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Date Posted: 05:35:48 09/27/04 Mon
Author: Ângela Spesiali Aroeira
Subject: Reumo sobre a Sistemática de Tomada de Turno na conversação

Resumo da 6ª semana – 27/09 a 01/10
Aluna: Ângela Spesiali Aroeira
Texto: A Simplest Systematics for the Organization of Turn-Taking for Conversation
Autores: Harvey Sacks, Emannuel Schegloff and Gail Jefferson in Sheinkein (ed.) Studies in the organization of conversation interaction, New York: Academic press, 1978.

Os autores propõem um modelo que sistematiza a organização e funcionamento da tomada de turnos, baseando-se na observação de eventos conversacionais, (reuniões, debates, cerimônias, conversação, entrevistas) em sistemas de troca de fala, principalmente o tipo conversação. A motivação subjacente dos autores é a perspectiva sociológica.
Conversação, no texto, é conceituada como: um veículo para a interação entre partes com qualquer identidade potencial, e qualquer familiaridade potencial, e sua organização em turnos guarda tanto um caráter geral e independente (context-free) quanto um potencial de particularização (context sensitivity). Quando a conversação ocorre ele se realiza por turnos de fala envolvendo pelo menos duas pessoas.(p.10)
Turno é uma unidade cuja constituição e limites envolvem a distribuição ds seguintes tarefas: o Falante pode falar de certa a forma a projetar a possível conclusão de sua fala; permitir os outros utilizarem os pontos de transição para tomar o turno, ou não tomar; afetar a direção da fala e o início da fala do outro e determinar onde ele deve parar de falar. Desta forma Por este motivo o turno é uma unidade interacionalmente determinada (p.43)
Como outras tantas atividades a conversação, para os autores, é socialmente organizada, com as tomadas de turnos sendo reguladas pelos princípios da economia, ou seja, os turnos são valorizados e sua alocação afeta a sua distribuição relativa entre os partes da conversação.
O sistema de tomada de turnos para a conversação é descrito por dois componentes e um conjunto de regras.
Primeiro componente: Construção do turno: Tipos de unidade são as sentenças, as orações, frases, e construções léxicas. Com uma dessas unidades o Falante está autorizado a falar até um provável ponto de conclusão que constitui um ponto de relevância para a transição do turno que coordenará a transferência da fala para outro Falante.
Segundo componente: Alocação de turno: As técnicas para alocação de turno são agrupadas em a) aquelas em que o turno seguinte é direcionado pelo Falante-atual-que seleciona-o-Falante-seguinte e b) aquelas em que a alocação de turno é feita pela auto-seleção.
Regras que governam a construção e a alocação de turnos e coordenam a transferência de forma a minimizar os intervalos e sobreposição de falas: 1 a) No primeiro ponto de relevância para a transição o turno inicial é construído pelo Falante que seleciona o próximo. Este próximo será o único a ter direitos e ser obrigado a tomar o turno de fala e dessa forma é transferido o turno; 1 b) Se o turno é construído sem a previsão de o falante selecionar o próximo para a fala seguinte, então o que primeiro iniciar terá o direito sobre o turno e dessa forma este é transferido; 1 c) se o turno é construído de forma que não prevê Falante que seleciona o próximo o Falante atual pode continuar a falar, embora não seja necessário, a menos que outro Falante se auto-selecione; 2) se no ponto de relevância para a transição daquela unidade construída não ocorre nem 1 a e nem 1 b a e de acordo com a organização de turno 1 c passa a vigorar, então o conjunto de regras 1 a – 1 c se reaplica até o próximo ponto de relevância para a transição de turno e recorrentemente em cada de ponto de relevância para transição, até que a transferência de turno se faça.
O modelo proposto, embora insuficiente ou com falhas, nas palavras dos próprios autores, pretende explicar a conversação a partir de pelo menos dois aspectos importantes. O primeiro aspecto é que há um sistema de administração local de tomada de turno que opera em cada turno o que significa: a) o sistema lida com uma só transição de cada vez e, desta forma, aloca um turno por vez; b) este “ turno por vez” é o turno seguinte; c) o sistema lida com os turnos compreeensivelmente e serialmente na base de “turno por turno” o que permite-lhe organizar não só a ordem dos turnos, como restringir o seu tamanho.
