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Date Posted: 03:53:46 05/22/04 Sat
Author: José Euríalo
Subject: Tareaf 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, Sandra e José)

TAREFA 8 – GRUPO 3 – INGLÊS (Deborah, Sandra e José)

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O PROFESSOR E O ENSINO DE LEITURA EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

Afirma BARTHES (1984, p.37) que

"geralmente, ler é decodificar: letras, palavras, sentidos, estruturas, o que é incontestável, mas, ao acumular as decodificações, visto que a leitura é por direito infinita, ao retirar o mecanismo de segurança do sentido, ao por a leitura em roda livre (o que é a sua vocação estrutural), o leitor é tomado numa inversão dialética; finalmente, não decodifica, supercodifica; não decifra, produz, amontoa linguagens, deixa-se infinita e incansavelmente atravessar por elas: é essa travessia."

Esse trecho de “O Rumor da língua” é clássico e ilustrativo da importância da leitura para o Homem moderno, seja em sua língua pátria, seja em língua estrangeira. Negar a importância do professor para uma formação que a oportunize (para que um estudante de língua estrangeira consiga realizar todas essas operações que a leitura implica) é insanidade. Arrolar suas atribuições, comentar sua importância nessa tarefa é o esforço que muitos pesquisadores e pesquisadoras têm tentado realizar.



Sendo uma dessas estudiosas, TOMICH (2002), buscando as razões da necessidade do professor para o aprendiz de leitura em língua estrangeira, aborda pontos que considera cruciais para esse aprendizado: o fato de as semelhanças entre L1 e L2 nem sempre auxiliarem o aprendiz; de ser necessário um nível lingüístico básico ou limiar para uma eventual transferência; o fato de a leitura exigir estratégias para se realizar e o de que esse ensino, para ser eficiente e eficaz, exige abordagem adequada (diferenciando abordagem extensiva —leitura para a obtenção de uma compreensão global— de abordagem intensiva —leitura cuidadosa e aprofundada, preconiza esta última).

Indubitavelmente, o papel do professor de língua estrangeira envolve todos esses pontos. A transferência de estratégias da L1 para a L2 (TOMICH, 2002, p.143) parece-nos inevitável, natural, mas deve ser guiada, levando-se em conta que essa transferência, para ser adequada, exige uma competência mínima, em termos de vocabulário, de sintaxe e, também, a adoção de estratégias e abordagem próprias (TOMICH, 2002, p.144-146), controladas pelo leitor, de acordo com a natureza do texto e com o objetivo da leitura que faz (TOMICH, 2002, p.146-147), de seu nível de competência na LE, etc. Exige, conseqüentemente, as fases de antecipação, preparação, decodificação, interpretação, que, normalmente, até que o leitor adquira autonomia como tal, implicam orientação, apoio, avaliação, trabalhos que são típicos do professor.

Não bastassem as considerações acima, assentes naqueles argumentos arrolados por TOMICH (2002), pensamos que bastaria lembrar nossas próprias trajetórias de aprendizagem de leitura de nossa língua-mãe (L1) para defendermos a importância, a necessidade quase imperiosa do professor para o aprendiz de leitura em língua estrangeira. Ler é descobrir, desvelar e desbravar mundos, estabelecer contatos, construir cenários, muito mais do que simplesmente decodificar letras para entender palavras, decodificar símbolos gráficos e traduzi-los em seus sons e significados correspondentes. Ler, quando se trata de palavras descontextualizadas, envolve apenas essas três últimas ações, mas, em contextos significativos, exige muito mais: implica emprestar nossa interpretação para as palavras de acordo com sua conformação local, verificando o sentido do texto, mais do que o exato componente lexical em si, para a construção de sentido. A leitura é, pois, uma atividade complexa que implica processos de decodificação e entendimento lexical, de frases e sentenças, atendimento de expectativas, uso de esquemas mentais prévios do conteúdo e do gênero textual, conhecimento de mundo (cf. PAIVA, 2004), etc., que um leitor competente deve realizar.

