| Subject: O BALOIÇO |
Author:
Adro Crow
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Date Posted: 05:13:41 07/13/01 Fri
Sentei-me no chão junto á janela... queria ver o mundo mas as minhas pernas estavam tão dormentes que mal conseguia andar... Donde estava só conseguia ver a lua crescente, algumas estrelas e algumas nuvens que encobriam ao de leve a lua... encostei-me à parede, e fiquei algum tempo a apreciar a paisagem que podia ver... olhando para o meu quarto, via a cama desfeita alguns lençóis que deixavam ver que tinha rastejado para sair dela!... um candeeiro acesso, uma caneta já sem carga... e também um livro aberto... que falava de um caminho “religioso” e de quem o percorria!... Voltando a olhar pela janela... agora a lua parecia-me mais perto... Ou estaria eu cada vez mais distante da terra?... o sono invadia o meu corpo... sem perceber acabei por adormecer...ali ... junto a janela...!
Como por magia abri os olhos ... já não estava no meu quarto tinha viajado , agora estava numa espeçi de planície... era de noite (como antes) a lua já não crescia ... estava incrivelmente cheia... brilhava por demais... Nunca a tinha visto assim... ao pé de mim havia uma arvore com um baloiço pendurado... nem pensei duas vezes em caminhar até ele e lá sentar-me! Quando me levantei e olhei para a minha roupa... fiquei perplexa... tinha 1 longo vestido negro... ignorei tal facto... e continuei... ao chegar perto da arvore vi um papel dobrado no chão, apanhei-o, dizia “baloiço do pensar”... voltei a dobrar o papel e fiquei a olhar para o baloiço! Que quereria dizer aquilo? Hesitei... mas acabei por me sentar no baloiço!... as cordas que o suspendiam á arvore, tinham um tom tão dourado que quando baloiçava parecia deixar um rasto de ouro no ar.
Daquele lugar podia ver claramente tudo o que me envolvia, ou seja, nada... estava completamente sozinha! Olhei para o céu, a lua parecia querer falar comigo, fiquei algum tempo fitando-a, talvez espera-se uma palavra dela mas apenas com silencio me contemplo... começou a criar-se uma brisa, que trazia algum nevoeiro, que de tão místico, maravilhava-me! Tinha perdido a noção das horas, o meu relógio permanecia a demasiado tempo nas 2 horas... e se bem me lembrava fora à hora que rastejei até à janela.
Aquele movimento continuo de frente para trás, de trás para a frente, parecia embalar os meus sentidos. Mas de repente apercebi-me de um vulto que se apresentava no horizonte, a medida que se aproximava, apercebi-me de que era o meu amado, o homem que me preenchia o coração. Quando chegou até junto de mim o baloiço parou, eu nem me movimentei, preferi estar ali, onde me sentia segura!
Fitei os seus olhos... mas ele nunca fitou os meus... tinha receio.... Receio do quê?!...Durante horas permanece-mos em silencio, até mesmo a lua parecia ansiosa por uma palavra. Resolvi então quebrar o silencio, disse-lhe suavemente “amo-te!”... Senti que a sua aura ficara mais fria depois de eu ter falado! “mas eu não te amo!” Senti um choque, quando ele disse aquilo, todo o meu corpo tremia, senti como se tivesse a cair de um precipício ... que agonia! Disse que era meu amigo, e outras coisas, mas o impacto deixara-me tão mal que nem ouvir conseguia! Sem perceber virou as costas e partiu... desapareceu no mistério, tal como tinha vindo! Eu fiquei no baloiço a chorar... as minhas lagrimas inundavam os meus olhos, fechei-os com tanta força que quando tomei coragem para abri-los outra vez estava encostada a parede, junto a janela, já não tinha vestido aquele vestido negro tinha de volta as minhas antigas vestes, a lua crescia, rastejei até a minha cama, cobri-me! Fora apenas um sonho, mas então.. deverei chamar à realidade sonho?
Adro fevereiro de 2001
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