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Subject: Paris já está a arder?


Author:
Helena Matos (Público, 08.05.2007)
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Date Posted: 8/05/07 11:43:29

No estúdio da France 2, o dirigente socialista Laurent Fabius arqueava estupefacto uma das sobrancelhas enquanto via uma Ségolène radiosa e sorridente fazer o seu discurso da derrota. Entretanto, nos bastidores, segundo o jornal Le Monde, os conselheiros de Fabius não cessavam de atender chamadas de socialistas que perguntavam: "Ela percebeu que perdeu?"
Fossem quais fossem as razões que estavam por trás do sorriso de Ségolène Royal, cabe perguntar se Sarkozy teria obtido uma tão retumbante vitória caso os socialistas franceses tivessem escolhido apoiar precisamente o homem da sobrancelha arqueada, Laurent Fabius, ou Dominique Strauss-Kahn, o socialista que pretende alinhar o PS francês com a social-democracia? Provavelmente, a resposta seria não. Mas sejamos justos com Ségolène: Sarkozy não ganhou estas eleições por causa do seu vago programa económico, apesar de nele surgirem palavras que os franceses tanto apreciam, como protecção. Nem sequer ganhou, embora isso o tenha favorecido, por ter sido muito claro na rejeição ao referendo ao tratado constitucional europeu e à entrada da Turquia na UE.

Sarkozy ganhou a presidência há dois anos, na noite em que chamou canalha ou, melhor dizendo, racaille aos grupos que incendiavam, agrediam e mataram nos arredores das cidades francesas. Por essa Europa fora, um frémito de horror fez franzir os sobrolhos das cabecinhas bem-
-pensantes: que horror, o homem chamara canalhas àqueles jovens - e os jovens não têm sempre razão? - que se manifestavam contra o sistema?! De nada servia argumentar que os jovens não se manifestavam e que destruíam o que apanhavam. Que aterrorizavam vizinhos e todos aqueles que não tinham meios de se mudar para outro lado. Os jornalistas que os tentaram entrevistar acabaram a fugir com medo de ser agredidos. E os conteúdos racistas e anti-democráticos das declarações dos ditos jovens eram e são editados no meios de atenuantes explicações sociológicas. Já as vítimas das agressões dos ditos revoltados não tiveram direito a sociologia alguma, mesmo quando foram queimados ou espancados até à morte.
Dir-se-á que chamar canalha a quem se porta como tal não é razão suficiente para ganhar eleições. De facto, não devia ser. Mas foi-o em França. E foi-o tão claramente que, durante a campanha eleitoral, o fantasma da canalha voltou. Caso Sarkozy ganhe, Paris vai arder - este foi o aviso-ameaça repetido até por Ségolène naquele que ficará como um dos maiores erros da sua campanha. Não só esqueceram que Paris já esteve para arder outras vezes - e resistiu -, como esqueceram também que uma sociedade que vive com medo tende a premiar aqueles que chamam canalhas aos canalhas.
Rui Tavares, ao analisar a sequência dos valores enumerados por Sarkozy no seu discurso de vitória - presidente "do trabalho, da autoridade, da moral e do respeito" -, afirma que "o "respeito" de Sarkozy (...) vem subordinado: é respeito pelo trabalho, pela autoridade e pela moral". Mas foi precisamente por isso que Sarkozy ganhou. Esse respeito subordinado é o reverso do medo da canalha. Quer a racaille goste ou não, foi também ela que levou Sarkozy ao Eliseu e deu à palavra respeito uma das maiores ovações da noite.

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A ver não vamos, como não diria o cego... E vivam os States! (NT)Observador interessado, atento e empenhado 9/05/07 1:14:33


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