Estudos lingüísticos vêm comprovando, há tempos, que esse leitor é aquele que tem arsenal próprio para enfrentar e vencer situações de desafio ou de contradição lingüística. UR (1996, p.140), usando um exemplo da Universidade de Cambridge, exemplifica um uso (ainda que simplório, ilustrativo) desse arsenal. Transcrevemos, abaixo, a instrução dada e, a seguir, parafraseamos suas observações.

"Read quickly:

The handsome knight mounted his horse, and galloped off to save the beautiful princess. On and on, over mountains and valleys, until his galloping house was exhausted. At least dismounted... Where was the dragon?" Cambridge University Press

Conforme assinala a autora, o leitor proficiente em Inglês, ao ler, rapidamente, esse trecho, normalmente não percebe que a palavra “horse”, quando aparece pela segunda vez, vem grafada erroneamente (“house”). Isso não significa que ele é um mau leitor; ao contrário, demonstra que ele procura por sentido, significação e entendimento. Tal é a situação configurada, que a leitura bem-sucedida resulta do bom entendimento que esse leitor empresta ao texto, não da qualidade da superfície textual; seu entendimento se baseia em conhecimento prévio de um tipo de texto ou contexto; daí, diante do conflito que se estabelece entre o escrito e a leitura, o leitor (com razão!) prefere confiar mais no seu entendimento geral que no texto materializado.

Para que a inferência e a opção acima mencionadas se realizem, um professor foi necessário, como elemento que, num dado momento de escolarização do aluno, o ensinou a colocar em prática a discussão do tópico do texto (antes de lê-lo), para levantar expectativas, esclarecer conexões entre referências no texto e situações vivenciadas, etc., pois nos parece claro que leitores eficientes são aqueles que têm conhecimento da língua, do conteúdo textual, têm velocidade de leitura, atenção, vocabulário, capacidade de predição, informação anterior, motivação, propósito e estratégias definidas quando se propõem a ler um texto. É a conjugação desses conhecimentos, habilidades e estratégias que os diferencia dos analfabetos e dos analfabetos funcionais. Entendemos, então, que o núcleo de um plano de aprendizagem de língua estrangeira sério é ou deve ser o ensino da leitura, pois é por meio dela que o aluno poderá ser, potencialmente, exposto à multiplicidade de contextos em que o uso da língua em estudo se faz necessário, contornando a limitação de uma situação de imersão num universo lingüístico monolíngüe, de idioma diferente daquele estudado, para a busca de confiança e autonomia, conquistada por uso e exposição à língua-alvo.

Acreditamos, pois, que não há aprendizagem de língua sem exposição a situações reais ou semi-reais de seu uso. Naturalmente, o aprendiz, imerso em ambiente de uso da L2, poderá aprender muito dela; obviamente, outros falantes da L2 poderão, em diálogo com o aprendiz, contribuir, significativamente, para seu processo de aprendizagem, mas essa exposição ou é breve ou assistemática, mais voltada para a compreensão e para o objetivo imediato da comunicação do que para a aprendizagem. Ademais, conforme advertem BRIGHT & McGREGOR (1975, p.1): “Telling isn’t teaching. Our first principle should be: ‘Never tell anybody anything he can find out for himself’. Our business as teachers is to provide situations so designed that the pupils will learn for themselves.” Isso é tão verdadeiro que toda sociedade moderna, social e politicamente organizada, prevê, em seu documento de constituição, não apenas o direito à escolarização, mas, quase sempre (nas sociedades com aspiração democrática), o dever do Estado de provê-la aos seus cidadãos, e, nesse processo, reserva significativo percentual de horas ao ensino da língua e da literatura em língua materna. É esse ensino sistematizado, metódico, que, visando instrumentalizar o cidadão para a leitura, a significação e a re-significação do mundo, levará o aprendiz à autonomia para realizar escolhas e progredir, aprendendo por si mesmo.

