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Date Posted: 16:50:16 06/15/09 Mon
Author: Eduardo Ferreira
Subject: Resumo Guerrero & Villamil

RESUMO: Metaphor Analysis in Second /Foreign Language Instruction: A Sociocultural Perspective
Maria C.M. de Guerrero & Olga S. Villamil

O artigo discute o uso de metáforas como instrumento de pesquisa na área de ensino de L2/LE, enfocando as crenças de professores sobre a profissão. As autoras destacam três importantes características da metáfora, quais sejam: (1) a abundância das metáforas na profissão de professor de línguas; (2) sua habilidade de capturar construtos complexos nesta área; (3) sua utilidade como veículo para reflexão e conscientização entre os educadores.

A análise de metáforas é um método que examina metáforas explícitas ou espontâneas no discurso como meio de descobrir conceituações subjacentes. São coletados exemplos de metáforas lingüísticas e, a partir delas, são generalizadas as metáforas conceituais que representam. Em educação, a análise de metáforas propicia a conscientização sobre proposições teóricas, desafia crenças estabelecidas e promove mudanças nas práticas em sala de aula. Os estudos tem mostrado que os professores usam uma linguagem metafórica para falar de sua profissão, crenças e práticas. De acordo com Mayer (1996) as principais metáforas do séc. XX são: “aprendizado como empoderamento”; “aprendizado como processamento de informação”; e “aprendizado como construção de conhecimentos”. Sfard (1998) considera apenas duas: aprendizado como “aquisição” e “participação”.

Na literatura sobre metáforas no ensino de L2/LE encontramos metáforas que comparam a mente com o corpo ou o aprendiz de L2 com uma criança aprendendo L1. Alguns estudos apresentam uma visão dos aprendizes como comunicadores “defeituosos”, comunicação como transferência de informação de um cérebro a outro, e de encontros comunicativos como sendo problemáticos;
Alguns autores sugerem o uso de metáforas para reflexão e desenvolvimento entre professores de LE, mas pouca pesquisa empírica tem sido feita. Um exemplo disso é o estudo de Block (1992) que investigou o emprego de duas macrometáforas entre professores e alunos de LE e as relações entre os papéis metafóricos assumidos por eles: (1) professor como profissional contratado / aluno como cliente; (2) professor como pai incentivador / aluno como filho. Cortazzi e Jin (1999) identificaram várias metáforas conceituais como: “o ensino é uma jornada” e “aprender é light”. Ellis (1998) encontrou sete metáforas básicas para “aprendiz” na literatura de SLA (container, máquina, negociador, resolvedor de problemas, viajante, lutador e trabalhador).

Na análise metafórica, a perspectiva sociocultural vygostskyana propicia um elo indissociável entre as abordagens cognitiva e social, em que a mente e suas conceitualizações metafóricas são vistas como produtos e determinantes do ambiente social. Nas palavras de Lanfort (200), a nossa atividade mental não só determina a natureza do nosso mundo social, como também é determinada pelas nossas relações humanas, experiências e pela influência do nosso contato com a produção cultural dos nossos contemporâneos e ancestrais. Algumas metáforas convencionais podem emergir em circunstâncias históricas, sociais e culturais específicas e agem como ferramentas psicológicas na construção do nosso entendimento, funcionando como um meio de mediação do pensamento adquirido no plano intermental para uso intramental na compreensão, significação e condução do comportamento. A metáfora funciona como uma ferramenta cognitiva que tem o potencial de transformar o funcionamento mental.

Guerrero e Villamil, num estudo sobre as metáforas de professores de ESL, verificaram até que ponto as metáforas são apropriadas pelos professores e usadas para construir seus sistemas de crenças. Durante a realização de um workshop, foi solicitado que os professores escrevessem uma metáfora original que representasse a visão que eles tinham de si próprios, começando com “Um professor de ESL é como...”. Foram geradas 28 metáforas e, após analisadas, classificadas em nove categorias de metáforas conceituais, ex.: o professor é um desafiador, agente de mudanças. O fato de todas as metáforas serem consistentes com os modelos culturais do grupo levou as pesquisadoras à hipótese de que o processo pelo qual os professores formam suas crenças profissionais envolve em grande medida a apropriação do jargão metafórico de sua cultura.

O processo de apropriação envolve não apenas a transmissão, mas também a reconstrução de metáforas culturais internalizadas. Elas são transformadas a partir da experiência do indivíduo e da multiplicidade de vozes sociais em ação ao seu redor. No estudo, houve muitos casos em que o participante unia crenças pessoais conflitantes numa mesma metáfora e algumas revelaram combinações de construtos de diferentes paradigmas teóricos. Na metáfora do “coach”, por exemplo, a participante revela a crença na necessidade constante de incentivo, apoio, feedback do professor e oportunidade interação e prática na L2, em consonância com a abordagem interacionista. Ela se remete ainda à dualidade aquisição / aprendizado, apesar de não apresentar esses conceitos sob a perspectiva da teoria krasheniana. As metáforas desse estudo mostram efeitos das trajetórias individuais dos participantes como professores de ESL, enfatizando suas preferências, atitudes e frustrações; mostrando que a conceituação de um papel e a metáfora usada para lhe dar sentido depende do contexto de ensino e aprendizado, como defende Tobin (1990).

As autoras concluem dizendo que o estudo das metáforas de professores por meio da perspectiva sociocultural revelou um processo complexo de transformação e apropriação, e confirmou a importância das múltiplas vozes sociais e das experiências pessoais de ensino neste processo. Elas recomendam o uso de metáforas como instrumento para promover a auto-reflexão entre professores de línguas, já que são capazes de moldar práticas e crenças educacionais. Assim, é necessário que os professores examinem criticamente o quanto as metáforas que utilizam refletem suas crenças e que influências elas exercem em sua prática.


Eduardo Ferreira dos Santos

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