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Subject: A NUDEZ CRUA DA VERDADE


Author:
António Vilarigues
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Date Posted: 13/06/07 9:39:13

A NUDEZ CRUA DA VERDADE


“Não é em vão que se convoca uma greve geral, uma greve geral tem um significado político preciso (…) uma greve geral só existe enquanto combate a um modelo de sociedade, enquanto forma política de luta” escreveu São José Almeida. “A maioria que escreve sobre as greves, esta ou outras, tem como atitude típica o desdém (…) a greve é um dos raros momentos de protesto cívico (…)” sublinhou Pacheco Pereira.


A nudez crua da verdade mostra-nos que a Greve Geral convocada pela CGTP-IN se traduziu na maior jornada de luta que este Governo já enfrentou. Mesmo que nela só tivessem participado os 13% avançados pelo governo. Constituiu uma importante expressão das razões profundas de descontentamento e protesto popular. Representou uma clara afirmação de exigência de mudança.


A verdade é que a Greve Geral de 30 de Maio foi de todas as já realizadas aquela que mais apoio social colheu até hoje. As suas razões foram compreendidas e apoiadas por uma grande parte do povo português que das mais diversas formas (incluindo as sondagens …) o manifestou.


A verdade é que “só” o processo de preparação constituiu em si um dos mais importantes movimentos de esclarecimento, participação e mobilização dos últimos anos. A confirmá-lo esteve a adesão de 140 estruturas sindicais, as dezenas de milhar de activistas envolvidos, os mais de sete mil plenários realizados, as dezenas de milhares de acções de esclarecimento levadas a cabo. Reveladoras de uma impressionante força de intervenção social que se projectará muito para além da própria Greve Geral. Mesmo quando os trabalhadores foram confrontados com a proibição de plenários, com a recolha ilegal de dados pessoais, com as ameaças de processos disciplinares ou com o recurso à GNR para dificultar o exercício dos piquetes.


A verdade é que existem causas objectivas, bem fundas e sentidas, que exigiram o recurso a esta forma luta.


Em Portugal empobrece-se a trabalhar. Há dois milhões de pobres no nosso país. Mais de um terço dos pobres é trabalhador por conta de outrem com baixíssimos salários e em permanente degradação. E outro terço é reformado com reformas de miséria. Esta é a realidade.


Realidade é a destruição e deslocalização de empresas. É Portugal ter hoje a maior taxa de desemprego dos últimos vinte anos. É a existência de mais de 600 mil desempregados reais. É o facto de milhares de trabalhadores portugueses voltarem a emigrar e a sujeitar-se ao trabalho escravo e sem direitos. É o desemprego de longa duração a aumentar assustadoramente, com mais de metade (51,7%) dos trabalhadores no desemprego nesta situação.


Realidade é o nosso país ser na União Europeia (UE) o que tem a maior desigualdade na distribuição do rendimento. É os trabalhadores portugueses terem dos mais baixos salários dos países da UE e preços de serviços e bens essenciais dos mais elevados. É o nosso país apresentar o pior indicador de trabalhadores pobres na UE a 25. É o termos das mais elevadas taxas de risco de pobreza da EU entre aqueles que trabalham. É o sermos o país com menos justiça social e um dos mais desiguais na distribuição dos rendimentos.


Realidade é que aumenta a idade da reforma e diminui o valor das pensões. É a existência de novos e mais duros sacrifícios que resultam do agravamento dos impostos dos bens de consumo e dos rendimentos do trabalho, incluindo dos reformados. É o aumento das taxas de juro e do endividamento que ampliam as dificuldades e angústias de milhões de portugueses com a complacência e o silêncio cúmplice do governo.


Realidade é o crescimento da precariedade dos vínculos e das condições de trabalho e o aumento da instabilidade e insegurança da vida dos jovens. É mais de um milhão e duzentos mil trabalhadores terem vínculos precários, dos quais mais de meio milhão são jovens. É o eternizar a situação de precariedade com os contratos a prazo, os recibos verdes, a prestação de serviços, as bolsas de investigação, os apoios de inserção, o trabalho temporário.


Realidade é Portugal ser o terceiro país da União Europeia com maior percentagem de trabalhadores com contratos não permanentes. Ocupando a mesma posição quando o assunto é emprego por conta própria. Juntando a isto o trabalho a tempo parcial, verifica-se que 40,9% do emprego total em Portugal não apresenta a forma de contrato de trabalho sem termo e a tempo completo.


Realidade bem diversa é a circunstância de, ao mesmo tempo que se agrava a situação dos trabalhadores e da generalidade da população, os lucros dos grupos económicos e financeiros subirem todos os anos. Em 2006 os 5 principais bancos nacionais, juntamente com a EDP, a PT, a GALP e a SONAE tiveram 5,3 mil milhões de euros de lucros, mais 14,4% do que em 2005. Como o é alguns dos gestores de empresas privadas ganharem 130 (!!!) vezes mais que um trabalhador com o salário mínimo nacional.


Realidade é o nosso país estar aprisionado pelos interesses dos grupos económicos e financeiros. Cujos lucros aumentam todos os anos, à custa dos sacrifícios da maioria do povo e do comprometimento do desenvolvimento do país.


Realidade é que a decisão da CGTP de convocar uma Greve Geral para o dia 30 de Maio foi a resposta necessária aos mais de dois anos de ofensiva do Governo do PS contra os direitos laborais, os interesses dos trabalhadores e os direitos sociais do povo. Foi uma decisão natural. Uma decisão que deu expressão ao amplo descontentamento que atravessa a sociedade portuguesa. Foi uma decisão corajosa da CGTP. Uma decisão inteiramente justa. Por isso mais de um milhão e quatrocentos mil trabalhadores fizeram greve.

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