Considerando que essa autonomia demanda habilidades e estratégias específicas, defendemos que o ensino de leitura em língua estrangeira deve envolver, sempre que possível, a leitura de textos relevantes para o mundo em que o aluno vive fora da escola, que lhe possibilite estabelecer relações entre os textos usados para fins didáticos e aqueles do universo que o cerca em suas atividades cotidianas. A aula de leitura de textos em língua estrangeira, conforme recomenda PAIVA (2004), “não precisa repetir o modelo tradicional de um texto acompanhado de perguntas que, muitas vezes, não envolvem nenhum esforço cognitivo e fazem com que os alunos achem a aula monótona e artificial”, mas envolver atividades que associem a leitura à outras habilidades (ouvir, falar e escrever), que podem torná-la mais interessante e, portanto, potencialmente mais produtiva.

Uma preocupação com essa produtividade (sempre almejada) tem sido objetivo de nossas aulas e estado presente em nossas experiências de prática pessoal e de ensino de leitura, conforme atestamos em pesquisa rápida, realizada a partir de levantamento simplificado proposto por PAIVA (2004), à qual remetemos o(a) leitor(a) destas linhas. As leituras realizadas por nós, alunos e professores, são similares quanto aos seus elementos geradores (exigência de professor, da profissão, etc. e/ou para satisfação de curiosidade e prazer estético) e quanto à forma pela qual se realizam (normalmente, de forma silenciosa, com exceção de situações específicas de sala de aula, às vezes com nítida e importante função didático-pedagógica no ensino de língua estrangeira), mas diferem quanto às características dos textos utilizados ou escolhidos. Uma situação ligeiramente diferenciada, porém, se esboçou no “corpus” escolhido por uma colega: o pesquisado, adolescente, lê textos didáticos (em língua pátria) sob imposição de professores, desinteressadamente. Impõe-se perguntar, porém, se essas leituras (de Geografia, História, etc.), não se constituirão em subsídio para a formação de leitor com aquela competência básica mínima mencionada por TOMICH (2002, p.143), que se alicerça, também, em conhecimento de mundo. Pensamos, portanto, que a opção por textos a serem lidos (em sala de aula ou como tarefas escolares) e pelas potenciais atividades que eles ensejam é fundamental para um ensino eficiente e para uma futura prática eficaz de leitura, que deve ser atividade permanente na vida humana.

Como já enfatizamos, entendemos que a autonomia intrínseca ao leitor eficiente se adquire, via de regra, com a fundamental assistência do professor, seja ele considerado assistente, esclarecedor, motivador, monitor de aprendizagem, organizador ou controlador de atividades e/ou comportamentos, fornecedor de modelos de linguagem adequados, conselheiro, preparador de materiais didáticos, facilitador de aprendizagem, avaliador, ou um pouco de tudo isso. Seja qual for o adjetivo aplicável a esse profissional, a leitura é absolutamente necessária e a busca por abordagens e situações que levem o aluno à autonomia é imperiosa, condição “sine qua non” para justificar um processo de ensino-aprendizagem. Essa autonomia se constitui em diferencial competitivo na sociedade em geral e no mercado de trabalho, nos autoriza, aqui, a afirmação de uma aparente perpetuidade do ofício de professor e reafirma, com BARTHES (1984, p.36), que “a leitura é condutora do desejo de escrever”. Como aquelas que realizamos a partir dos textos de PAIVA (2004), TOMICH (2002) e outros: únicas e não-repetíveis na recepção, comuns em seus cernes, mas traidoras, quando comparadas, do esforço coletivo de costura textual que, a partir de leituras individuais, aqui realizamos; marcas que se insinuam nesta textura, nesta rede, nestas teias semiológicas, neste convite ao pensar... Na sua gênesis, o desejo de aprender, os textos, a leitura e, naturalmente, a professora.


Bibliografia

BARTHES, Rolan. “O rumor da língua”. Trad. António Gonçalves. Lisboa: Edições 70, 1984.

