, contrários, por essência e compromisso ao modelo neoliberal, ao livre comércio e à hegemonia imperial.

A análise da Lei Antiimigrante no grupo regional do Norte foi uma mostra dos esforços mancomunados de todos os movimentos e organizações sociais dos EUA, do Canadá e do México, que hoje são contrários à legislação racista e a favor da realização, no próximo 1º de maio, de uma greve geral nos EUA para rechaçar seus objetivos fascistas.

Organizações como a CLOC, COMPA, CADA, Jubileo Sur, MMM-REMTE, Oclae e a rede de redes Em defesa da Humanidade, marcaram presença no evento. Da mesma maneira, durante o encontro em Havana, foi criada a Rede Mundial de Juristas, cujo objetivo será precisamente orientar legal e juridicamente o enfrentamento social à Alca, como projeto de recolonização do continente.

Foi também debatida a denominada eufemisticamente Aliança de Segurança e Prosperidade da América do Norte (Aspan), novo projeto que visa estender à América Latina toda o Acordo de Livre Comércio entre os Estados Unidos, o Canadá e o México, com um perigoso componente de segurança supranacional dos Estados Unidos.

Este novo projeto é ainda mais perigoso que a Alca, uma vez que avançará sem seus objetivos serem tornados públicos e, de se concretizarem, implicariam o fim das instituições legislativas, judiciais e até executivas de todas as nações do hemisfério, a favor de um só governo: o dos EUA.

No evento, foram ministradas conferências magistrais do sociólogo belga, François Houtard, e do boliviano Pablo Solón, sobre a luta dos movimentos sociais em prol de um mundo melhor, bem como o discurso de abertura do deputado e acadêmico cubano, Osvaldo Martínez, que manifestou que “o modelo que os Estados Unidos querem impor, de maneira teimosa, à América Latina e ao Caribe é o neliberalismo puro do livre comércio e a privatização.

“Agora, o projeto Alca original, o dos 34 países, excluindo Cuba, se congelou, fato que é uma boa notícia e a expressão de uma vitória da Campanha Continental contra a Alca. É uma vitória numa fase da batalha — expressando-nos em termos militares —, mas ainda não vencemos a guerra, nem é hora de depormos as armas.

“A Alca, como vírus maligno, sofreu mutações diante da relutância e agora mantém a essência do projeto de dominação, a fim de apoderar-se do petróleo e do gás, da água, da biodiversidade, dos mercados e da força de trabalho da região. Contudo, seu rosto é o dos acordos de livre comércio, disfarçado da propaganda da liberalização comercial.

“No entanto, esta ofensiva norte-americana do livre comércio tem lugar agora, em condições diferentes das de há uns anos, pois o neoliberalismo está evidentemente em meio a uma crise”, advertiu.

“O neoliberalismo, que, ao se criar a Aliança Social Continental em 1997, parecia todo-poderoso, exigia com arrogância a categoria de pensamento único e proclamava com petulância o fim da história, se está desmoronando.

“E nesse desmoronamento, a luta dos movimentos sociais é peça chave quanto à crítica, à resistência, à mobilização popular e à oposição ao modelos neoliberal”, salientou finalmente.

MENSAGEM DE FIDEL

No encerramento, o presidente cubano Fidel Castro Ruz encaminhou uma mensagem de apoio aos lutadores sociais contra a Alca, lida pelo também diretor do Centro de Estudos da Economia Mundial, Osvaldo Martínez, que frisou que o presidente, “participante ativo e habitual destes encontros, não pôde assistir nesta ocasião, porém nos deixou uma mensagem com sua identificação e seu compromisso com uma luta que é de todos os povos de nossa América”.

E considerando que outra América é possível, os delegados acordaram a realização do 6º Encontro Hemisférico de movimentos e redes que lutam contra a Alca e o livre comércio, em Havana, de 3 a 5 de maio de 2007.

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