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Date Posted: 20:14:59 07/01/03 Tue
Author: Maria Raquel Bambirra
Subject: Re: Semana 9: a Verdade,
In reply to: Pedro 's message, "Re: Semana 9: a Verdade," on 10:39:54 07/01/03 Tue

Olá, pessoal!

Bom, chego tarde ao forum e já encontro tanta gente falando tanta coisa... vou começar do começo, então, já que tenho que estabelecer um começo e não quero me perder. O começo está em Pedro, que mandou a primeira mensagem!

Pedro, partindo da hipótese de que a verdade é sempre relativa, tece uma trama de afirmações nas entrelinhas de suas perguntas. Então vou buscar o conceito de Lakoff e Johnson para sustentar esta relatividade do conceito de verdade estabelecido, para que não nos percamos em meio a nossas próprias opiniões.

Na página 165, último parágrafo da versão não traduzida do livro, as autoras estabelecem uma descrição das quatro formas de categorização, da qual o conceito de verdade depende: 1. um conceito só atende à qualificação de verdadeiro em relação à compreensão de um aspecto dele; 2. o processo de compreender envolve o acesso a categorias que advém de propriedades e de dimensões de nossa experiência humana pessoal, fruto de nossa interação com o mundo; 3. a verdade de uma frase é relativa às propriedades dela mesma que evidenciamos, em detrimento de todas as outras, em função de nossos propósitos; e 4. a veracidade de uma frase depende do fato de a categoria empregada para sustentar o conceito ser ou não adequada, o que por sua vez, varia em função do contexto específico em que se encontra a frase (o que é o mesmo que dizer o autor da frase).

Na página 167, elas afirmam conclusivamente: compreender uma frase é função de projeções e julgamentos humanos em função de certos propósitos pessoais.

Agora volto à fala de Pedro. Ele aponta basicamente três perguntas: começo com Pilatos julgando Cristo, segundo São João. Pilatos não se dignou a ouvir a resposta de Cristo porque para ele Pilatos, a palavra verdade estava sendo usada por Cristo como aquilo que é o contrário de mentira. Então ele ironiza Cristo e lhe pergunta: E o que é a verdade? A ironia está aí denunciada pela partícula aditiva, no início da frase. Tanto é que Pilatos afirma não ver crime algum em Cristo, porque seu suposto crime não era factível. Cristo estava sendo acusado por expor conceitos, verdades, que não correspondiam àquilo que os judeus acreditavam verdadeiro. E uma crença, uma abstração não é crime. Crime por definição tem que ser um fato. O desencontro que nosso colega Pedro parece não ter sentido quando Jesus responde à seguinte pergunta de Pilatos: "Que fizeste?" (capítulo 18, versículos 36, 37, 38 e 39) está no fato de que Jesus não usa a palavra verdade com o mesmo sentido que Pilatos. Para Jesus, a verdade é Deus. É o Pai. E não o contrário de mentira. Ele diz: Eu vim para dar testemunho da verdade. A que Pilatos ironiza e diz: E o que é a verdade? Querendo com a pergunta expressar que a verdade de Cristo para ele Pilatos não era nada.

Neste caso, apesar de Pedro se sentir confuso ao interpretar o evangelho, o conceito de que toda verdade é relativa, proposto pelas autoras está confirmado, tanto no motivo pelo qual os judeus pedem a cabeça de Jesus, quanto no pensamento de Pilatos.

Mas Pedro faz outras duas perguntas, a meu ver preconceituosas. Não sei qual é a formação de Pedro, se é um filósofo, se é um sociólogo amante da filosofia pré hegeliana... sei lá. Não entendo muito bem o prisma pelo qual ele vê as coisas. Não entendo a verdade dele, gente! Acho só que Pedro vê o processo de compreensão humana da realidade como que dependente do nível de instrução formal que uma pessoa tem, ou de seu nível social (e ele falou em "estratos"... não vejo nossa sociedade dividida estratificadamente a rigor), ou da "prática formal" da pessoa em fazer abstrações (como se isso não fosse essencialmente humano! A meu ver, até um bebê de meses faz abstrações.), ou de um grau de desenvolvimento estabelecido não sei baseado em que critérios ("sociedades primitivas").

Para mim o X da questão está mesmo na forma como Pedro concebe a compreensão humana da realidade. Ele discorda totalmente das autoras no sentido em que nosso pensamento seja estruturado metaforicamente e que nos orientamos no mundo, inclusive fazemos uso da linguagem de forma metafórica, espelhando essa estrutura mental. Estou certa, Pedro?

"Decifra-me ou devoro-te!" Nem brinca, viu rapaz?! Não tenho nem metade de sua cultura, de seu nível de estudo filosófico, e longe de mim questionar seu modo de pensar a compreensão humana, uma vez que eu não tinha nunca pensado nisso antes de fazer esse curso. Eu me reverencio, desde já, diante de seu conhecimento, se falei besteira.

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