BRIGHT, J.A. & McGREGOR, G.P. “Teaching English as a second language”.London: Longman, 1975.

PAIVA, Vera Menezes de Oliveira e. Desenvolvendo a habilidade de leitura. In: ________. "Dimensões Comunicativas" (curso “on-line” – 1º semestre letivo de 2004 – FALE/UFMG - Tarefa 8). http://www.veramenezes.com/tarefas2.htm (Acesso em 18 abr. 2004).

TOMICH, Lêda Maria Braga. Por que o aprendiz de leitura em língua estrangeira precisa do professor? O papel do professor no ensino da leitura em LE. In: COSTA, Maria José Damiani et alii. (Orgs.). “Línguas: ensino e ações”. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina / NUSPPLE/DLLE/CCE, 2002. p.141-149.

UR, Penny. “A course in language teaching”. Cambridge (UK): Cambridge University Press, 1996.

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Replies:

[> Re: Tareaf 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, Sandra e José) -- Vera, 10:58:01 05/22/04 Sat [1]

O texto de vocês é muito rico em informações e interação com outros textos. No entanto, não responderam às questões que coloco no meu texto e que eram parte da tarefa desta semana, Sugiro que releiam a primeira parte de meu texto e que respondam às perguntas.

Abraço,

Vera


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[> [> Re: Tareaf 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, Sandra e José) -- José Euríalo, 14:44:09 05/22/04 Sat [1]

Professora:

Voltaremos ao seu texto e faremos o que a senhora nos sugere em sua mensagem.

Obrigado,

José Euríalo.


[ Edit | View ]

[> [> [> Re: Tareaf 8 - Grupo 3 - Inglês (Deborah, Sandra e José) -- Vera, 17:40:55 05/22/04 Sat [1]

Fico aguardando a complementação, então, pois vocês sempre trzem contrinuições muito interessantes.

Abraço,

Vera


[ Edit | View ]

[> [> Re:..... TEXTO COMPLEMENTAR - TAREFA 8 -- José Euríalo, 09:50:29 05/26/04 Wed [1]

UM QUESTIONÁRIO, LEITURA E UMA COMPLEMENTAÇÃO TEXTUAL:
UMA REVISITA À NOSSA TAREFA 8
Grupo 3 - Inglês

Deborah Brant
Sandra Cistina
José Euríalo

Introdução

Com este breve texto, retomamos, parcialmente, assunto que foi objeto de nosso texto anterior para a TAREFA 8, complementando-o e especificando melhor o que registramos no seu 11º parágrafo, a propósito de questionário inserido no texto “Desenvolvendo a habilidade de leitura”, de PAIVA (2004), eximindo-nos, porém, de ressaltar a importância do ensino de leitura para o ensino de língua estrangeira, posto que discutimos isso, exaustivamente, no texto anterior.


Respostas ao questionário

As respostas que nosso grupo deu ao questionário são ilustrativas daquilo que expusemos em nosso texto anterior, conforme se atesta a seguir e na conclusão que apresentamos em seguida.

Deborah

“Faça uma lista de todos os tipos de texto que você lê durante a semana. Peça a seus alunos para fazerem a mesma coisa. Compare as duas listas e escreva no quadro abaixo as diferenças entre as duas listas.”

Semelhanças entre os tipos de textos lidos por alunos e professores: textos informativos, folhetos de propaganda, letras de músicas, romances, textos didáticos e “e-mails”.

Diferenças (leituras próprias dos alunos): história em quadrinhos, revistas “teen”, revistas com jogos (passatempos) e livros de aventura

Diferenças (leituras exclusivas do professor): rótulos de produtos, textos científicos e jornais.

“Que tipo de texto você mais gosta de ler? E seus alunos? Esses textos são usados em sala de aula? A leitura em sala de aula tem alguma relação com a leitura feita fora dela? “

Os textos que gosto de ler são os informativos e os meus alunos preferem ler textos humorísticos do tipo “quadrinhos”. Infelizmente, são raras às vezes em que os textos que os alunos gostam de ler são usados em sala de aula. Acredito que essa situação esteja relacionada com o fato de que muitas vezes nós, professores, devemos focar nossas aulas no livro didático adotado pela instituição de ensino, não tendo assim a oportunidade de explorar outros textos em sala de aula.

