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Subject: Refém-amigo do sequestrador


Author:
César Príncipe
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Date Posted: 22/06/07 14:31:48



Prós & Contras: O poder é um fingidor









A Organização Partidária do Estado baseia-se no modelo de domínio anglo-saxónico: dois partidos alternam­‑se no poder, fingindo-se populares na Oposição e tornando-se impopulares no Governo. Socorrem-se do clássico guarda­‑roupa do Rotativismo: usam ganga na Oposição e fraque no Governo. As roupagens e linguagens de Esquerda visam esbater/equivocar/mimetizar o espaço de descontentamento e dar algum pretexto colaboracionista a dinamizadores culturais do Neoliberalismo Globalizante. Os partidos rotacionais nutrem­‑se do confusionismo sócio-eleitoral e da intimidade com os grupos económico-financeiros. A fim de não perderem o controlo da opinião pública, montam um simulacro de contraditório, elevando o tom de voz no que toca à Agenda do Pormenor, na medida em que estão de acordo com a Agenda do Essencial. Assim, embora nenhum dos partidos do Bloco Central seja da Oposição, ocupam tal bancada para administrar o Espaço de Cidadania, dificultando ao máximo as migrações eleitorais e desautorizando as forças de Esquerda como representativos da Oposição.



Esta contracenação tem logrado os objectivos, dispondo de pródigos financiamentos de imagem e de orquestração mediática. Tornou-se matéria assente que o segundo partido da Situação é o maior partido da Oposição. A Comunicação Social desempenha, neste registo cenográfico, um papel escolarizante e escrutinador, agindo como repetidor/consagrador de tal concepção através de milhares de noticiários e comentários. O programa da RTP Prós & Contras é bem um Espelho da Ideologia situacionista/rotativista. A farsa alternadeira não é inocente. Tem sido, sem dúvida, proveitosa: os partidos do Centrão continuam a fixar um núcleo determinante de eleitorado, que lhes tem servido de apólice para manter a alternância e bloquear a alternativa. É certo que uma larga faixa de abstencionistas enegrece os gráficos da República. Este afastamento não preocupa os rotativistas. A Filosofia do Alterne funda-se num pressuposto cínico e pragmático: é excelente que votem em nós mas não deixa de ser útil que o eleitorado desiludido com a nossa política opte pela abstenção em vez de guinar à Esquerda.



Deste modo, os desiludidos que se excluem dos processos eleitorais continuam reféns da Situação. É um clássico da Psicologia da Dependência e do Pânico da Mudança: o refém-amigo do sequestrador. Este público­‑alvo é decisivo e não é deixado sem enquadramento. Não vá ele deixar-se mobilizar por causas e coisas que perturbem o Rotativismo Estabular. Observa-se um notório Investimento na Ignorância como linha defensiva do poder estabelecido. Assim se compreende que se desenvolva uma Psicologia Paralisante: entre outras técnicas de condicionamento, os desiludidos são levados a crer que os partidos são todos iguais. Fomenta-se a aversão à ruptura de paradigma. Portanto, os desenganados do Bloco Central não têm escapatória: ou voltam a apostar em quem os decepcionou ou ficam em casa quietinhos, entre telenovelas sexo-lacrimosas, relatos de futebol valente e imortal e concursos de electrodomésticos e viagens tropicais. É a cidadania de sofá. É a cultura da impotência nacional e da descrença no género humano. Porque, neste quadro de êxito dos mais mafiosos e dos mais manhosos e neste labirinto de falsas saídas, a Oposição aconselhável é sempre à Direita quando o PS está no Governo e sempre no PS quando a Direita está no Governo. E como o PS normalmente governa mais à Direita do que a Direita, o regime democrático sofre de rotineirismo clientelar e défice de credibilidade.



Estado mórbido que não inquieta os Senhores dos Euromilhões ou o seu funcionalismo-delegado. Os senhores apoiaram (sem sombra de vergonha ou arrependimento) a ditadura fascista mais longa da Europa e os seus novos aparelhistas institucionais sempre preferirão um regime autoritário ao serviço dos ricos a um regime de democracia participada em prol das classes mais desfavorecidas. É o que se tem comprovado desde 1976, desde que a Roda da História alterou o seu percurso e os seus compagnons de route. Para tão clamorosa realidade, não há perfume rosa nem detergente laranja suficientemente activos para eternamente glamourizarem e branquearem o Estado da Nação. O derrotativismo está a ganhar contornos em todo o mundo.



Em Portugal as multidões também se exercitam.



_____

* Escritor, jornalista.

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