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Date Posted: 18:10:35 07/17/03 Thu
Author: Pedro
Subject: Re: 11ª Semana - Ele subiu no telhado!
In reply to: Adriana Simões 's message, "11ª Semana - Ele subiu no telhado!" on 20:06:45 07/14/03 Mon

Olá,Adriana, Professora Vera e colegas!

Bom, vamos deixar o verbo correr solto.

Na comunicação cotidiana, as pessoas usam metáforas. A metáfora não é reduto (metáfora) de poetas, não é seu nicho (outra metáfora). Tudo aquilo que se classificam como metáforas usadas na comunicação dos simples mortais (metáfora!) são de fato metáforas para quem as expressa e para quem as ouve? As pessoas usam menos metáforas do que Lakoff e Jonhson dizem? Muito do que se classifica como metáforas usadas na comunicação comum, são expressões literais daquilo que é conceitua(liza)do pelo intelecto? João é um gavião (João é sempre D. Juan!). O sentido de gavião pode ser literal, João está sempre querendo paquerar, é um incorrigível conquistador (metáfora conquistador estruturada pela metáfora AMOR É GUERRA? Talvez não). O usuário da expressão nem se lembra do gavião espreitando lá em cima, pronto para pular na indefesa franguinha. E quem ouve, também não associa o conceito de conquistador a imagem de gavião. Esse goleiro é um frangueiro. Ninguém pensa no goleiro correndo atrás do frango que lhe passa por baixo das pernas, que o faz cair desatradamente, que o deixa em posição ridícula. Frangueiro é goleiro que deixa passar bola fácil. A metáfora desapareceu e não é mais necesssária para o novo significado que aquele termo assume? A comunicação comum, cotidiana não está apelando (perdeu seu significado metafórico inicial) para metáforas, não está fazendo uso da metáfora, que é uma transla(da)ção de significado de uma coisa para outra, de um objeto para outro, de um fato para outro. O que para o usuário, falante comum, é uma noção ou uma idéias a respeito de alguma realidade, Lakoff e Johnson estão denominado metáfora. O que isso acrescenta às teorias de cognição? Isso é relevante para a teoria da cognição ? Estão achando que o povo usa metáfora, mas o povo não usa metáfora, o que ele diz, ele o faz de maneira aproximada, mas num sentido unívoco. Esse menino é um cão, isso é, um demônio, encapetado, o capeta entrou nele, precisa de um exorcista, faz coisas que ninguém acredita, é um cão, ele sabe que cão é sinônimo do demônio, sem precisar ir muito longe, na mitologia ou em Dante Alighieri, que sistematicamente usou a mitologia na Divina Comédia. Essa mulher é uma cobra peçonhenta, uma jararaca, traiçoeira. Prescindindo do fato de que jararaca não é nada disso, nós atribuímos a jararaca comportamentos humanos, depois dizemos que uma mulher é uma jararaca, uma víbora, para significar exatamente, mulher perigosa e traiçoeira. Os passageiros das cinco e meia da tarde são bodosos, isto é, ninguém agüenta o fedor que exalam dele dentro do ônibus, uma catinga insuportável, catinguentos. Subir na vida é ascender socialmente, é ir onde poucos estão, não é uma metáfora, é uma expressão literal, é mobilidade ascendente na estrutura de classes de renda.

Deixemos de lado essas ressalvas, e partamos da hipótese de que os exemplos arrolados por Lakoff e Johnson provaram que a metáfora é de uso generalizado. Daí não se pode inferir (ou deduzir?), daí não fica provado que o sistema conceitual (conceptual) está estruturado metaforicamente. Qual a prova disso? A possibilidade de sistematizar em conjuntos (domínios) as expressões metafóricas? A possibilidade de sua hierarquização segundo graus de totalização em relação a um conceito a que se denomina estrutura subjacente? Quem os sistematiza e hierarquiza? Os falantes ou argutos lingüistas?

Digamos que sim, que lingüistas argutos apenas elaboram cientificamente os dados da realidade empírica. Aceitemos a hipótese de que alguns conceitos abstratos são ponto de partida para estruturar um domínio de metáforas concretas, de imagens-metáforas. AMOR É UMA VIAGEM, certo, e, como tal, de vez em quando é preciso parar para encher o tanque de combustível, de vez em quando é preciso fazer uma ultrapassagem arriscada, às vezes é preciso descansar os olhos no verde da folhagem, às vezes o carro enguiça. Não raro há acidentes com vitimas. Às vezes a companheira de viagem morre por causa de imprudência do piloto. Ou seja, tomamos os componentes mais concretos de uma metáfora geral, mais abstrata, conceptual, isto é, selecionamos os elementos mais específicos, e os relacionamos com outros componentes igualmente concretos mais abstratos, ou menos. Porém, todos eles, são conceitos. Nesse ponto, uma pergunta se impõe: como os seres humanos produzem esses conceitos de partida? De outras metáforas? Não ficaríamos presos num círculo vicioso, numa tautologia? Essas metáforas básicas, são ditas básicas, porque supostamente subjacentes, e supostamente subjacentes, porque são consideradas básicas? Não seria isso uma tautologia? As metáforas conceptuais não são elas mesmas produzidas através do processo abstrativo geral, digamos, da indução, isto, é da passagem de um elenco de dados para um princípio geral?

E a “blending theory” (mistura ou mesclagem conceitual) não seria um mitigação da ênfase que Lakoff e Johnsos deram a metáfora como fenômento estruturante da cognição? Não continuaria também ela no campo do empirismo anglo-americano?

E para finalizar, uma questão de caráter cultural. Em que aspecto o fato de os protestantes terem na leitura da Bíblia uma fonte de conhecimento e de ação, e de os estadunidenses em particular tomarem os ensinamentos bíblicos muito no sentido prático, que inclusive se expressa na divulgação das Escrituras como uso de uma linguagem bastante concreta, isso teria criado uma cultura metafórica, em que as metáforas se sistematizam em domínios semânticos, num processo de longa duração (secular, pelo menos quatro séculos), e hoje, tão distante no tempo (espaço para indicar tempo!), no seu uso diário deixaram de ser metáforas, e passaram inclusive a ser valores que guiam a ação prática (e a exploração, manipulada ideologicamente, o que Lakoff e Jonhson muito bem assinalaram?). Em que medida o caso estadunidense poderia ser generalizado para o resto do mundo? Bom colegas, falei muito ... E quem fala demais dá bom dia cavalo, principalmente sem conhecer os prolegômenos da Ciência Cognitiva e da Linguüistica, e de muita coisa mais,metodologia científica e filosofia, por exemplo. Dar bom dia cavalo é uma metáfora ou uma outra forma literal par expressar “dizer bobagem”? .

Um abraço, Pedro

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