“Agora volte à listagem que vocês produziram e sublinhe o que vocês lêem em voz alta. Quantos itens você sublinhou?”

Se considerarmos uma leitura individual, nenhum texto é lido em voz alta. Entretanto, alguns desses textos são lidos em voz alta em sala de aula ou em outro contexto, quando solicitado.


“Qual é a relação da leitura em sala de aula com as atividades da vida cotidiana? A leitura em sua sala de aula é usada para construir conhecimento, para promover interação, para experiência estética, ou é um mero pretexto para aprender esse ou aquele ponto gramatical ou ainda para treinar pronúncia?”

A leitura em sala de aula é utilizada como um veículo/instrumento muito valioso para o processo de aprendizagem, pois esta requer que o aluno estabeleça associações entre as informações do texto e suas experiências pessoais(visão de mundo). A leitura, então, é abordada com o intuito de apresentar aos alunos informações sócio-culturais, de apresentar novos vocábulos ou até com a intenção de fixar o léxico aprendido, também é utilizada com o pretexto de ensinar algum aspecto gramatical e, além disso, ela é utilizada como uma estratégia para treinar a pronuncia e a interação grupal através das interpretações individuais.


Sandra

“Faça uma lista de todos os tipos de texto que você lê durante a semana. Peça a seus alunos para fazerem a mesma coisa. Compare as duas listas e escreva no quadro abaixo as diferenças entre as duas listas.”

Leituras da entrevistadora: textos técnicos referentes ao seu trabalho, teoria sobre o ensino de língua inglesa, literatura (prosa e poesia), “e-mails”, notícias e verbetes de dicionários.

Entrevistado (aluno “ad hoc”): seu irmão, Elvis, de 13 anos

Leituras do entrevistado: literatura (poesia, quase nunca), “e-mails”, notícias (de vez em quando), textos das disciplinas do colégio (História, Geografia, Biologia, etc.), resumo/comentário sobre filmes e jogos.

“Que tipo de texto você mais gosta de ler? E seus alunos? Esses textos são usados em sala de aula? A leitura em sala de aula tem alguma relação com a leitura feita fora dela?”

Eu gosto mais de ler textos literários em prosa, especialmente romance e conto. Já Elvis lê literatura praticamente obrigado pela professora do colégio, e lá eles não trabalham com poesia. O que ele gosta mesmo de ler é sobre filmes e jogos de computador, e e-mails especialmente. Infelizmente, o que os alunos gostam e efetivamente lêem não é levado para a sala de aula. Ficam muito presos ao livro didático e ao currículo que “deve” ser cumprido.

“Agora volte à listagem que vocês produziram e sublinhe o que vocês lêem em voz alta. Quantos itens você sublinhou?”

Normalmente não fazemos leitura em voz alta, mas qualquer um dos textos pode ser assim lido, como relata PAIVA, se queremos compartilhar alguma coisa deles com alguém.

“Qual é a relação da leitura em sala de aula com as atividades da vida cotidiana? A leitura em sua sala de aula é usada para construir conhecimento, para promover interação, para experiência estética, ou é um mero pretexto para aprender esse ou aquele ponto gramatical ou ainda para treinar pronúncia?”

A leitura normalmente feita em sala de aula (na turma de Elvis, por exemplo) tem pouca relação com a vida cotidiana dos alunos, infelizmente. Não traz elementos de seu interesse, e, portanto, parece não ter muito efeito, a não ser a fixação de pontos gramaticais. Penso que é necessária uma mudança de perspectiva dos profissionais da área no sentido de se ampliar os propósitos de leitura e as diversas formas de trabalhá-la, a fim de que seja uma atividade não passiva, mas ativa, envolvente, que realmente proporcione prazer estético e promova interação e construção do aluno enquanto indivíduo e membro de uma sociedade, possibilitando-lhe outras visões de mundo além dos meros pretextos de ensino de gramática e pronúncia.


