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Subject: O trunfo chamado José Miguel Júdice


Author:
Rui Teixeira Santos
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Date Posted: 7/05/07 16:57:01

O lamentável discurso de Carmona Rodrigues, ontem, agarrado ao poder, é o espectáculo de um homem que não está com todas as suas faculdades e se encontra desesperado. Só e sem a menor noção da realidade, o pobre homem vinga-se da sombra. Acabará por cair mais fundo, e sem nunca ter percebido porquê. Por isso, mesmo que este não seja o momento ideal para ir a votos para o PS, ou para o PSD, Carmona acabará por cair, pelo que este continua a ser o momento para fazer todos os cenários.
Até porque o pior que poderia acontecer a José Sócrates, a meio da legislatura e como presidente do Conselho Europeu, era uma derrota na Câmara de Lisboa, depois do desastre da gestão de Carmona Rodrigues e das cenas patéticas a que estamos a assistir. E num cenário de eleições antecipadas em Lisboa, mesmo sem o controlo da Assembleia Municipal (apesar da armadilha de Carmona Rodrigues a Paula Teixeira da Cruz), José Sócrates tem que arriscar o melhor candidato. Por isso, e para o não sacrificar a uma humilhante derrota em 2009, eventualmente contra a própria Paula Teixeira da Cruz, o primeiro-ministro tem um trunfo no bolso: José Miguel Júdice.


A lógica do PSD

No PSD, a oportunidade é para a oposição desgastar ainda mais Marques Mendes. Seja pela rebeldia de Carmona, seja pela gestão incompetente à frente da capital, seja ainda na escolha do candidato, no provável cenário de eleições intercalares para a Câmara. Se Santana Lopes falar, seguindo a sugestão de Manuel Monteiro, dizendo-se disponível para se candidatar à Câmara Municipal de Lisboa e apoiando a manutenção da actual maioria na Assembleia Municipal de Lisboa, o líder do PSD, Luís Marques Mendes, fica de novo sob pressão, a ter que encontrar um candidato credível, e Santana Lopes com espaço para o criticar, depois da eventual vitória da esquerda.
Na segunda-feira, ao anunciar a queda da Câmara, Luís Marques Mendes acelerou o inevitável. Carmona Rodrigues não percebeu, quando caiu o seu vice, Fontão de Carvalho, que, se não saísse politicamente pelo seu pé, sairia humilhado por via judicial. Meteu a cabeça na areia e deixou-se estar, como se nada mais tivesse para perder. E, perdeu, naturalmente, passando pelo enxovalho de ser inquirido por um juiz de instrução.
Não apresentou a demissão e vai ser afastado pelo PSD e pelos vereadores da oposição no momento que lhes for mais conveniente. Do mesmo modo que traiu Santana Lopes, traiu agora Marques Mendes. Será sol de pouca dura e a partir de hoje não terá vontade própria, sendo joguete do PCP ou de Pedro Feist e do PS.
Logo que caia a Câmara, começa o momento da contagem decrescente para o próximo acto eleitoral em Lisboa e, claramente, percebe-se que existem várias agendas.
Em primeiro lugar, à direita: Marques Mendes não quer (não pode) perder votos, ainda que perca a Câmara, depois do desastre Carmona Rodrigues e da humilhação da sua traição política. (Primeira lição: os independentes não devem ter lugar na vida política tal como acontece no Reino Unido, por exemplo.)
Foi demasiada a má gestão de Carmona Rodrigues na CML e sobretudo a responsabilidade da escolha de Mendes (não deveria Mendes demitir-se depois de tão grande desautorização pública?) para que o PSD possa, agora, pedir ou acreditar na manutenção no poder. Mas, para o presidente do PSD, há que assegurar, pelo menos, os votos do PSD. E, nesse sentido, não lhe servirá qualquer candidato.
Pedro Santana Lopes jamais terá o apoio do Marques Mendes, obviamente; Joaquim Ferreira do Amaral foi agora para a Lusoponte e já fez sacrifícios suficientes pelo partido; o próprio Marques Mendes seria um risco desnecessário; finalmente, Fernando Seara ou António Capucho (apesar da ingenuidade ou maldade das suas declarações sobre a defesa de eleições para a Assembleia Municipal), em fim de carreiras, em Sintra e em Cascais, acabam por ser os nomes adequados e sem polémica, começando já a preparar as sucessões naqueles concelhos e, pelo menos, seguram, em Lisboa, o eleitorado laranja.
São sempre soluções para perder.
De fora ficará (deveria ficar) Paula Teixeira da Cruz, a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, até para que o PSD não ceda o único trunfo que ainda tem para jogar, mais tarde, em Lisboa ou mesmo no País. (Dizer, agora, que, pelo facto do PSD defender a revisão da lei eleitoral para as autarquias - para juntar as legitimidades da Assembleia e da Câmara - deve haver eleições também para a Assembleia Municipal de Lisboa, é juridicamente pouco razoável, até porque os órgãos foram eleitos dentro da lógica da actual legislação.)


