| Subject: O que Vital Moreira não diz |
Author:
Ramiro Correia
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Date Posted: 3/02/05 3:13:54
O que Vital Moreira não diz
Em artigo de opinião no «Público» de ontem, intitulado «Governos de coligação», Vital Moreira lá prosseguiu na sua esforçada e persistente mobilização de «argumentos» em favor de uma maioria absoluta para o PS, desta vez centrados sobretudo nas dificuldades, a nível programático, de coligações e entendimentos à esquerda.
Nesse sentido, Vital Moreira alega designadamente que tanto o PCP como o BE «são radicalmente contra o curso da integração europeia», contra «a nova Constituição para a UE», contra o «cumprimento do Pacto de Estabilidade», «defendem políticas que na actual situação das finanças públicas tornariam impossível a necessária consolidação orçamental» e se «opõem a reformas que, sob o ponto de vista do PS, são imprescindíveis», «como, por exemplo, no caso da gestão hospitalar e da reforma da administração publica em geral».
Acontece porém que Vital Moreira mede manifestamente mal o efeito reverso das suas afirmações. Na verdade, se as posições do PS são as que Vital Moreira descreve ( e têm os conteúdos gravosos que Vital Moreira não descreve), então o que falta é o constitucionalista de Coimbra explicar aos seus leitores quais são as grandes e insanáveis divergências que, nessas matérias ou objectivos, existem entre o PS e o PSD e mesmo o CDS-PP.
Ou seja, porque será que Vital Moreira é tão lesto a explicar de quem o PS está longe mas já foge de explicar de quem está perto ?
Pela simples e cristalina razão de que, nesse caso, teria de confessar honestamente que pouco ou nada separa o PS da direita nesses temas que ele próprio, no seu artigo, considera decisivos .
E, de caminho, concluir que a maioria absoluta não faz mesmo nenhuma falta ao PS pela simples razão de que, em todas estas matérias, se poderá facilmente entender com a direita e que só mesmo a memória de agravos recentes ou o medo de futuros inconvenientes eleitorais impediria a próxima e «patriótica» negociação de uma coligação entre o PS e o PSD ou o CDS-PP.
Pois é, não foi certamente por acaso que Vital Moreira escolheu a conjuntura política e eleitoral que vivemos para proclamar (em 21/1 no seu blogue) que, no que toca ao que «distingue os partidos» «a forma da política pode contar tanto como os conteúdos das políticas».
Assim nos avisando, sem querer, que afinal o grande horizonte de mudança e de esperança que o PS propõe se limita a não copiar as trapalhadas de Santana Lopes mas já copiar muitas e decisivas políticas de Durão Barroso, Santana Lopes e Paulo Portas que tanto descontentamento causaram nestes últimos três anos.
Nenhuma dúvida de que é só para isso que o PS deseja uma maioria absoluta.
in http://jeronimodesousa.blogs.sapo.pt/
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