José

“Faça uma lista de todos os tipos de texto que você lê durante a semana. Peça a seus alunos para fazerem a mesma coisa. Compare as duas listas e escreva no quadro abaixo as diferenças entre as duas listas.”

Professor: textos acadêmicos, contratos de prestação de serviços, manuais técnicos, revistas semanais, romances, “e-mails”, dicionários.

Alunos: manuais técnicos, normas técnicas, revistas semanais livros de faroeste, jornais diários, “e-mails”, “best-sellers” e poesia.

Há, nessas listas, semelhanças e diferenças bem nítidas. Os alunos que responderam o questionário, sendo trabalhadores de indústria, lêem, com freqüência, textos técnicos (normas e manuais técnicos). Quanto o tema é leitura de interesse pessoal, percebe-se que a lista do professor engloba textos de outra natureza, provavelmente em função de sua formação e influência do exercício profissional.
Que tipo de texto você mais gosta de ler? E seus alunos? Esses textos são usados em sala de aula? A leitura em sala de aula tem alguma relação com a leitura feita fora dela?

“Que tipo de texto você mais gosta de ler? E seus alunos? Esses textos são usados em sala de aula? A leitura em sala de aula tem alguma relação com a leitura feita fora dela?”

Sempre preferi prosa a poesia (acho que há muitos simulacros de poetas e de poesia por aí, desperdiçando tempo, papel, tinta, energia, natureza e, eventualmente, algum talento). Ultimamente, tenho lido, com muito prazer, textos sobre Numismática e colecionismo em geral. Naturalmente, estando cursando Letras, leio muitos textos acadêmicos, a maioria deles de baixa qualidade. Quanto aos alunos, dizem que preferem ler textos mais leves, de jornais e revistas.

Não, esses textos (os que lemos por prazer), normalmente, não são usados em sala de aula. Devo acrescentar, porém, que a leitura feita em sala de aula, com alunos empregados da indústria que freqüentam curso de Inglês instrumental, é similar àquela que fazem no trabalho, apesar de diferir (e muito) daquela que lhes proporciona prazer estético.

“Agora volte à listagem que vocês produziram e sublinhe o que vocês lêem em voz alta. Quantos itens você sublinhou?”

Nenhum item foi sublinhado. Na verdade, a leitura individual é feita de forma “silenciosa”. Dois alunos, porém, que gostam de poesia, disseram que lêem poesia em voz alta, para perceber os efeitos da sonoridade, da musicalidade da escrita poética.

Se considerarmos, porém, o ambiente de sala de aula, a situação é diferente, pois os alunos precisam aprender a pronúncia de termos técnicos, além de revisar aspectos sintáticos do Inglês, para aprimoramento de suas habilidades de leitura.

“Qual é a relação da leitura em sala de aula com as atividades da vida cotidiana? A leitura em sala de aula é usada para construir conhecimento, para promover interação, para experiência estética, ou é um mero pretexto para aprender esse ou aquele ponto gramatical ou ainda para treinar pronúncia?”

Levando em consideração as atividades laborais dos alunos, a leitura feita em sala de aula está intimamente vinculada àquela feita no ambiente de trabalho, pois esses alunos freqüentam curso de Inglês instrumental, técnico, buscando desenvolver habilidades para leitura de manuais técnicos, “handbooks”, algumas normas técnicas, etc.

Se considerarmos como cotidiana aquela vida própria de casa, rua, etc., a leitura feita em sala de aula não mantém relações com ela. Nesse caso, o ambiente de ensino implica uma situação de mudança de registro.

