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Subject: Informação Alternativa


Author:
César Príncipe
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Date Posted: 29/05/07 11:32:21



Informação Alternativa

Portugal
16/05/2007



O Grupo dos Onze: Todo o Poder aos Servinets! [1]



César Príncipe

ODiario.info



Aqui chegados, ao badalado tempo-fronteira (século XXI/II milénio), em termos de Comunicação Social, implica reconhecer que a dita CS exprime o estado da generalidade do país: entregue a uma série de clãs, apostados no sisTema único e, sempre que vital, no pensaMento único. Nas celebrações do 25 de Abril, de resto, a clivagem já não se mune de artifícios: quem for de Direita assinala a data como 30 anos após o 25 de Abril; quem for de Esquerda festeja a data como 30 anos de 25 de Abril. As posições foram-se definindo no decorrer das três décadas e não há retóRica que esconda o sentido dos aconTecimentos: o 25 de Abril foi e é contra a Direita, obrigada a ser democrática por obra e graça de uma rebelião militar, sufragada e propulsionada nos quartéis, nas ruas, nos bairros, nas emPresas, nos campos, nas esColas e demais organismos públicos e, finalmente, sufragada por Eleições Constituintes. AgOra, a Comunicação Social é o espelho que ajuda a construir as imagens que reflecte: uma situação de retrocesso das chAmadas conquistas de Abril, desrespeitadas ou relativizadas em toda a linha desde 25 de Novembro de 1975.



Bastará abrir um pouco os olhos e outro tanto os ouvidos: a Comunicação escapa ao Controlo Social, plenamente doMinada pelo mesmo grupo poLítico (a Direita neoliberal bipoLARizadora), desDobrada em onze grupos económicos. Isto é, milhões de telespectaDores, radiouvintes e leitores estão sujeitos a uma Agenda que conFere ou retira importância a fActos e imPactos, ideias e ideólogos, proPostas e proponEntes. Assim, se implantou a Nova Ordem Inter (nacional) da InforMação e da DiVersão.



O panorama da Liberdade de InFormação e de ExPressão em Portugal, 30 anos após o 25 de Abril, pode ser medido pelo cadAstro de tais grupos e pela natureza das suas produções: embora se reduzam a 11, qual equipa de futebol, estes donos da bola são senhores das SAD’s, dos plantéis, das arbitragens e dos adeptos. Neste Portugal­‑rectângulo continental do EURO, quem mais ordena são os onze: compete-lhes administrar as nossas preocupações e as nossas fantasias; seLeccionar as elites dos diversos poderes, começando pelas da GoverNoção e terminando nas da GoverNação. Esta estratégia de dependência assenta na TriPróTese: na chipização dos rebAnhos huManos através do Televisor, do Telemóvel e do Computador. A utilização pervertida destes teledispositivos na organização dos ritos comunitários e na modelação das derivas ou das afirmações individualizantes assume um papel que obVIAmente transcende o mercado comportaMental português: constitui uma peça central da didáctica gloBalizadora.



Para cumprir o desígnio do primado da concorrência entre os grandes para controLar os pequenos, entre os ricos para controLar os pobres, entre os esPertinhos e os esperTalhaços para controLar os estúpidos e conter os lúcidos, as indústrias da ConsCiência Nacional/Internacional conTrataram e conTratam recursos humanos da Idade Média Electrónica: os serviNets da sobrevivência, entre a revolta, a angústia e mecanização colabOrante, logo, entre o recibo verde, a resCisão amigável e a prateLEIra; os ServiNets da Subserviência, entre o carro da emPresa, o cartão de créDito e a ROTAtividade de palcos e parlatórios. Registam-se algumas pequenas brechas na Muralha de Aço da Direita (aço electrónico, pós-modernista), mas que não suprem o défice de democracia inFormativa/formativa. Nestes 30 anos de 25 Abril, restam alguns semanários e mensários de restrita audiência e algumas intervenções nos órgãos de maior audiência como sinais (quase nostÁlgicos) de uma revolução social e cultural, entretanto, desfigurada pela Direita Inteligente, que pende para a Direita InsoLente.



