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Date Posted: 19:02:08 05/14/04 Fri
Author: José Euríalo
Subject: TAREFA 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, José e Sandra)
TAREFA 7 – GRUPO 3 – INGLÊS
(Deborah Brant, Sandra Cristina e José Euríalo)
VOCABULÁRIO E ENSINO DE INGLÊS:
breve análise de três livros didáticos
Deborah Brant
Sandra Cristina
José Euríalo
“What do you read, my lord?“ (Lord Polonious)
“Words, words, words.” (Hamlet)
Introdução
A epígrafe acima, extraída do texto de PAIVA (2004, p.71), é ilustrativa da importância da palavra na vida humana. Palavra, verbo... afinal, “no princípio era o Verbo...”. De que são feitos os livros, a fala, a escrita? Letras, palavras... Ensiná-las, pois, é um desafio. Desafio ainda maior quando de ensina uma segunda língua num ambiente onde a língua materna predomina.
Ensinar, pois, uma língua estrangeira implica ensinar palavras. Aprendê-la implica aprender palavras. Entretanto, devemos considerar que “para aprender vocabulário é necessário levar em consideração as unidades lexicais (“multi word units”), testar os diferentes tipos de relação, de co-ocorrência: as variações livres, possíveis e impossíveis, as colocações, as expressões idiomáticas, os provérbios, os símiles...” (BINON & VERLINDE, 200, p.123). A compreensão da extensão e da complexidade de elementos que envolvem o ensino de vocabulário, é, por conseguinte, muito relevante para todos nós, alunos ou professores de uma língua estrangeira; por isso, pretendemos, neste texto, analisar alguns aspectos de ensino lexical presentes em três livros didáticos de Inglês, considerando como ideal a abordagem denominada “comunicativa”. São análises sem aprofundamento, sucintas, marcadas por nossas limitações de tempo e de instrumental teórico, mas conduzidas com seriedade, à luz de nossas experiências como alunos e professores e de referenciais teóricos ancorados em PAIVA (2004), DUTRA & MELLO (2004) e BINON & VERLINDE (1999).
Análise dos livros
A seguir, a análise dos livros escolhidos:
Livro 1 – MCHUGH, Madeline. “File - Upper Intermediate” - student’s book. London: Richmond Publishing House, 1996. (Aqui, parcial e brevemente analisado por Deborah Brant)
O livro didático “File Upper Intermediate”, utilizado pelos professores do CENEX-UFMG no nível intermediário III, aborda o ensino de vocabulário como uma atividade integrada; isto é, a proposta de ensino de vocabulário desse livro não se baseia na mera apresentação de uma lista de palavras desconhecidas que os alunos devem traduzir e memorizar (“Método Gramática-Tradução”), mas em atividades de uso de vocabulário que permitem que os estudantes adquiram novas palavras dentro de um contexto.
Assim sendo, os alunos aprendem novos vocábulos especialmente por meio da leitura de textos variados, havendo, porém, ao final de cada unidade, alguns exercícios para reforço ou revisão dos vocábulos estudados (ficam, assim, patentes, as 3 fases importantes relacionadas ao campo de ensino de vocabulário assinaladas por BINON & VERLINDE, 2004, p.127, quais sejam: apresentação, memorização e reativação). Esses exercícios visam estimular o aluno a perceber o uso das novas palavras através de atividades como “mapas conceituais” (PAIVA, 2004, p.92), em que o aluno deve tentar compreender o significado das novas palavras ou expressões que apareceram nos textos, relacionando-as aos seus sinônimos. A título de exemplo: na página 18 desse livro há um texto que os alunos devem ler e, após a leitura, há um exercício solicitando que eles encontrem palavras ou frases em cada parágrafo com um significado similar aos das palavras ou expressões que eles apresentam.
Além dessas atividades, há outras, como a de preenchimento de lacunas, bem como algumas em que se solicita aos alunos que escrevam outras frases utilizando o vocabulário proposto no enunciado da questão. Nesse livro há, também, atividades que devem ser realizadas em grupo, estimulando, assim, a participação e o envolvimento do aluno na construção de diálogos nos quais as novas palavras precisam ser incluídas.