O segundo aspecto é que o sistema é administrado interacionalmente, isto é, além de controlar o tamanho e a ordem dos turnos o sistema conta com o controle das partes envolvidas – é o sistema party-administred. Desta forma, ordem e tamanho tornam-se interdependentes através de mecanismos de determinação e alocação escolhidos e administrados pelas partes, tais como as tag questions que finalizam o turno ou aposicionais que sinalizam a entrada de Falantes. Esse mecanismo, denominado Ciclo de opções, está disponível aos Falantes e aos Falantes Seguintes Potenciais, coordenando entradas, saídas, iniciando o próximo turno, seu tamanho e sua ordem.
O fato de tamanho e ordem de turno serem localmente administrados (isto é, turno por turno) e administrado pelas partes (interacionalidade) significa, para os estudiosos da área que a conversação subsiste sobre o princípio mais geral do Recipient Design-RD ( projeto receptor? Projeto de recepção?). Tal RD permite coletar uma variedade de aspectos que mostram como a fala de uma parte é construída ou estruturada de forma a mostrar certa orientação ou sensibilidade para os Outros presentes. RD opera a partir de seleção de palavras, seleção de tópicos, admissibilidade e ordenação das seqüências, as opções para começar e terminar a conversa. A noção de RD é básica para o entendimento da variabilidade e é acentuada pela característica de context-sensitivity próprio das conversações.
Ao propor seu modelo de organização e funcionamento da tomada de turnos os autores procuram capturar tanto os aspectos e propriedades mais gerais da conversação como preservar o que garante a especificidade do contexto onde a conversação se dá.
A representação dos fatos pelo Modelo
1º A troca de Falante é abundantemente recorrente nas conversas. O sistema permite a troca embora esta não seja automática ( porque a cada ponto de relevância para a transição, caso não ocorram 1 a e 1 b, 1 c passa a vigorar e o Falante atual continua sua fala.
2º Na grande maioria das vezes, uma parte fala de cada vez porque a) o sistema aloca turnos únicos para Falantes únicos e qualquer Falante obtém direitos exclusivos para falar no primeiro ponto de conclusão possível, com possibilidade de renovar seus direitos sob a vigência da regra 1 c e tomar novo turno; b) transferências de turno são coordenadas em torno de pontos de relevância para transição determinados por pontos de conclusão prováveis típicos do tipo de unidade.
3º Ocorrências de falas simultâneas são comuns mas breves.
4º Transições de um turno para outro sem intervalo ou sobreposição são comuns.
5º Ordem de turno não é fixa, varia, mas não randomicamente. A tendência – turn order bias – é que o Falante anterior ao Falante atual seja selecionado como o próximo Falante (a prioridade do Falante atual selecionar o próximo Falante garante a ocorrência dessa tendência).
6º Tamanho de turno não é fixo. Ele varia a partir da disponibilidade de uma série de tipos de unidade, que podem iniciar a unidade (como as sentenças) e da vigência da regra 1 c, que possibilita o Falante renovar seus direitos e expandir seu turno.
7º A extensão da conversação não é especificada a priori, mas o sistema restringe em como as regras para fechamento de turno podem operar. Por exemplo, se a regra 1 a estiver em vigor, a conversação não poderá ser finalizada.
8º O que cada parte diz não está determinado ou especificado a priori ( ao contrário do que ocorre em debates, cerimônias, entrevistas). A tomada de turnos ocorre independentemente dos tópicos adotados. É claro, porém que o 1º turno geralmente se inicia por unidades tipo cumprimentos enquanto turnos seguintes são restringidos e fazem referência ao turno anterior de acordo com a noção de pares adjacentes: a uma pergunta deve-se seguir resposta ( regra 1 a em vigência).
9º a distribuição relativa de turnos não é fixa, varia. O conjunto de rgras de tomada de turno proporciona a possibilidade de realização de qualquer distribuição que está condicionada à manipulaçâo de interesses.