Com efeito, as figuras embLemáticas do 25 de Abril foram substituídas por figurantes, figurinhas e figurões, um escol de generalistas de todas as especialidades e de debutantes do paraSitismo de sucesso. A Revolução dos Capitães de Abril é, agora, protAgonizada pelos Capitães do Derby e as multidões com Voz já gritam mais nos estádios do que nas ruas ou emPresas: transcorridos 30 anos, o Novo Regime expõe as cicatrizes do tempo, dos recuos de uns e dos avanços de outros, nas várias instâncias de repreSentação eleitoral e de gestão de compromissos e a Comunicação Social é um dispositivo-chave nas reciclagens de tendências e na carneirização de escrutínios e condutas.



Na estratégia de controlo da opinião pública, o Grupo dos Onze socorre-se de uma divisa: Todo o Poder aos ServiNets!. (Em linguagem descodificada: todo o poder aos que nos servem (aos onze), serventuários ornados com tecnologias de ponta, haVendo embOra que distinguir serviNets peados e apeados e Servinets afidalGados e cavaleiros). A procLAMAtória diVisa é uma resPosta à Revolução de Outubro: Todo o Poder aos Sovietes! O Grupo dos Onze confia, pois, as suas vinganças de classe aos serviçais electrónicos, enCarregando os CHIPaios de manter a Ordem InFormacional: eles organizam o dia a dia das temáticas e das probLemáticas (autóctones e estranGeiras), de modo que os donos da bola repousem sem sobressAltos do POVO/MFA. Então, os serviNets (melhor, as chefias Computer) empreendem uma ciclópica tarefa: empolam o superficial e despistante e desvalorizam o fundaMental e o inquietante. E pensam. E reúnem-se para pensar. A agenda. A agenda. A agenda. Como inventar uma exceLente agenda? E concluem, misteriosaMente concluem todos da mesma maneira, salvo nuances de estilo ou de episóDicas contraDicções de seguidismos e infedilIdades inter-gruPais.



Então, face à realidade, face ao peso da Política, da Economia, da Sociedade, da Cultura, áreas que urge manter nos mais baixos limiAres da conflitualidade e das expectativas popuLares, os agenDadores deterMinam que só há uma saída para o progresso das emPresas e a pacificação dos empreGados: inVerter a gravidade do diagnóstico, a hierarquia da objectividade. Então, em lugar de conferir o devido tempo e o equitativo esPaço à Política, à Economia, à Sociedade e à Cultura, os agendaDores ou serviNets adornam as páginas e as grelhas com os grandes assUntos da Pátria, da Europa e do Mundo: Futebol aos pontapés noite e dia, Televisão sem Interrupção Voluntária da Gravidez, Economia Liberal, Sexo Liberal e Religião Ortodoxa. Quanto aos temas resiDentes mais sérios ou institucionais ou de Educação Ideológica Básica – irromperão as brigadas dramatúrgicas: os actores avançados e avençados e o zoo funambulesco do BCI/Bloco Central de Interesses.



Os donos da bola dos portugueses, pelo menos de numerosos, de demasiados portugueses, têm nome, embora alguns não tenham rosto. Cabe-lhes o encargo de zeLar pela tranquilidade do sisTema e de seus dividendos: pelo primado do regime económico e a alieNação circense. Com efeito, o universo mediático não se limita a cumprir uma função de controlo social – ele é instaurado e gerido no Universo da Economia Global para acrescentar mais-valias diversificadas.



Eis um enquadraMento desta nebulosa industrial-mercantil:



«Hoje, a relação entre inFormação, cultura, tecnologias da inFormação e da informática, serviços e redes de comunicações, em termos de combinação de interesses económico-industriais, científico­‑tecnológicos e político­‑estatais, é já difícil de distrinçar. Esta conectividade possibilitou a constituição de um sector económico­‑industrial de primeiro plano, o sistema multimix dos média (associação de tecnologia, serviço de notícias, base de dados, imagens e fotos, etc.) tanto em certos países como à escala internacional. Já no começo da presente década, o mercado mundial da InFormação constituía um negócio de 1,6 biliões de dólares, sendo que as vendas anuais correspondiam a 12% do volume mundial de produção industrial. Nos EUA, a indústria da InFormação participa em mais de metade do PIB e é cada vez mais crescente o peso deste sector no emprego.» [2]



Eis a Árvore Genealógica (em permanente alteRação de copa, tronco e raízes) do PMN/Poder Mediático Nacional e suas ramificações extraterritoriais, todas de raiz conservadora e de implantação beduína:



PRINCIPAIS GRUPOS DE MÉDIA EM PORTUGAL



GRUPO


PUBLICAÇÕES


ACCIONISTAS

PT Multimédia


Principal proprietário de salas de cinema e quase monopólio na exibição e distribuição de filmes e vídeo, em aliança com a Warner, e com negócios também em Espanha, TV Cabo, Premium, Gallery e participação em vários canais, como Sport TV e SIC Notícias. Posições na internet (portal SAPO e outros serviços). Participação na distribuidora de publicações VASP Gráficas Naveprinter e Funchalense. Negócios no Brasil, Moçambique e Espanha (cinemas).