Considerando o que acima expusemos, podemos concluir que as atividades de uso de vocabulário propostas nesse livro são interessantes, pois visam estimular o aluno a adquirir e reconhecer novos vocábulos dentro de uma situação contextualizada. Naturalmente, essas atividades poderão ser mais ou menos efetivas, dependendo do uso que delas fizer o professor.
Livro 2 - SOARS, John and Liz. “American Headway”. Oxford University Press: New York, 2001. (Aqui, parcial e brevemente analisado por Sandra Cristina)
Esse livro trata vocabulário de uma maneira interessante, que favorece o desenvolvimento de um trabalho comunicativo, apresentando seções especificamente destinadas ao ensino do componente lexical, mas sem trabalhar com isso de forma isolada. As quatro habilidades (“listening”, “speaking”, “reading” e “writing”) estão sempre envolvidas, bem como questões referentes ao uso da língua.
De uma maneira contextualizada e próxima à realidade dos alunos, o livro promove a conscientização dos estudantes quanto ao aprendizado de vocabulário, uma vez que preza a idéia de que aprender uma palavra tem muitas implicações: semânticas, fonológicas, morfológicas e sintáticas. Assim, há uma lição que ensina como usar um dicionário, reconhecendo a classe das palavras e as várias significações que podem ter, por exemplo. Isso faz com que os alunos sejam despertados a buscar significados por si próprios, contribuindo para o desenvolvimento de sua autonomia no processo de aprendizado. Outros pontos relevantes na forma como o livro aborda a questão lexical é a presença de figuras e atividades que aproximam a palavra da realidade e o uso de algumas estratégias importantes como, entre outras, a de formação de palavras e listas para combinação de palavras com suas respectivas definições, que consideramos como fatores que propiciam uma melhor internalização do conteúdo (a propósito, leia-se BINON & VERLINDE, 2000, p.127).
A abordagem adotada pelo livro demonstra, pois, a importância de se entender que o ensino de vocabulário deve considerar as diversas instâncias em que as palavras devem ser analisadas (forma, significado, realização fonológica, associações com outras palavras, etc.) e o fato de que é preciso prática para que os itens sejam retidos, assimilados. Quanto mais se tem oportunidade de uso, maior será a expansão do vocabulário dos alunos. Daí a importância de se promover comunicação e integrar o ensino do léxico às quatro habilidades lingüísticas básicas.
Livro 3 - RICHARDS, Jack C. et alii. “New Interchange: English for international communication”. Student book 2A. Cambridge (UK): Cambridge University Press, 1999. (Aqui, parcial e brevemente analisado por José Euríalo)
RICHARDS et alii (1999), em seu “New Interchange: English for international communication”, abordam a questão da aprendizagem de vocabulário de forma comunicativa, na sua “versão fraca” (DUTRA & MELLO, 2004, p.14), uma vez que, internamente, suas lições apresentam traços que são próprios de outros métodos de ensino. Alguns aspectos dessas lições, porém, são nitidamente vinculados à abordagem comunicativa. Exemplo disso são suas seções intituladas “Snapshot” e “Wordpower” (que introduzem o tema principal da lição e apresenta novos itens lexicais, sempre estimulando o aluno a usar de eventual conhecimento prévio sobre o tema, seja de caráter lexical, social ou cultural), bem como as seções “Conversation”, “Listening”, “Writing” e “Pronunciation”, que trazem exercícios lexicológicos que integram novos itens aprendidos e oportunizam as fases de “memorização” (cf. BINON & VERLINDE, 2000, p.127) e de “reativação” (cf. BINON & VERLINDE, 2000, p.127), com efetiva reutilização de vocábulos e transferência desses para situações de comunicação que se aproximam de situações reais.
