| Subject: Re: O que Vital Moreira não diz |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 3/02/05 15:32:27
In reply to:
Ramiro Correia
's message, "O que Vital Moreira não diz" on 3/02/05 3:13:54
O que Vital Moreira omite é que o sistema eleitoral que contempla a representação proporcional nasceu ,nasce, dessa necessidade democrática de fazer representar diferentes opções politico-partidárias.
Essa representatividade vai, por esse facto, retirar à força maioritária o monopólio das propostas e recomendações parlamentares e ,em circunstâncias susceptíveis de sucederem, travar decisões que poderão,de facto , ser negativas e que dessa forma não passarão .É um ónus que a estabilidade política por vezes tem de suportar , em nome da democracia.
.
>
>Em artigo de opinião no «Público» de ontem, intitulado
>«Governos de coligação», Vital Moreira lá prosseguiu
>na sua esforçada e persistente mobilização de
>«argumentos» em favor de uma maioria absoluta para o
>PS, desta vez centrados sobretudo nas dificuldades, a
>nível programático, de coligações e entendimentos à
>esquerda.
>
>Nesse sentido, Vital Moreira alega designadamente que
>tanto o PCP como o BE «são radicalmente contra o curso
>da integração europeia», contra «a nova Constituição
>para a UE», contra o «cumprimento do Pacto de
>Estabilidade», «defendem políticas que na actual
>situação das finanças públicas tornariam impossível a
>necessária consolidação orçamental» e se «opõem a
>reformas que, sob o ponto de vista do PS, são
>imprescindíveis», «como, por exemplo, no caso da
>gestão hospitalar e da reforma da administração
>publica em geral».
>
>Acontece porém que Vital Moreira mede manifestamente
>mal o efeito reverso das suas afirmações. Na verdade,
>se as posições do PS são as que Vital Moreira descreve
>( e têm os conteúdos gravosos que Vital Moreira não
>descreve), então o que falta é o constitucionalista de
>Coimbra explicar aos seus leitores quais são as
>grandes e insanáveis divergências que, nessas matérias
>ou objectivos, existem entre o PS e o PSD e mesmo o
>CDS-PP.
>
>Ou seja, porque será que Vital Moreira é tão lesto a
>explicar de quem o PS está longe mas já foge de
>explicar de quem está perto ?
>
>Pela simples e cristalina razão de que, nesse caso,
>teria de confessar honestamente que pouco ou nada
>separa o PS da direita nesses temas que ele próprio,
>no seu artigo, considera decisivos .
>
>E, de caminho, concluir que a maioria absoluta não faz
>mesmo nenhuma falta ao PS pela simples razão de que,
>em todas estas matérias, se poderá facilmente entender
>com a direita e que só mesmo a memória de agravos
>recentes ou o medo de futuros inconvenientes
>eleitorais impediria a próxima e «patriótica»
>negociação de uma coligação entre o PS e o PSD ou o
>CDS-PP.
>
>Pois é, não foi certamente por acaso que Vital Moreira
>escolheu a conjuntura política e eleitoral que vivemos
>para proclamar (em 21/1 no seu blogue) que, no que
>toca ao que «distingue os partidos» «a forma da
>política pode contar tanto como os conteúdos das
>políticas».
>
>Assim nos avisando, sem querer, que afinal o grande
>horizonte de mudança e de esperança que o PS propõe se
>limita a não copiar as trapalhadas de Santana Lopes
>mas já copiar muitas e decisivas políticas de Durão
>Barroso, Santana Lopes e Paulo Portas que tanto
>descontentamento causaram nestes últimos três anos.
>
>Nenhuma dúvida de que é só para isso que o PS deseja
>uma maioria absoluta.
>
>in http://jeronimodesousa.blogs.sapo.pt/
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