Perto de 60% da PT Multimédia pertence à PT. Outras participações: Banco Espírito Santo, Banco Totta & Açores, Colaney Investments Limited, e Banco Português de Investimento.

Impresa


Expresso, Visão, Jornal de Letras, Blitz, Surf, Exame, Executive Digest, Exame Informática, Doze, Telenovelas, Caras, TV Mais, Casa Cláudia, Activa, Super Interessante, Turbo, Autoguia, Autosport/Volante Jornal da Região (imprensa gratuita), com edições em vários pontos do país (em parceria com a empresa belga Roularta). Participação na Agência Lusa, SIC, SIC Notícias, Gold, Radical, Mulher, Internacional Internet (informação e outros serviços). Participação na distribuidora de publicações VASP Gráfica Imprejornal. Negócios em Espanha.


A maioria do capital (50,7%) pertence à Impreger (Francisco P. Balsemão), detendo o BPI 14%. O BPI também detém 26% da SIC. A Edipresse (Suíça) detém 50% da Edimpresa, editora das revistas do grupo. A Globo tem 15% da SIC. A PT Multimédia tem 40% da SIC Notícias.

Media Capital


Lux, Lux Deco, Lux Woman, Super Maxim, PC World, Computer World, Briefing, Casas de Portugal, Revista de Vinhos TVI; grupo NBP (principal produtor de telenovelas); RETI (Rede de Emissores de Televisão Independente) Rádio Comercial, Rádio Clube Português, Cidade, Best Rock FM, Romântica, Nacional, Mix, Cotonete Internet (portal IOL, Portugal Diário, Mais Futebol, agenciafinanceira.com). Produção discográfica e de concertos. Empresas de outdoor – publicidade externa.


O capital (participações qualificadas) pertence à Vertix (Prisa Group) – 74,63%, total atingido com a aquisição das posições de Berggruen Holdings Ltd – 6,05% e do seu sócio Francisco Paes do Amaral – 5,58% e 30,00% da UFA Film (Bertelsmann/RTL Group), que ficou com uma reserva – 3,00%. Caixa de Ahorros de Vigo, Ourense e Pontevedra – 4,22%. UBS AG – 3,38%. JP Morgan Chase & Co. – 2,14%. Credit Suisse Securities (Europe) Ltd – 2,01%. Para se conjecturar a teia de capitais cruzados e sujeitos a efémeros jogos, recorda-se que anteriormente assumiam posição relevante outros parceiros: HMTF (Hicks, Muse, Tate & Furst) – 37,7%; Bavaria (cervejeira colombiana Bavaria/St.º Domingo, com extensões em Espanha) – 22,9%. A HMTF (fundo de investimento com sede em Dallas, EUA) possui, nomeadamente, mais de um milhar de estações de rádio e mais de três dezenas de canais locais de TV nos EUA e noutros países. Da equipa de conselheiros da empresa, principalmente no que se refere à sua expansão no estrangeiro, contam-se os ex­‑secretários de Estado Henry Kissinger e James Baker, George Bush (pai) e os ex­‑primeiro­‑ministros John Major (Inglaterra) e Brian Mulroney (Canadá).

Cofina


Record, Correio da Manhã, Jornal de Negócios, Sábado, Máxima, Máxima Interiores, TV Guia, GQ, Vogue, AutoSport, Automotor, PC Guia, Rotas & Destinos, Semana Informática, Semana Médica, etc. Participação de 19% na Lusomundo Media. Participação na TVTel Grande Porto (cabo). Participação na distribuidora VASP Internet.


As principais participações institucionais pertencem à Cofihold SGPS (Cofina/Investec) – 21%, Portuguese Smaller Companies Found – 10,01%, e BPI – 8,71%.

Impala


Maria, Ana, Nova Gente, TV 7 Dias, Mulher Moderna, Mulher Moderna Cozinha, Mulher Moderna Moda, VIP, Focus, Boa Forma, Crescer, 100% Jovem, Linhas % Pontos e outras (instabilidade de títulos). Negócios no Brasil e Espanha (net e edição de livros infanto-juvenis). Internet.