Eleições o mais tarde possível

Na Assembleia Municipal, o PSD controla, até 2009, o orçamento anual da CML e julga a sua execução. Podem ser condições essenciais para desgastar um eventual presidente socialista, nos próximos dois anos, e para, depois, em 2009, Paula Teixeira da Cruz sempre se poder apresentar como candidata à Câmara, preparando, assim, a eventual sucessão a Mendes, na liderança do PSD, e a sua eventual candidatura a primeira-ministra, lá para o fim da segunda legislatura de José Sócrates. Se tiver sorte, Paula Teixeira da Cruz chegará lá, pode estar escrito nas estrelas...
Interessava, por isso, ao PSD que as eleições se realizassem o mais tarde possível, mas sempre durante a presidência portuguesa da União Europeia, de modo a desgastar o Governo e dar o menos tempo possível a um novo presidente, eventualmente de esquerda, e, sobretudo, para evitar a utilização do orçamento camarário ainda em execução. E, neste contexto, esta falta de respeito de Carmona Rodrigues embaraça Mendes mas pode ajudar o PSD.
Dois dias depois de aberta a crise, basicamente, o PSD consegue os seus objectivos ao não ter demitido imediatamente Carmona. Ganhou pelo menos mais três a seis meses em dois anos, ou seja, quase 25% do tempo que falta para o fim do actual mandato, altura em que Assembleia e Câmara vão a votos. Quanto mais tarde forem as eleições, menos tempo falta para a conclusão do mandato, e se o PS apresentar um candidato forte corre o risco de ganhar em condições verdadeiramente desvantajosas.


Um trunfo chamado Júdice

Foi isso mesmo que, mesmo antes de estar esclarecida a trapalhada na Câmara de Lisboa, a liderança do PS tomou as suas precauções. No PS, sempre se soube que, por via judicial ou com o jogo de vereadores, poderiam mandar abaixo a Câmara, mas que nem toda a pressão do mundo servia para criar a mistificada confusão entre a legitimidade da Câmara e a da Assembleia Municipal, embora, e bem, Vitalino Canas o tenha tentado, aliás, na linha do que Jorge Coelho também vinha defendendo.
Percebendo que pode ficar com a Câmara nas mãos e sem dinheiro, ou mesmo debaixo do controlo político de Paula Teixeira da Cruz, o PS, no cenário de novas eleições intercalares, prepara um trunfo, usando os transformistas do costume: vai criar uma entidade pública empresarial, que regulará a zona ribeirinha de Lisboa, entre Santa Apolónia e o Restelo, envolvendo também a zona da Ajuda, para, deste modo, retirar poderes ao município e poder canalizar para a zona de Lisboa fundos comunitários (do QREN), que escaparão ao controlo político de Paula Teixeira da Cruz e da Assembleia Municipal de Lisboa.
Por outro lado, na promoção internacional do turismo de Lisboa, as verbas do Turismo de Portugal já serão canalizadas para uma Associação de entidades municipais que vão de Tomar a Setúbal e, na qual, a CML estará integrada. Mas, a gestão dos dinheiros da propaganda, naturalmente, mesmo com Carmona Rodrigues, será sempre feita por Luís Patrão, o antigo chefe de gabinete de Sócrates que, no fim do ano passado, foi para o Instituto do Turismo de Portugal.
Com estas "manobras", os socialistas já podem fazer avançar qualquer candidato, num cenário de eleições intercalares, podendo os dois organismos funcionarem como verdadeiras plataformas eleitorais, que assegurarão obra feita ao novo presidente socialista da Câmara de Lisboa e, provavelmente, a sua reeleição em 2009.
Por outro lado, sendo escolhas pessoais de Sócrates, todo o trabalho que realizarem (Júdice ou Patrão) é do primeiro-ministro ou para quem ele indicar.
Deste modo, António Costa, António Seguro, João Soares, Ferro Rodrigues ou Jorge Coelho, qualquer um destes nomes tem hipóteses de ganhar a Câmara de Lisboa, num cenário de eleições intercalares, e José Sócrates saberá criar-lhes as condições para a reeleição. É, por isso, que o primeiro-ministro acaba por ter aqui o papel mais decisivo, ao contrário do que Pedro Silva Pereira, habilmente, veio ontem dizer (quando colocou o Governo à margem da crise na CML). Até porque a Câmara Municipal de Lisboa, se os socialistas a reconquistarem, irá ter que entrar na lógica de equilíbrios de poder, na maioria parlamentar. E, o que José Sócrates menos precisaria agora era que alguma das tendências no PS ganhasse um tal poder, que o pudesse ameaçar a ele.

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Replies:
Subject Author Date
“Faz hoje mais sentido votar Sócrates do que em Mendes”Pedro Cid 7/05/07 17:02:56
Despois destes floreados e ramalhetes, a que horas servem o chá?... Com biscoitos ! (NT)Observador interessado, atento e empenhado 7/05/07 19:26:53


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