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Subject: Empate técnico


Author:
Daniel Amaral
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Date Posted: 2/04/07 15:41:47

Empate técnico


Ainda que se adivinhem mais dois anos de sufoco, sente-se que Bruxelas acredita que desta vez é que é





No mês que hoje termina completaram-se dois anos de governação socialista. Estamos a meio de um ‘jogo’ em que se defrontam um Governo eleito e os problemas do país. Quem vai ganhar? Saber-se-á no fim. Mas, se à partida nos limitámos a escolher as ‘equipas’, hoje temos já uma ideia de como elas se movimentam no ‘relvado’. Podemos arriscar uma análise, arriscando menos. Vou fazê-lo à luz de três observações: as contas públicas, o crescimento económico e o endividamento externo.

As contas públicas, que os governos anteriores conduziram à asfixia, entraram agora no rumo certo. Há um plano, há vontade política de o cumprir e há dois exercícios com resultados que eu diria excelentes. Mais do que isso: há credibilidade na ordem externa, o que anteriormente não acontecia. Ainda que se adivinhem mais dois anos de sufoco, sente-se que Bruxelas acredita que desta vez é que é. Seria injusto não referir o principal mentor deste sucesso: chama-se Teixeira dos Santos e é ministro das Finanças.

A economia, infelizmente, não acompanhou as finanças. Depois de bater no fundo em 2003, fim de um ciclo que se esperaria normal, entrou numa espécie de agonia lenta de que nunca mais se libertou. A face mais visível desta crise é o desemprego, sempre a subir. Ainda que eu discorde do tom azedo com que se fala disso. É verdade que o Governo prometeu criar 150 mil novos empregos e vai apenas em 37 mil. Mas nada nos garante que não venha ainda a criar o resto. O balanço é prematuro.

Dúvida legítima: esta má economia é consequência do (anterior) mau estado das finanças? Sim e não. Sim, porque muitas das medidas tomadas eram inimigas do crescimento. Não, porque um combate mais eficaz à despesa teria permitido um investimento maior. Aqui o Governo falhou. Seja como for, a balança corrente ressentiu-se. E tivemos de recorrer a mais empréstimos no exterior. As sobras são uma economia moribunda e um endividamento excessivo. Não é uma situação agradável.

A par de tudo isto, houve que pensar nas reformas. Pensar e agir, porque os outros também pensaram e nunca fizeram nada. A da Segurança Social correu bem: ainda que incompleta, o que se fez é para já um sucesso. Mas as outras nem tanto. Na Administração central, há muitas palavras e poucos actos. Na Saúde, deram-se uns passos em frente e logo outros atrás. Na Educação, o voluntarismo inicial redundou em nada. E, quanto ao Plano Tecnológico, o que me ocorre é aquela frase assassina de que é um «power point». Parece-me pouco.

Neste jogo que opõe o Governo aos problemas do país, já houve de tudo: golos para os dois lados, remates à trave, pontapés nas canelas, falhanços clamorosos de baliza aberta. As próprias ‘claques’ estão divididas: há quem não durma a pensar na melhor forma de vencer a crise; e há quem não durma a pensar na melhor forma de a agravar. Uma síntese de tudo isto? Revejo outra vez os números, avalio o enquadramento, pondero as dificuldades e chego a uma solução salomónica: há um empate técnico.

Confesso que esperava mais.

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