Jacques Rodrigues

Recoletos/

RCS MediaGroup


Diário Económico, Semanário Económico, Internet, Vários jornais em Espanha (Marca, participação no El Mundo, etc.), nomeadamente no sector económico (Expansión, Actualidad Económica, com extensões à net e à TV). Cadeia de rádios ligados à Marca Jornais de economia na Argentina e no Chile.


A maioria do capital da Recoletos pertence ao grupo britânico Pearson (um dos gigantes europeus): Finantial Times, The Economist, editora Penguin, etc. Em Fevereiro/2007, a Recoletos foi vendida ao empório italiano RCS MediaGroup. Este conglomerado mediático detém posições significativas ou dominantes no sector em 37 países. Amostragem: Gazzetta dello Sport e Corriere della Sera, Itália; El Mundo/Unedisa, Espanha.

Prensa Ibérica


Em Portugal mantém o Correio do Minho. Encerrou A Capital e O Comércio do Porto. Espanha: Faro de Vigo e mais de uma dezena de outros jornais regionais (metropolitanos).




Controlinveste/

Olivedesportos


Jornal de Notícias, Diário de Notícias, 24 Horas, Tal & Qual, Jornal do Fundão, Açoriano Oriental, DN Funchal, Grande Reportagem, Volta ao Mundo, Evasões, Cinemania, Viver com Saúde, Viagens, Adolescentes, National Geographic, Play Station. Participação na Lusa, TSF, Editorial Notícias, Oficina do Livro. O Jogo, Sport TV, em conjunto com a PT. Publicidade nos estádios e direitos de transmissões desportivas.


Joaquim Oliveira. Quanto à Lusomundo Média, é detida maioritariamente (74,97%) pela Lusomundo SPGS, e ainda em 19% pela Cofina e 5,93% pelo Fidelity (fundo britânico).

Estado


RTP 1 e 2, Internacional, África, canais regionais RDP – Antenas 1, 2 e 3, Internacional, África, Agência Lusa.




Igreja Católica


R. Renascença, RFM, Mega FM, 70 rádios locais e mais de 500 revistas e jornais locais e regionais. Programas e actores-comunicadores instalados na Comunicação Social do Estado e nas plataformas privadas, sobretudo na TVI.




Igreja Universal do Reino de Deus


Rádios locais: Liz Rádio FM, Emissora Regional de Viseu, Rádio Gaia FM, Rádio Jornal de Setúbal, Rádio Miramar, Rádio Regional Centro, Rádio Nossa FM, Rádio Clube de Matosinhos, XL Rádio, Rádio Cartaxo. Rádio IURD on-line (24 horas). TV Record (cabo). TV IURD on-line. Revista Plenitude. Distribuição gratuita.




FONTES: Relatórios e Contas das emPresas, sítios dos Grupos, Obercom, estudos da União de Bancos Suíços, Imprensa.



NOTAS: Não se incluem áreas de negócios não directamente ligadas com os média. Incluem-se o Estado e as Igrejas, salvaguardando-se não se tratar de grupos económicos clássicos. O quadro refere-se a grandes grupos de Comunicação Social, daí o facto de não se referirem importantes órgãos como A Bola, propriedade familiar desde a sua fundação, e O Público – propriedade de um poderoso grupo económico, a SONAE, mas sem expressão maior na Comunicação Social, ainda que com forte presença nos novos media, através da SONAECOM (nomeadamente Optimus, Novis e Clix). Não se referem grupos de natureza regional, não obstante a dimensão já atingida por alguns deles. Dados recolhidos até Março de 2007. [3]



Confrontados com este organigrAma, é patente o quadro de uma inFormação mercadoLógica e normalizada, saltando aos olhos a ausência de uma inFormação alternativa ou sequer plural, que alargue o campo contrastante da verdade, da objectividade-subjectividade, da contratualização social – esta soterrada pela Agenda da Omissão ou da Incomunicação Social. O actual campo é controlado pelo Grupo dos Onze e mais uns actores seLectivos, em geral, ideologicaMente contaMinados pela vaga de fundo. Hoje como ontem. Na verdade, no declínio do regime fascista, também a inFormação era racionada e manipulada por meia dúzia de actores princiPais, a saber: Banco Intercontinental Português – O Século, O Século Ilustrado, A Vida Mundial, Modas e Bordados; Borges & Irmão – Diário Popular, Jornal do Comércio, Comércio do Porto, Flama e Rádio e Televisão (revistas), Alfabeta (Emissores Associados de Lisboa); Banco Nacional Ultramarino – Diário de Lisboa; CUF/Tabaqueira – A Capital; Portugal & Colónias – Diário de Notícias e Jornal de Notícias; Manuel Pinto de Azevedo – O Primeiro de Janeiro; Igreja Católica – Rádio Renascença, A Voz, Novidades, dezenas de publicações locais; Estado – TV, Emissora Nacional, A Época, Agências ANI e Lusitânia e sobretudo a Censura/Exame Prévio, o grande aparelho de desinFormação da ditadura ou da Agenda Oculta.