Quanto à razão da leitura, ela é feita como parte do processo de aprendizagem, como em outra aula qualquer de língua estrangeira. Assim sendo, contribui para o aprendizado de aspectos morfológicos, sintáticos e semânticos, apesar de a ênfase maior ser dada ao vocabulário (leitura, escrita, compreensão, audição e pronúncia), uma vez que todos os alunos já freqüentaram curso básico de Inglês não-técnico.

Conclusão

Fica patente, com essas respostas, nossa percepção de que a leitura, enquanto atividade que permite interpretação textual, via de regra, se realiza de forma “silenciosa”, sem realização fonológica do texto impresso. A leitura em voz alta é, sim, importante para o ensino de línguas, mas com objetivos outros, não para compreensão ou interpretação textual. Ela é importante para ensino de pronúncia, da musicalidade própria da língua, de entonação, para o estabelecimento de clima efetivo de comunicação similar aos que o Homem encontra no uso cotidiano da língua-alvo, etc., que são imprescindíveis num processo de ensino-aprendizagem de qualidade que trabalhe as quatro habilidades: leitura, escrita, fala e audição, especialmente se ele é, se diz ou se pretende comunicativo.

As situações que se configuram em sala de aula, quando um aluno letrado faz a leitura de um texto, demonstram não só essa importância (constitui-se em oportunidade para a prática de pronúncia, por exemplo, para reconhecimento de significados e para promover a desinibição do aluno), mas, também, a pouca valia da leitura enquanto atividade que promove decifração ou compreensão textual ou que se pretenda realizada de forma coletiva. Normalmente, um aluno lê, alguns colegas apenas ouvem o texto, outros têm sua atenção dispersada, outros tentam acompanhá-lo, mas reduzindo sua velocidade de leitura, posto que aquele que a realiza, fonologicamente, gasta mais tempo, tem sua leitura retardada, desacelerada, devido aos esforços fisiológicos que esse tipo de leitura exige. Nesse particular, a leitura em voz alta (tão comum nos anos iniciais de escolarização) é pouco produtiva ou até mesmo contraproducente, parecendo constituir-se em pretexto para permitir que alunos desatentos ouçam o texto ou que, aqueles mais apressados o leiam (ignorando a leitura em voz alta), ou, ainda, para que aqueles mais lentos ou preguiçosos acompanhem a leitura.

A recepção desse tipo de leitura é de tal forma diferente daquela dirigida à leitura “silenciosa” que, quando, em congressos e seminários, por exemplo, um palestrante faz a leitura de seu texto ou de resumo de sua pesquisa, muitos participantes, mesmo interessados no assunto e no que o leitor tem a dizer, cochilam, conversam com colegas, etc., enquanto a leitura cansa, fisicamente, aquele que a faz. Naturalmente, esse processo parece estar intimamente vinculado ao fato de o leitor ler, ali, daquele lugar de enunciação, um texto que não foi produzido para leitura em voz alta, mas para registro nos anais do evento. Nesse ponto, uma pergunta: acaso a maioria dos textos para ensino de língua estrangeira é produzida para essa leitura? Entendemos que não tem sido assim, mesmo quando o pretexto da atividade leitora é ensinar pronúncia. Talvez aí estava o grande equívoco: a forma de conduzir a leitura, em voz alta, de textos didáticos produzidos para compreensão textual, para entendimento de estruturas sintáticas e lexicais impressas (cremos que esse tipo de leitura serve mais para o reconhecimento de significados do que para decifração —coisa própria da leitura dita silenciosa). Talvez isso necessite ser ensinado ou re-aprendido por professores e editores: adequar os instrumentos aos meios... Tarefa e desafio constantes na vida humana, desde o tempo em que, em pedras e couros, com estiletes e tintas, o gênio humano inventou a escrita.

Bibliografia
PAIVA, Vera Menezes de Oliveira e. Desenvolvendo a habilidade de leitura. In: ________. "Dimensões Comunicativas" (curso “on-line” – 1º semestre letivo de 2004 – FALE/UFMG - Tarefa 8). http://www.veramenezes.com/tarefas2.htm (Acesso em 18 abr. 2004).


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