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Subject: Re: Não se trata de Drucker


Author:
Jorge Nascimento Rodrigues
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Date Posted: 1/04/07 9:55:31
In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "Não se trata de Drucker" on 31/03/07 22:20:42


FPR - Ele considera que o conhecimento é uma categoria económica independente e eu penso que conhecimento e trabalho são uma e a mesma categoria.

JNR: Nunca discuti essa questão com ele.

FPR - Não confundo trabalho e trabalho assalariado pois não são a mesma coisa

JNR: efectivamente; além do mais há trabalho que nem é assalariado nem por lucro /há trabalho non profit/

FPR - Não gosto muito do conceito "trabalhadores do conhecimento", embora a perceba, pois prefiro a ideia de que todos os trabalhadores, em graus diferentes, aplicam conhecimento.

JNR: Todos aplicam de facto, e desde a idade da pedra; mas o problema é a capacidade de fazer desse conhecimento pessoal implícito uma massa crítica que permite transformá-lo num negócio. Isso começou com as profissões liberais mas foi-se massificando. O Drucker acrescenta além dos trabalhadores do conhecimento “puros”, os tecnólogos (que têm um mix de conhecimento e “manual”, como ele diz). O valor que vejo no conceito é politico – apesar do Drucker sempre recusar isso. Politico no sentido – de definir um segmento emergente, claramente identificável, que sobressai da massa de trabalhadores (e investidores e capitalistas).Além do mais a meu ver há uma fracção que eu chamaria de capitalistas do conhecimento (inovadores, investidores, criadores de start ups, que além de trabalhadores são também capitalistas no sentido comum do termo).

FPR - As noções de trabalho e de conhecimento necessitam aliás de muita reflexão pois a maior parte dos autores ainda confunde por exempo conhecimento e informação.

JNR: Exacto; conhecimento não é informação. Na apresentação do livro confundiu essas coisas. As pessoas falam muito ligeiramente de sociedade de informação.

FPR - Penso que no meu livro deixei estas ideias bastantes claras. Voltando ao livro do Quesado. Eu embirro um bocado com a formula "Novo Capital" porque penso que o que está a acontecer é sim o surgimento de um "Novo Trabalho", não repetitivo, criativo, etc, etc. A expressão "Novo Capital" encerra também uma opção ideológica e, implicitamente, propõe a perpetuação da sociedade capitalista sob novas roupagens.

JNR: Pois é nesse ponto que divergimos – não meto a ideologia na análise. Por causa disso os comunistas andaram dezenas de anos a falar do fim eminente do capitalismo. Mas isso é outra discussão.

Eu creio que o segmento emergente não é só de trabalhadores, mas também de um novo tipo de capitalistas, baseados no conhecimento implícito e explicito. Aliás entre os trabalhadores do conhecimento e os capitalistas do conhecimento a fronteira é fluida, e cada vez mais fluida.

Há as duas coisas, novo trabalho, e novo capital.
Há também uma nova fracção do capital financeiro que ultrapassa em muito o velho conceito do Hilferding (e que Lenine usou). È um capital financeiro que alavanca precisamente a revolução do conhecimento (capitalistas de risco, business angels, fundos de private equity que são conglomerados de participaçoes em negócios do conhecimento em que intervém directamente na inovaçao , novos ricos baseados em negócios do conhecimento, criados por eles próprios – EUA e India está cheio deles).

Avançamos de facto para um novo novo estádio supremo, se assim quiser, do capitalismo –não faço ideia se será “final”.

Não se trata de perpetuação no sentido histórico – isto do capitalismo (no sentido comum do termo), é coisa de uns 300/400 anos não mais; é coisa ainda recente em termos históricos. Há quem o defina com a Revol Industrial, outros com o aparecimento das primeiras companhias societárias e bancos na Holanda e em Inglaterra em 1600 e picos.

Só se marcarmos o início no capitalismo no capitalismo comercial e institucional chinês do século IX-X (muito anterior ao europeu mediterrâneco), poderemos dizer que já é milenar. mas nesse caso teve transformações, do comercial inicial, para o industrial, depois para o financeiro (que Hilferding analisou) e mais recentemente para o baseado no conhecimento (?),digo eu.

FPR - Neste contexto as frases bombásticas como "Tudo será diferente" são óbviamente equívocas porque aqueles que as dizem afinal querem continuar a organizar a economia à volta das empresas que são "velhas" entidades surgidas no dealbar do capitalismo.

JNR: Não sei se será por razoes de ideologia; creio que as pessoas dizem essas frases por razoes mais comezinhas, de puro discurso da treta, que é moda. Muitas vezes nem sabem muito bem o que isso implica.


FPR - Também não gosto de pegar nestas questões pelo lado da propriedade como faz o Toffler no seu último livro (2006). Digamos que eu considero, e escrevi em 2003, que a propriedade é apenas um pretexto, uma justificação, para o estabelecimento de relações de produção parasitárias.

JNR: Pois aí, Discordo. A propriedade não é pretexto só de relações de produção parasitárias (o parasitário está mais ligado ao sentido “rentista”, rentier, pelo menos a mim me soa assim, não será?). Se se quer referir à questão da exploração da mais valia, isso já nos manda para outra discussão.

A questão da propriedade é hoje ainda mais central no enquadramento legal e jurídico das coisas – a propriedade intelectual do conhecimento implícito que cada um dos tais trabalhadores e capitalistas do conhecimento tem. Que eu e você temos, apesar de trabalhadores pequeno burgueses do conhecimento. Uma das batalhas do futuro será em torno destes direitos de propriedade.

FPR - Ao nível das relações de produção é que se estão a dar as grandes transformações e o resto virá por acréscimo.

JNR: Creio que a matriz clássica economista (Ricardo, etc) e do próprio Marx já não chega para analisar o que se passa. Aliás o próprio Marx ao recorrer à dialéctica, ia para além disso. Sempre tive grande mal-estar com essa coisa do “vir por acréscimo”.

Ora com a massificação do conhecimento implícito como meio de produção, o tal “imaterial” sobredetermina (se quiser um palavrão althusseriano de há 30-40 anos atrás) o resto cada vez mais. Foi isso que alguns trabalhadores, inovadores, investidores e novos capitalistas descobriram e por isso estão realizando valor em quantidades inacreditáveis.

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