Author:
Jorge Nascimento Fernandes
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Date Posted: 17/02/05 11:58:54
A Queda de um Mito
Têm-nos tentado vender aqui neste fórum, mas igualmente no “Avante”, que o PCP, por razões de classe, não é bem tratado na comunicação social, dominada pelo grande capital. Já se escreveu prosa e mais prosa sobre isto. Eu já me envolvi aqui em discussões deste tipo, com os escribas de serviço, sempre prontos a justificar o silenciamento do PCP pelas suas corajosas opções de classe.
Oposto a isto citava-se sempre o caso do BE, porque, devido à sua origem: era o partido criado para dividir os trabalhadores e enfraquecer o PCP, estava destinado a ser apaparicado pela comunicação social.
Ora, os nossos escribas nunca compreenderam que o Carlos Carvalhas não despertava a mais pequena simpatia, pois era um triste e precocemente envelhecido funcionário da transição, que, como é hábito no PCP, durou mais tempo do que o seu prazo de validade.
A substituição pelo Jerónimo de Sousa trouxe, por isso, um novo refrescamento ao PCP, ainda mais quando a comunicação social é confrontada com um verdadeiro operário, não com aqueles secretários-gerais que eram intelectuais a fingir de trabalhadores (segundo, é evidente, os preconceitos de alguns jornalistas). Está claro, que não são só as razões de ordem mediática que funcionam. O interesse acalentado por alguns comentadores de direita (Vasco da Graça Moura ou Luís Delgado) é também claramente político, visa diminuir o peso eleitoral do PS, fortalecendo a CDU. Contudo, nada disto se faria se o PCP constituisse hoje uma ameaça à ordem estabelecida, o que sucedeu durante o fascismo, o PREC ou quando dispunha de quase um milhão de eleitores. Hoje é um pequeno Partido, que junta a flexibilidade do discurso e das alianças à rigidez ideológica, que, depois de sanear todos os impuros, se apressa a apresentar-se de cara lavada perante as grandes audiências mediáticas.
Ora o Bloco, ao contrário do que vinha a suceder até a algum tempo atrás, o que também correspondia à capacidade de intervenção mediática do Louçã, deixou hoje que está a crescer eleitoralmente, de ser uma coqueluche dos media. Viu-se logo a seguir à sua resposta infeliz ao Paulo Portas, quando foi criticado por grande número de jornais, só o "Público" dedicou-lhe cinco ou seis artigos de opinião. Apesar de aqui mesmo, terem tentado provar que ele tinha sido muito bem tratado. Mas hoje tornou-se prática corrente para todos os comentadores chamar-lhe padreca ou tele-evangelista, ou então, como ontem se verificou na TV pública, a propósito da sua denúncia das isenções fiscais aos bancos, desencadearem uma operação que chegou ao desplante do Bagão Felix lhe chamar “apóstolo da mentira” e não terem recolhido qualquer reacção a essa acusação.
Portanto, escribas ao serviço da direcção do PCP que se cuidem, já não é possível virem com a treta de que o PCP, por ser coerente, não é bem tratado pela imprensa e que o Bloco é o seu menino querido. O mito caiu.
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