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Date Posted: 18:51:23 07/01/03 Tue
Author: Maura
Subject: Re: Semana 9
In reply to: Vera Menezes 's message, "Semana 9" on 07:25:40 07/01/03 Tue


Vera e colegas,
Ao ler o texto desta semana, fiquei pensando em como “as pessoas que detêm o poder, seja na política doméstica, seja na interação do dia-a-dia, conseguem impor suas metáforas” (pág. 259) e me ocorreu o seguinte:
Há alguns anos, Fernando Collor de Melo , ex-presidente da República, se referiu aos funcionários públicos como marajás. Para o povo, não era marajá apenas “pessoa que exerce ou exerceu cargo público, e que recebe salário vultoso”, como explica o Aurélio. Num país que possui uma das piores políticas de distribuição de renda do mundo ser funcionário público com alguns direitos trabalhistas garantidos passou a ser sinônimo de marajá , mesmo que o salário dessas pessoas não fosse vultoso. O povo apoiava e admirava aquele que se auto-denominava “o caçador de marajás” e que defendia sua Nação daqueles que lhe davam prejuízo.
Há poucos anos, Fernando Henrique Cardoso ( também ex-presidente do Brasil) tentou ,através da metáfora nova “aposentado é vagabundo”, definir a realidade daquelas pessoas que tem direito de aposentadoria especial ( inclusive professores) iluminando alguns aspectos dessa realidade e ocultando outros.
Agora ,o presidente Lula acaba de dar sua contribuição para impor a “idéia” de que os funcionários públicos são mesmo o motivo da falência do país.
Com a sua “metáfora nova” “Professor é privilegiado” inferida de sua declaração ( ...Por que um cortador de cana tem que se aposentar aos 60 anos de idade e um professor aos 53?” – Pelotas, R.S.) fico pensando que tudo isso nos leva a enxergar como verdadeiras as implicações dessas metáforas.
De um modo geral temos incorporado esse discurso como verdadeiro e talvez por isso não temos percebido o lado oculto dessa realidade:
1. Todos os funcionários públicos são marajás?
2. Quais os marajás foram “caçados”?
3. As pesquisas sobre a saúde dos professores são levadas em conta quando se fala em aposentadoria especial?
4. Qual é o percentual de cortadores de cana que conseguem se aposentar?
5. Pedreiros, cortadores de cana , faxineiras realmente conseguem se aposentar ou estão, depois de certa idade, engrossando a fileira do FOME ZERO?
6. Aposentado é vagabundo, e desempregado é o quê?
7. Um país tropical com grande extensão territorial e com um transporte precário deve conceptualizar o tempo e o espaço do mesmo modo que países com características físicas diversas?
8. Com base nas metáforas orientacionais e ontológicas e na nossa cultura qual deve ser a jornada de trabalho no Brasil?
9. Para quem teve sua realidade definida pela fábula “A Cigarra e Formiga” de La’ Fontaine ( Ah! La Fontaine) , como lidar com a conceptualização de TEMPO É DINHEIRO e com o desemprego concomitantemente (mesmo inconscientemente) e sem nunca ter ouvido falar no termo metáfora?
Só para concluir , Lakoff e Johnson afirmam que ‘em todos os aspectos da vida, não apenas em política ou em amor, definimos nossa realidade em termos de metáforas e então começamos a agir com base nelas. Fazemos inferências , fixamos objetivos, estabelecemos compromissos e executamos planos, tudo na base da estruturação consciente ou inconsciente de nossa experiência por meio de metáforas”.(Pág.260)
O que pode acontecer com professores ( junto com os outros funcionários públicos) que se vêem como motivo de “falência” do país ou como vagabundo? E o “povo”, qual será sua reação diante desse novo “professor/funcionário público? Será a intenção do governo induzir o povo à ajudá-lo na implementação do Estado Mínimo?
Um abraço a todos,
Maura

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