| Subject: Casanova costumava ter mais categoria |
Author:
João Laveiras
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Date Posted: 00:10:14 04/30/04 Fri
In reply to:
José Casanova, Avante, 29/04/04
's message, "O senhor engenheiro engraxa?" on 21:55:41 04/29/04 Thu
Para quê este ataque ao Belmiro de Azevedo? Em que é que este artiguelho do intelectual n.º 2 do PCP - o n.º 1 é o Vítor Dias, já se sabe - adianta o que quer que seja no combate político? O Eng. Belmiro de Azevedo até nem é um alvo prioritário. Há outros bem mais apetecidos porque mais nocivos. Mas o casanova lá sabe. Só que quem aqui colocou mais uma vez estes paste/copy do Avante melhor faria se tivesse ideias prórias e as expusesse.
>O senhor engenheiro engraxa?
>
>• José Casanova, Avante, 29/04/04
>
>
>No sagrado respeito pela ordem natural das coisas e em
>serviço combinado, a Renascença e o Público
>entrevistaram Belmiro de Azevedo. José Manuel
>Fernandes fez as honras do Público.
>
>Trata-se de uma entrevista a um homem de Abril («antes
>do 25 de Abril ninguém o conhecia. Hoje é o homem mais
>rico de Portugal»), espécie de homem do povo na
>revolução («com origens humildes em Marco de
>Canaveses»), e «homem de sucesso».
>
>Saber o que o Engenheiro «pensa destes 30 anos» e se
>«a receita do seu sucesso» pode «ser aplicada ao país»
>foi, dizem os entrevistadores, a razão da entrevista.
>
>A verdade é que estamos perante uma entrevista que
>fará história. Não pelas respostas, diga-se: na
>verdade, o pensamento do Engenheiro é imutável e
>sobejamente conhecido, tal como é imutável e
>sobejamente conhecido o processo que, em qualquer país
>do Planeta, faz de um qualquer Zé Ninguém o Homem Mais
>Rico do País. É, então, pelas perguntas – se assim
>podem designar-se as odes ao entrevistado produzidas
>pelos panegiristas de serviço – que esta entrevista
>ficará na história.
>
>Infelizmente, o reduzido espaço desta crónica não me
>permite o divertimento de as transcrever todas. Aqui
>ficam, então, as três primeiras: «Pode-se sair de
>casa, comprar um jornal, fazer as compras do mês,
>almoçar e em tudo isso estar a contribuir para a sua
>fortuna. Ora se o país tivesse feito nestes 30 anos a
>mesma coisa que fez às suas empresas, nós teríamos
>hoje todos um PIB muito mais elevado. Qual foi o seu
>segredo?»; «Conseguiu com a sua empresa o que o país
>não conseguiu, e o desenvolvimento era o terceiro ‘D’
>do 25 de Abril. Foi por causa da destruição dos grupos
>económicos durante a revolução?»; «Costuma definir-se
>como um europeu, um homem do mundo, mas também se diz
>social e culturalmente um homem de Marco de Canaveses,
>onde nasceu em 1938. Foi lá que fez a instrução
>primária, quando foi para o liceu teve de ir para o
>Porto, onde ‘acampou’ no estaleiro das obras onde um
>seu tio trabalhava. Olhando para trás e para o país de
>hoje, que balanço faz?».
>
>Sem comentários.
>
>Disse-me o Alexandre O’Neill, já lá vão quarenta e tal
>anos, que no final da entrevista, José Manuel
>Fernandes, exibindo o desconforto que faz as delícias
>do boss, ainda ousou perguntar.
>
>«O senhor engenheiro hoje não engraxa?» – ao que,
>garante-me o mesmo O’Neill, o Engenheiro, apressado e
>brusco, terá respondido: «Engraxo na Baixa».
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