Assim, perante o quadro da passada tirania e da presente democracia, perante a situação-limite de muitos portugueses e de biliões de outros seres humanos (quer quanto às condições de dignIdade bioLógica, quer quanto às condições de cidadania política e cultural) impõe-se uma resistência a toda a prova. Para não se cair na patologia da passividade é imprescindível que, na proclAmada Sociedade do ConheCimento (não será antes Sociedade do DesconheCimento?), cada actor da civilização ou da civilinFormação saiba com que espectro conta, com que adversários e aliados conta nas relações com as fontes e projecções de interesses e desinteresses.



Estamos num período de reorganização nacional e planetária do patroNet e do patroNATO. As classes e os grupos sociais discriMinados pelo Grupo dos Onze têm que reaprender as regras conspirativas e de suspeita sisTemática, já ancestrais, de luta contra as lixeiras e lavandarias do sisTema, contra os censores e os manipuladores nouvelle vague ou on-line, contra a DitaDura da Mediocridade que se pretende legitimar, sob o bondoso nome de Democracia da Função Liderante e da Organização de Libré Iniciativa, da Opinião Dominante ou do Totalitarismo das Audiências, que não passa de uma opinião doMinada nem criticamente auDitada.



Uma das desmistificações que imPorta empreender é a da Liberdade de InFormação e de ExPressão nas chAmadas Democracias Formais. A campanha de denúncia exige toda a experiência e toda a teoria dos clássicos e dos contemporâneos. A Nova Economia encerra e fomenta todos os impulsos genÉticos da Velha Ordem ou da Lei da Selva: o domínio senhorial, colonial e imperial, não obstante algumas sofisticações discursivas e alguns procediMentos de auscultação pública. Auscultação, de resto, tendencialMente dirigida ou induzida pelos ausculTraidores, pelos fabricantes de escrutínios, pelos modelaDores de sondagens, pelos maestros, cenógrafos e COReógrafos da legitimidade do dito e do interDito, Arco da Evidente e do Oculto que vai dos temas ditos sérios aos assuntos da Imprensa de Salão de Cabeleireiro ou de Consultório Médico.



Assim se produz um jornalismo de massas ao serViço das massas do jornalismo. E não faltam megafonistas do sisTema para entreTer os prisioneiros do Circo Mediático, nem vulgatas universitárias para branquear as dinâmicas de inovação e os perfis de produtos e consumiDores. Cada ciclo fornece a sua vaga de actores pantominodramáticos e cientistas de oportunidades.



