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Subject: Actualidade de Robespierre


Author:
María Toledano
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Date Posted: 18/12/06 14:52:59

Actualidade de Robespierre

“Um governo popular, democrático, ameaçava a tradicional máquina de opressão das classes dominantes”

María Toledano - 01.12.06


“…e se o perigo surge, disponho-me a observar a sua ameaça com um sorriso”
Giacomo Leopardi, Cantos, XXVI

Robespierre, o incorruptível, morreu no final de Julho de 1794. Com o advogado de Arrás, encontraram a morte outros vinte e um destacados revolucionários. Saint-Just – não tinha ainda trinta anos – estava entre eles. A burguesia liberal, encabeçada pelos seus representantes girondinos, conseguiu alterar, uma vez mais, o curso da história revolucionária. O poder sobre os assuntos de Estado estava em jogo. A democracia face aos privilégios de classe, a propriedade e a posse. A questão da repartição equitativa da riqueza, da felicidade e a liberdade, serviam de inspiração a todos os decretos do governo e aos discursos na Convenção. Um governo popular, democrático, ameaçava a tradicional máquina de opressão das classes dominantes. “O único consolo que resta aos bons cidadãos no meio do perigo em que esses homens colocaram a coisa pública, é julgá-los de forma severa”. Assim falava Robespierre, 1791 na Assembleia Nacional. Três anos depois, antes da sua queda e assassinato, teria dito o mesmo. A revolução socialista enfrentava a exemplar violência dos seus inimigos. Saint-Just defendia o progresso social, aplicava duros impostos aos latifundiários e às grandes fortunas de França e lutava manu militari, contra a subversão golpista. Desde muito novo Robespierre tinha pouca saúde. A sua vida, homem de acção, tampouco foi fácil. Já foi dito muitas vezes, e outras tantas se interpretará de forma incorrecta: a democracia, isto é, o livre exercício efectivo de todos e de cada um dos direitos individuais e colectivos plasmados na Constituição é o comunismo. Robespierre e Saint-Just estiveram de acordo. Separadas as cabeças dos troncos, os seus cadáveres foram enterrados numa vala comum, cobertos de terra e cal, perto de Errancis. Em 1840, em plena batalha pela liberdade e a memória histórica, um grupo de jacobinos procurou os seus restos mortais. Não encontraram nada. Deve ter sido por causa da cal. Não existe liberdade fora das leis do Estado, repetia Espinosa.

Pela felicidade e pela liberdade, é o título de uma recomendável selecção de discursos de Maximilien Robespierre publicada por El Viejo Topo em 2005, seguindo a edição francesa (2000) de La fabrique. Os nomes dos editoriais têm fortes ressonâncias. Ressonâncias. O passado. “Até aqui, a arte de governar não foi outra coisa senão a arte de despojar e dominar a maioria em proveito da minoria, e a legislação, o meio de converter estes atentados em sistema. Os reis, os aristocratas executaram muito bem o seu trabalho: agora deveis fazer o vosso, isto é, tornar livres os homens através das leis”, Discurso na Convenção, Maio de 1793. Robespierre tinha fortes dores de cabeça, perturbações gástricas e pouco dormia. À noite escrevia os discursos, organizava a República, recebia informações de todos os territórios e reunia-se com os mais próximos colaboradores. Semanas antes de morrer a sua saúde deteriorava-se. A corrupção galopava por toda a administração, minando a credibilidade do Estado: “O princípio da responsabilidade moral exige além disso – argumentava em 1793 – que os agentes do governo prestem, em períodos determinados e com muita continuidade, contas exactas e circunstanciadas da sua gestão. Que as contas sejam tornadas públicas através de impressão e submetidas à fiscalização de todos os cidadãos. Por consequência, que sejam enviadas a todas as administrações e comunas.

Muitos foram os anos cinzentos que passaram depois da morte de Robespierre. Muitos anos, muitos mortos. A maioria, anónimos, ficou enterrada nas margens da história. Já ninguém lê os discursos pronunciados na Convenção. Talvez este livro de El Viejo Topo sirva para levantar o imenso manto de desconhecimento que cobre a figura deste advogado. “A revolução é a guerra da liberdade contra os seus inimigos: a constituição é o regime de liberdade vitoriosa e aprazível”. Perto de Errancis, avanço para a lenda, a sua cabeça perdida, enterrada em cal, ainda recorda o instante da sua morte.

Tradução de José Paulo Gascão

O original foi publicado em: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=41821

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