Date Posted:06:35:46 05/09/07 Wed Author:Rosileide Ferreira Brito (Comentário Rastros do Verão) Subject: Bom dia
No livro "Rastros do Verão" de João Gilberto Noll, a sua escrita é um símbolo de um tempo de profundas transformações na vida da cultura brasileira, personagens desenraizadas, em trânsito, o desamparo dos ser humano diante da vida real.
O autor traz no seu livro idéias formalizadas das mudanças nas formas de percepção de outros valores familiares, a solidão, a procura de preencher o espaço vazio em outras dimensões. Expressa sobretudo o tempo cronólogico, mas sem preocupação com espaço.
Pode-se dizer que o autor adota um profundo sentimento de nostalgia cuja única certeza é o presente, o desejo de fuga e o acúmulo de imagens desconexas, tentando a todo custo bloquear a vida e o fluir do tempo, os espelhos do mundo, enfraquecendo a distinção entre o seu eu e o mundo fragmentado que o rodeia.
A associação entre o delírio, alucinação, sonhos, talvez trata-se de uma experiência esquizofrênica de perda da identidade pessoal, como também as drogas, o álcool, o sexo representam um tipo de válvula de escape.É bem provável, também, que isso esteja ligado a modernidade brasileira através de seus objetos e bens culturais que ela criou nesses últimos anos, o sujeito anônimo dessa narrativa pode sentir prazer em olhar apenas para si, esquecendo do mundo lá fora.
Todo o texto sugere o sexo assim, pode-se dizer que, o livro é uma profunda reflexão sobre o desamparo do homem comum diante da realidade do mundo atual.
A escrita é referencial e objetiva dando uma idéia de movimento contínuo.
Além do enredo centrado no narrador e na sua relação com o garoto, têm-se outros dois episódios com cenas rápidas, diálogos curtos, cujo objetivo principal é retardar um pouco mais o andamento da história. Percebe-se, pois, que o essencial é tentar produzir uma imagem real do comportamento do homem.
Parece que a necessidade de narrar de se fazer ouvir, de relatar suas sensações íntimas, não importando a forma, que no caso é um dos traços da contemporaneidade brasileira.