Está visto que, no universo da InFormação, a nossa democracia se baseia num pActo de confiança temporÁria entre patroNets e serviNets (até os adminisTrataDores, directores e chefes são descartáveis), formando uma corpoRação de mandantes e manDados com o acorDado ou subentendido propósito de não deixar o povo ir ao oftalmologista. E jamais escassearão abordáveis e voluntários para os trabalhos sujos do sisTema ou para eleger os deterGentes para as máquinas de aPagar aconTecimentos e pontos de vista. Compete-lhes zelar pela paz civil e aprofunDar a conFusão mental, não se levantando as barreiras do ROTAtivismo situacionista. Na realidade, embora haja quem considere um princíPio virtuoso que um órgão de comunicação explicite o seu alinhaMento ideoLógico, poLítico, eleitoral – caso de Pina Moura [4] – o irrebatível é que tal alinhaMento não passa de um segundo grau de embuste, passando-se da fase adulterina ao casamento de conveniência. Execeptuando os órgãos partidários, de reduzida audiência, todos os média se acham no mesmo campo, bastando não se ser muito destituído para surpreender quem é chien de garde de quem. Assim, a divisão ou o aclaraMento não se faria entre Direita e Esquerda, Capitalismo ou Socialismo, mas entre os partidos ou coligações da área da bipoLARização, da alternância sisTémica. Portanto, em Portugal, pequeno palco do cosmomédia, grosso modo, as fidelizações editoriais já se dividem e dividir-se-ão entre PSD e PS, sendo que, observadas as diferenças, a mais notória é que uma das formações conta com mais uma letra, fingindo uma que é mais democrata e outra que é mais social. A tida por saudável aclaRação da linha só demarcaria com maior precisão o mapa de influência dos gestores de turno da GloBalização à Portuguesa. Na particular concepção de Pina Moura, apenas se poderá desvendar um sentido expLiCitador: conhecido por ser um homem-forte de Castela em Portugal, ele está a procurar que, à maneira de 1494, agora se celebre um Tratado de Tordesinhas Mediático. Quanto à Economia Lusa e à PoLítica de Expansão, elas já caíram, em parte considerável, pela calada, na zona de soberania dos novos Reis Católicos. Monarcas que, no entanto, prevenindo algum ressurgiMento de anticastelhanismo, começam a acentuar os inVestiMentos num aparelho ideoLógico (jornalístico e livreiro), a fim de iberizar as populaças e as elites, para além de contribuir para manter a Ordem Estratégica Atlântica.



No fundo, no fundo, cumpre aos patronets e seus servinets substituir, com vantagem, os censores de decénios de Fascismo e de séculos de Inquisição, emprestando à gestão das evidências um simulacro de liberdade e diversidade editoriais (mais gráficas do que ideoLógicas ou factoLógicas) e apostando nas eMoções do dia ou nos aconTecimentos da semana: assim se realizam as metas comerciais e poLíticas, sempre que possível com algum pluralismo marginal ou de rodapé, pois é mister tolerar ou encenar alguma biodiversidade no País dos Onze e no Planeta do Pensamento Único. O sisTema rapidaMente os treinou para a obediência pavónica e rapidaMente os motivou para o caninismo raivoso ou o carreirismo-light. Os servinets sabem que têm Onze patroNets. Também sabem que a vida está difícil e dilemática para os que teimam em manter a marcha na posição eRecta. Depois do PREC/Período Revolucionário em Curso (em que alguns dos servinets militaram), eis­‑nos em pleno PEC/Período Evolucionário em Curso.



Evoluem na continuidade.



Por isso, na sua pós-gaduação marcelista, anuíram mudar o nome à Censura: agora, já nem sequer se designa Exame Prévio: é mais adequada, em democracia, a desigNação de Agenda. Também há quem enalTeça o roubo como poder de iniciativa, quem normalize o estupro como orientação sexual e quem situe nas áreas da economia informal o tráfico de órgãos huManos, mulheres, crianças, trabalhadores, armas ou droga.



São Onze Grupos a cantar quem mais ordena à sombra, já não da azinheira, mas da árvore das patacas. E serão cada vez menos a mAndar cada vez mais se, entretanto, não se generalizar a cólera dos ofendidos. Para quem ainda se abandone ao prazer de se alhear deste processo de Censurização/Concentração/Superprivatização, desconfiando de uma visão advertida desta fatia de negócios –demonstrará alguma prudência se consultar uma fonte insuspeita e até já preOcupada: o Conselho da Europa (Comité de Ministros).



LEIam-se as deCLARAções e as suGestões [5]. O alarme já soa nas mesas­‑redOndas euroPeias. Quem diria: depois da sacralização do Neoliberalismo e da diabolização do Serviço Público – eis que as sirenes do CE se sentem impelidas a avisar as populações da presença nas suas águas de corsários da CS. Cada vez mais Comunicação. Cada vez menos Social.



_______

* Escritor, jornalista



[1] Primeira versão in Seara Nova, n.º 83, Janeiro/Fevereiro/Março 2004.

[2] Elementos sobre os Principais Grupos (entretanto, actualizados/complementados): Uma Profissão em Mudança, de Fernando Correia, in JJ/Jornalismo e Jornalistas, N.º 16 – Outubro/Dezembro 2003.

[3] Portugal no Mercado Global da Informação, José Luís Garcia: janusonline.pt

[4] Pina Moura, presidente da Iberdrola Portugal e da Media Capital/Grupo Prisa. Entrevista RTP, 26/04/2007.

[5] https:/wcd.coe.int/ViewDoc.jsp?id=1089615/1089699/1089759 (31/01/2007).

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