10º o número de partes na conversação pode mudar. O sistema prevê que haja número indefinidos de partes, tratando-os serialmente, ou seja cada para atual e próximo interagindo de acordo com mecanismos de entrada de novos participantes e saída de participante atuais. Quando há 03 participantes o 3º é deixado de lado, quando há quatro, dois são deixados de lado e assim por diante. Nessa propriedade os autores apresentam a noção de distribuição diferencial. O turno passa a ser disputado por mais de um Falante seguinte Potencial, que já não tem sua tomada de turno assegurada, como na conversação que envolve apenas duas partes. Os Falantes Seguintes Potenciais, para assegurar seu turno devem prestar atenção no Falante atual e projetar os pontos de conclusão provável para utilizar o ponto de relevância para transição e tomar o turno. Com 04 partes o sistema autoriza a divisão em subgrupos principalmente devido a interesses não resolvidos mutuamente. Essa é uma das ocorrências que são justificadas pelo sistema para favorecer número menor de participantes.
11º A conversação pode ser contínua ou descontínua. No primeiro caso, pelo mesmo Falante ou outro a partir de ponto de relevância para a transição com um intervalo mínimo. No segundo caso, ocorre a interrupção do Falante em algum ponto de relevância para a transição não há tomada de turno produzindo um lapso de tempo que não é preenchido por falas.
12º Técnicas de alocação de turnos. Podem ser divididas em grupos de acordo com a regra em vigor.
Regra do FalanteAtual-seleciona-o-Seguinte em vigência.
Termos de endereçamento ou direcionamento do olhar
Pares adjacentes(pergunta/resposta, elogio/agradecimento, queixa/negação, oferta/aceitação, pedido/atendimento, desafio/negação, etc.)
Quando o Falante atual seleciona o Seguinte por um termo do par adjacente e este responde, não significa que o Seguinte selecionou o Falante prévio
Repetição de parte de uma fala anterior com entonação de pergunta, ou pergunta de uma palavra (O que? Como?)
Uso de tag questions ( recompletadores para continuar). Exemplo: Você não acha? Não é? Que são mecanismos utilizados para abandonar o turno.
Técnicas que empregam identidades sociais envolvidas na interação. Exemplo: convite a um casal de amigos inclui o para e exclui o próprio par.
Regras da auto seleção , 1 b e 1 c em vigência
Quem começa primeiro, quem “chega” primeiro, se apropria do turno, sem que seja utilizado tipo específico de unidade.
Depois de uma breve pausa o mais rápido começa, geralmente com uso de aposicionail. Exemplo: bem, eu penso, que caracterizam entradas de turno.
Pode acontecer um 2º iniciador; tomador cuja entrada é contingente ao tipo de enunciado que é quando há exigência de aprofundamento ou esclarecimento sobre fala prévia.
13º Várias unidades de construção de turno são empregadas para produzir uma fala que ocupe um turno. Sentenças, orações, frases, tag questions, construções léxicas são utilizadas e o modo com são inseridas ou justapostas definirá o turno, seu tamanho, sua expansão, sua transferência. O turno seguinte começa em pontos de conclusão prováveis, seja das orações, das sentenças ou das frases.
Os turnos apresentam aspectos organizacionais que refletem sua ocorrência em seqüência. Sua estrutura apresenta normalmente três partes:a) a parte que explicita a relação com o turno anterior; b) a parte que envolve o que está sendo desenvolvido, acontecendo; c) a parte que explicita a relação com o turno que deve vir.
14º Mecanismos de reparo para lidar com erros ou violações na tomada de turno. Dividem-se entre aqueles que são extrínsecos ao turno, como os pedidos de desculpas, as interrupções, os endereçamentos como “quem, eu”? Os mecanismos intrínsecos ao turno dizem respeito a interrupções feitas pelo Falante atual antes do ponto provável de conclusão. O Falante atual continua pela não ocorrência da transferência de turno num ponto de transição relevante. O preenchimento do intervalo ou lapso com a auto seleção é a principal característica da organização racional da tomada de turno e acomoda interesses mundialmente reais. São intrínsecos ao sistema e incorporam recursos e procedimentos para reparo nas violações e tomadas de turno erradas. Se outros além do Falante vão reparar espera-se que o turno seja completado. As regras de reparo são as mesmas para o sistema de tomada de turno (p.39).

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