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Observador lúcido
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Date Posted: 23/01/05 13:05:15
In reply to:
Guilherme Statter
's message, "Re: União Europeia-uma fatalidade?" on 20/01/05 13:57:41
>Desta vez vou mesmo tentar limitar o "discurso".
>Começo por sublinhar que não só não sou contra a
>Reforma Agrária, como até sou a favor. Embora a
>milhares de quilómetros de distância segui com muito
>interesse o processo Português.
>Como sou a favor da reforma agrária no Brasil ou na
>África do Sul... O problema é que às vezes sob essa
>nobre bandeira fazem-se asneiras de dimensões
>colossais. Não foi - de todo - esse o caso em
>Portugal, mas é (tem sido) esse o caso no Zimbabué.
>Dito isto, a impressão com que fico daquilo que o
>"Observador Lúcido" escreve é a de que haveria em
>Bruxelas uma espécie de conspiração contra as classes
>trabalhadoras portuguesas em geral e contra a reforma
>agrária em particular.
Podemos dizer que houve pressoes encapotadas, exercidas sobre os governantes. Os de Bruxelas disseram nos bastidores aos governantes portugueses da altura: acabem depressa com isso das UCPs para poderem entrar na CEE, essa coisa de UCPs nao existe na Europa e nao pode ser. Diga-se de passagem que o governo PS aceitou tal pressao de um modo muito satisfeito.
>Por outro lado, em vez de me qualificar de ingénuo,
>talvez fosse mais produtivo apresentar ou analisar os
>factos que queira apresentar.
>Por exemplo, no princípio dos anos Noventa, 58% dos
>"chefes de família" nas explorações agrícolas tinham
>mais de 55 anos, 47% não tinham a Quarta Classe e 24%
>eram analfabetos.
>Só isso chega para explicar - em grande parte - o
>facto de a produtividade portuguesa ser
>sistematicamente inferior à da Grécia ou da
>Espanha.
>
>Que é que a União Europeia tem a ver com isto? A menos
>que se entre em contradição (com a postura
>anti-europeísta) e se reclame que a dita cuja UE
>nomeie uma espécie de Alto-Comissário para nos
>governar durante uns anos.
Nao ponho em duvida os elementos factuais que cita e nao isento os lamentaveis governantes que temos tido de responsabilidades. Verifico tambem, como materia de facto, que a PAC pouco ou nada beneficiou/beneficia a agricultura portuguesa.
>Não se trata só de mais (ou menos)
>biotecnologia. Nem de "mais ou menos
>ciêntífico"... Isso é que era bom... Ou mal... Depende
>do ponto de vista.
>Quando falo de problemas estruturais, de fundo, estou
>a pensar em problemas que pouco têem a ver com o
>regime político (que pode durar umas décadas mas não
>altera a geografia e muito menos a geologia).
>Quando muito pode - e deve - tentar mudar o capital
>humano e a estrutura social... Mas mesmo isso é coisa
>de décadas.
>
>Quanto a falar com técnicos do Ministério da
>Agricultura, devo dizer que falei. Não agora mas há
>uns anos atrás, quando eu mesmo ia com alguma
>frequência a Bruxelas (por coincidência
>é ali, nos seus arredores, que ficava o Centro
>Internacional de Formação da empresa onde então
>trabalhava).
>Um dos técnicos com quem falava muitas vezes -
>conhecemo-nos há uns 50 anos - era (e ainda é) técnico
>superior naquele ministério e nunca se "meteu em
>política".
>Em suma, um tecnocrata. E também não era (e não é)
>contra a Reforma Agrária. Só que como engenheiro
>agrónomo tem um conhecimento bastante razoável dos
>constrangimentos físicos da nossa agricultura.
>E transmitiu-me sempre a ideia de que os nossos
>"políticos" são chocantemente incompetentes no que diz
>respeito a negociações do foro político-técnico.
>"Quanto $$$ é que há para atribuir a este
>programa"?...
>Quanto a utopias, não sei qual será a maior: estarmos
>dentro do "comboio" e aprender as regras do jogo até
>as podermos "dominar" em nosso benefício, ou se
>estarmos fora. A correr sózinhos.
Em outro post alguem definiu a situaçao actual com muito precisao: com a palavra "refens".
Sim, agora somos refens da UE. Mas dizer que somos refens nao significa dizer que os resultados da entrada de Portugal na UE foram bons. Ao contrario, foram pessimos pois agora estamos numa situaçao pior do que antes. E' isso que, a bem da verdade, se deve dizer -- ate' para exigir responsabilidades aos que a teem ao nivel politico. Entretanto, a oportunidade do como e do quando efectuar uma retirada e' materia para outra discussao, mais vasta. Também fico por aqui.
>Fico-me por aqui.
>Cordiais saudações,
>Guilherme Statter
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