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Date Posted: 14:57:43 05/17/09 Sun
Author: Uyara
Subject: Resumo MADEIRA (2005)

MADEIRA, Fabio. Crenças de professores de português sobre o papel da gramática no ensino de língua portuguesa.

A partir de um estudo empreendido com professores de língua portuguesa da rede de ensino público de São Paulo, participantes de um programa de aperfeiçoamento oferecido por uma universidade pública local, Madeira observou de que maneira as crenças destes profissionais influenciam o papel desempenhado pela gramática em suas aulas. Antes de apresentar os resultados da pesquisa, o autor preocupou-se em distinguir crenças de conhecimento, e definir o que é gramática normativa, gramática descritiva e gramática internalizada.
Quanto às crenças, Madeira as define como conhecimento implícito, sendo o conhecimento propriamente dito aquele resultante da empiria, cientificamente comprovado. Em relação aos tipos de gramática, o autor as diferencia em termos dos diferentes recortes de um mesmo objeto de estudo, compartilhando da opinião de Mattos e Silva (2002). Assim, a gramática normativa é a que lida com os fatos da língua padrão – norma culta; a gramática descritiva, por sua vez, corresponde a regras definidas a partir do uso que o falante faz da língua – a noção de certo e errado implementada pela gramática normativa não se aplica à descritiva, pois o errado sob a perspectiva da descrição é aquilo que foge aos parâmetros da língua; já a gramática internalizada, grosso modo, é o conjunto de regras dominado pelo falante. Além desses três recortes, Madeira cita o da gramática funcional, o qual foca as funções atribuídas aos componentes da língua por meio de seu uso efetivo – a semântica e a pragmática são fundamentais a este recorte.
Qual o papel da gramática em sala de aula? Madeira analisa os pontos de vista de Possenti (1996), de Perini (1993) e de Moura Neves (1994). Moura Neves, por exemplo, “investigou a maneira como professores de língua portuguesa lidam com a gramática” (p.26), constatando que a visão dos professores e a prática real em sala se diferenciam, à medida que, entre outros fatos, partir do texto para ensinar a gramática representa retirar frases e unidades do seu contexto de uso com o intuito de analisá-las e classificá-las. Apresentar a norma culta ao aluno é consenso, entre os autores citados, o objetivo da escola – Madeira, no entanto, faz uma ressalva: “o papel da escola deveria ser o de ensinar quando utilizar ou quando não utilizar as regras gramaticais impostas” (p. 28, grifo no original).
Em relação ao seu trabalho investigativo, Madeira afirma que os dados revelam profissionais preocupados em acompanhar os estudos linguísticos relacionados à língua portuguesa e as mudanças que estes propõem. Houve a constatação de que os professores tecem críticas à gramática normativa e à utilidade de um ensino guiado sob a perspectiva desta última. Ao contrário de Moura Neves (1994), que percebeu uma grande distância entre os objetivos descritos nos planos de aula e o modo como estes eram buscados dentro de sala de aula, Madeira notou que as práticas são, de forma geral, congruentes com a “postura crítica assumida em relação ao modelo gramatical regido por normas” (p. 32). Por outro lado, o pesquisador percebeu que os professores veem na escola o meio de ensino da norma culta, corroborando o que autores, como Possenti e Perini, já haviam constatado. Porém, Madeira afirma que o reconhecimento da necessidade de se expor o aluno à norma culta da língua não impede que os professores também se preocupem com as outras variedades da língua portuguesa.
Nesse sentido, Madeira conclui que “Os resultados da pesquisa aqui apresentada trazem evidências de que existe uma consciência, por parte dos professores de Língua Portuguesa, da necessidade de se reverem as abordagens utilizadas para o ensino da gramática – a crítica a uma abordagem de ensino regida pelo modelo gramatical normativo” (p. 35). O autor também afirma que os professores de língua portuguesa têm passado por um processo de (re)significação de suas próprias crenças, permitindo-se reconsiderar e questionar antigas concepções acerca do ensino e da aprendizagem da língua portuguesa.

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