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Subject: A revolução vai ter lugar noutro nível, na Rede, na Internet


Author:
Jorge Pinto (Portugal Diário, 29.08.2007)
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Date Posted: 29/08/07 8:00:34
In reply to: António Vilarigues 's message, "O atrevimento da ignorância" on 20/08/07 8:40:31


A revolução vai ter lugar noutro nível, na Rede, na Internet

Na sua mais recente crónica no PÚBLICO [20/8/2007], António Vilarigues, membro do PCP, procura reabilitar o leninismo através de algumas citações do autor de Desenvolvimento do Capitalismo na União Soviética e de Imperialismo, Estádio Superior do Capitalismo, concluindo que os seus críticos não só não leram os originais de Marx e Lenine como não os estudaram. Trata-se de duas obras de análise quase exclusivamente económica de entre as obras completas de Lenine publicadas em 45 volumes, salvo erro, que ainda hoje podem servir de referência, principalmente após a inusitada e grandiosa manifestação pública a seguir à morte de Álvaro Cunhal, aos 92 anos, mesmo para burgueses defensores do capitalismo. António Vilarigues insiste até na importância para a ideologia actual, insistindo que a chamada globalização não é diferente do imperialismo como estado superior do desenvolvimento do capitalismo, que se caracteriza pela aliança entre o capital financeiro e o industrial, e na procura de locais e novas fontes de exploração da força de trabalho, que aumente o poder dos mais ricos, proprietários e gestores das grandes multinacionais, em detrimento dos mais pobres e da classe média, e das pequenas e médias empresas, que são compradas ou incapazes de sobreviver. E à exportação do capital sucedeu a deslocalização das empresas e o despedimento dos trabalhadores. Por exemplo, em 1971, uma crise financeira global revelou que a Federação Helvética exportava 18 vezes mais capital por habitante que os EUA abalando o orgulho que tinham na estabilidade da sua moeda, cuja paridade com outras nunca fora ameaçada. Mas em 1971 o fluxo de dinheiro vindo do exterior que procurou refúgio na Federação foi tal que mesmo as piores medidas, sucessivamente mais gravosas, não produziram o efeito desejado. A situação só acalmou depois da valorização do franco suíço, pois o dinheiro que entrava vinha efectivamente do exterior, mas era dinheiro suíço colocado no exterior, uma situação que Marx descreveu algures como a luta de metade de uma economia contra a outra parte, no mesmo território. Mas agora o imperialismo caracteriza-se mais pela deslocalização das grandes empresas capitalistas em busca de mão-de-obra barata e sem protecção.
Globalização e imperialismo são a mesma coisa. As divergências começam quando escolhemos lutar contra o aumento do fosso entre ricos e pobres. Disso é omisso António Vilarigues. Será que é como Lenine queria, por meio de uma revolução e da guerra, do centralismo democrático e uma ditadura proletária, ou de outra forma, como assistimos actualmente na Venezuela e na Bolívia, com a tentativa de alargamento e aumento dos mandatos presidenciais, em nome do povo e do socialismo e contra o imperialismo norte-americano, aproveitando maiorias absolutas, ditas democráticas? Lenine morreu e o leninismo só é importante para compreender melhor e de forma científica (como ele gostava) porque é que a Revolução de 1917 fracassou. O resto tem a ver com as novas tecnologias e a alteração da luta de classes, com outras formas de fazer política.
Será que os partidos comunistas ainda são necessários? Tanto quanto os outros que se conformam com a democracia burguesa actual, um pouco mais participativa, com os sindicatos finalmente mais importantes que os partidos contra a globalização. Até Álvaro Cunhal compreendeu isto aos 90 anos! Porque os sindicatos têm que ser independentes para serem eficazes a unir os descontentes e espoliados pacificamente a favor dos seus interesses, na rua. Mas o mundo mudou e a revolução vai ter lugar noutro nível, na Rede, na Internet, no campo onde as empresas, instituições, etc., de toda a ordem ficaram dependentes e dominadas pelas novas tecnologias, em primeiro lugar contra os trabalhadores e a favor dos proprietários e gestores milionários. Mas a luta, talvez pacífica na rua, poderá tornar-se sangrenta noutros locais, onde aqueles que dominam os novos meios podem reagir em nome de um mundo melhor.

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