Uma crítica, porém, que justifica a presença de traços não-comunicativos se impõe: seus exercícios de fixação vocabular, constantes do livro de exercícios (“workbook”) são extremamente direcionados, não oportunizando ao aluno os usos de recursos como criatividade, previsão, inferência produtiva, etc., essenciais ao domínio de um idioma. Trata-se de exercícios “fechados”, que não envolvem “resolução de problemas”, nem se constituem em desafio intelectual. Na verdade, se comparados a algumas atividades comunicativas propostas ao longo da lição; parecem deslocados. Dentro do que está proposto no corpo da lição 8 do livro em análise, por exemplo, não se encontram quaisquer exercícios comunicativos que envolvam solução de problemas vinculados à vida real ou etimologia, sinonímia e antonímia, hiponímia, associação e formação de palavras, reconhecimento de grades semânticas, de colocação, aspectos de conotação e adequação de registro, etc., muito importantes para a tomada de consciência lexical.
É imperativo reconhecer, no entanto, que “New Interchange: English for international communication”, apesar de não se enquadrar na abordagem de ensino/aprendizagem de vocabulário denominada “S.O.S.” (de “seletivo”, “organizado” e “sistemático”), proposta por BINON & VERLINDE (2000, p.121), trabalha aspectos de aprendizagem de itens lexicais de forma relativamente organizada, sistemática e contextualizada, envolvendo as quatro habilidades básicas e aspectos estruturais (gramática), além de permitir, por meio de exercícios em pares ou em grupos (que estimulam a interação e a cooperação), a fixação de aprendizagem. Constitui-se, pois, em um livro cuja abordagem quanto ao ensino lexical fica naquela estranha situação de ponto de inflexão. Estranha, mas promissora, pois indica caminhos, mudança, reformulação, palavras-chave que se impõem, hoje, no campo do ensino de idiomas.
Conclusão
Considerando, então, os textos lidos e as análises cujos resultados aqui esboçamos, percebemos que os livros analisados apontam para uma significativa mudança no quadro da produção livresca quanto ao ensino lexical e à efetiva adoção da “Abordagem Comunicativa” para o ensino de idiomas no Brasil. São livros que, cada um à sua maneira, oportunizam ao professor propiciar ao aluno o uso de todas aquelas estratégias arroladas por PAIVA (2004, p.88-90): metacognitivas, cognitivas, sociais e de comunicação. Se não são ideais, são algo pioneiros. Têm o mérito de abrir caminhos, indicar sentidos e perigos, desarmar armadilhas e, sobretudo, mostrar que, a exemplo de outras atividades humanas, o ensino de idiomas implica aprendizado constante, sem fim. Como a vida, que flui.
Bibliografia
BINON, J. & VERLINDE, S. Como otimizar o ensino e a aprendizagem de uma língua estrangeira ou segunda? In: LEFFA, Vilson J. (Org.). “As palavras e sua companhia: o léxico na aprendizagem das línguas”. Pelotas: EDUCAT, 2000.p.119-165.
DUTRA, Deise Prina & MELLO, Heliana. Os caminhos do ensino de gramática em línguas estrangeiras. In: _________. DUTRA, Deise Prina & MELLO, Heliana. (Orgs.). “A gramática e o vocabulário no ensino de Inglês: novas perspectivas”. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, POSLIN, 2004. p. 9-15. (Estudos Lingüísticos, 7)
MCHUGH, Madeleine. “File - Upper Intermediate” - student’s book. London: Richmond Publishing House, 1996.
PAIVA, V.L.M. O Ensino de vocabulário.In: DUTRA, Deise Prina & MELLO, Heliana. “A gramática e o vocabulário no ensino de inglês: novas perspectivas”. Belo Horizonte: Faculdade de Letras/UFMG, 2004. p.71-101. (Estudos Lingüísticos, 7).
RICHARDS, Jack C. et alii. “New Interchange: English for international communication”. Student book 2A. Cambridge (UK): Cambridge University Press, 1999.
RICHARDS, Jack C. et alii.”New Interchange: English for international communication”. Work book 2A. Cambridge (UK): Cambridge University Press, 1999.
SOARS, John and Liz. “American Headway”. Oxford University Press: New York, 2001.
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Re: TAREFA 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, José e Sandra) -- Vera, 06:37:30 05/15/04 Sat [1]
Vocês estão de parabéns. Ótima percepção da teoria e excelentes análises.
Vera
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Re: TAREFA 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, José e Sandra) -- José Euríalo, 12:12:55 05/15/04 Sat [1]
Professora Vera e Colegas:
"Pax Domini!"
Perdoem-nos o erro, de responsabilidade do José Euríalo, por favor! O número da tarefa é 7 (sete): TAREFA 7.
Nosso grupo tem funcionado bem, com ótimo entrosamento, mas esse moço já está meio gagá.
Adivinha quem!!! ;)
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Re: TAREFA 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, José e Sandra) -- Cláudia Rodrigues, 12:37:16 05/15/04 Sat [1]
Oi, José
Não se preocupe! O valor da tarefa é o que conta. Quem dera conseguir ter essa clareza quando eu ficar gagá ...
Abraços,
Cláudia.
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Re: TAREFA 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, José e Sandra) -- Míriam, 13:54:34 05/19/04 Wed [1]
Colegas,
Parabéns por mais este excelente trabalho e, como a Cláudia disse, quem me dera ter essa clareza quando eu ficar ´gagá´.
Abraços,
Míriam
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Re: TAREFA 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, José e Sandra) -- Carlos Júnior Borges, 07:25:17 05/18/04 Tue [1]
Caros colegas,
Parabéns pelo excelente trabalho.
Muito interessante vocês terem mencionado a questão dos exercícios de preenchimento de lacunas, pois mesmo que muitos critiquem esse tipo de atividade, creio eu que ele é muito importante para o aprendizado do léxico de uma lingua, ao ativar na memória do aluno uma série de informações que devem ser contextualizadas antes de sua aplicação na tarefa. Gostaria de saber a opinião de vocês a respeito desse comentário.
Abraços,
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Re: TAREFA 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, José e Sandra) -- Deborah Brant Pimenta, 18:26:29 05/23/04 Sun [1]
>Caro colega Carlos Júnior Borges,
Ficamos cotente por seu elogio e comentários sobre o nosso texto. Com relação a nossa opinião sobre a atividade que envolve o preenchimento de lacunas, consideramos que esta atividade pode ser muito proveitosa e interessante para o aprendizado de novos léxicos, mas o sucesso desta depende da maneira em que ela é utiliza ou abordada em sala de aula.
Caros colegas,
>
>Parabéns pelo excelente trabalho.
>
>Muito interessante vocês terem mencionado a questão
>dos exercícios de preenchimento de lacunas, pois mesmo
>que muitos critiquem esse tipo de atividade, creio eu
>que ele é muito importante para o aprendizado do
>léxico de uma lingua, ao ativar na memória do aluno
>uma série de informações que devem ser
>contextualizadas antes de sua aplicação na tarefa.
>Gostaria de saber a opinião de vocês a respeito desse
>comentário.
>
>Abraços,
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Re: TAREFA 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, José e Sandra) -- Sandra Cristina Soares, 13:14:02 05/25/04 Tue [1]
Oi, Carlos!
Agradeço seu elogio e quero comentar sobre os exercícios de preenchimento de lacunas. Como você já colocou, concordamos na importância de se contextualizar a atividade, a fim de que seu conteúdo se torne mais importante e mais facilmente internalizado pelos alunos. Dessa forma, se os exercícios não são mecânicos, mas sim contextualizados e de alguma forma ligados à realidade dos aprendizes, o preenchimento de lacunas pode ser uma boa maneira de se trabalhar vocabulário.
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Re: TAREFA 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, José e Sandra) -- Daniel, 03:50:37 05/24/04 Mon [1]
Nossa, parabéns! Ótima análise mesmo!
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