Author:
Edgar Correia (JN 17/1/2005)
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Date Posted: 18/01/05 0:00:37
In reply to:
visitante muito atento.
's message, "Edgar ataca o Bloco." on 17/01/05 14:35:29
O estado de espírito de muitos portugueses é compreensivelmente contraditório avaliação positiva da antecipação de eleições como oportunidade para a interrupção do descalabro governativo do PSD e do PP; fundadas dúvidas, ao mesmo tempo, na capacidade do sistema partidário gerar um debate e variantes políticas claras e, sobretudo, compromissos credíveis em relação ao futuro.
Ora um voto que se defina em termos de mal menor, está longe de construir a base política e social necessária para o país sair com sucesso das dificuldades com que está confrontado.
A febre eleitoralista que está de novo a manifestar-se e a subida de tom do circo político-mediático ameaça deixar muitos eleitores ainda mais descrentes, numa altura em que era democraticamente essencial que sucedesse o contrário.
O campo à esquerda do PS podia constituir um espaço livre de eleitoralismo e de caça ao voto, e de recusa de uma abordagem primária e populista dos problemas do país e dos portugueses. Mas tal não está a acontecer.
A operação de "pesca à linha" que Miguel Portas e outros dirigentes do Bloco de Esquerda desencadearam em relação a activistas da Renovação Comunista para integrarem as listas do BE, marginalizando ao mesmo tempo o próprio movimento da Renovação Comunista com quem tinham desde há um ano relações políticas, constituiu um esclarecedor episódio do doentio eleitoralismo e da pior forma de fazer política que atinge alguns sectores.
Apesar da operação mediática que foi montada para apresentar essa participação nas listas como um facto consumado, foi necessário que alguns activistas da RC convidados para as listas do BE tivessem recusado o convite, que outros tivessem condicionado a sua aceitação à posição que a Renovação Comunista viesse a adoptar, e que esta se tivesse imposto, para que alguns dirigentes do BE tivessem tido que "enrolar a linha" e que aceitar a recondução do problema à via da negociação com o próprio movimento.
Em Encontro Nacional realizado no passado dia 9 de Janeiro a Renovação Comunista, enquanto movimento, decidiu não dar uma indicação específica de voto. Traduzindo a sua posição através do "apelo à participação e ao voto dos cidadãos para a concretização de dois objectivos fundamentais
1 - a colocação dos partidos da Direita em minoria na futura Assembleia da República; e,
2 - a criação de condições para a subsequente formação de um Governo de esquerda com uma política de esquerda".
Decidiu ainda que a sua participação na batalha política das legislativas passa pela promoção de iniciativas próprias e pela disponibilidade para a participação em iniciativas de debate promovidas por outras organizações de esquerda. E exprimiu o seu acordo com "a participação individual de activistas da RC em candidaturas do BE para a qual foram convidados, na qualidade de independentes, com possibilidade de darem voz própria às análises e às propostas da Renovação Comunista, no quadro de um acordo específico celebrado entre a RC e o BE", um acordo super-simples que cobre essa participação individual mas que não envolve qualquer compromisso em matéria de voto relativamente ao BE.
É de esperar que deste insucesso da "pesca à linha" resulte o reconhecimento de que a Renovação Comunista é uma organização que funciona numa base de princípios e valores. De que não está em trânsito para lado nenhum, apenas para si própria, como projecto, em início, de renovação comunista democrática. Que combina a afirmação política própria com a disponibilidade para assumir acordos e compromissos políticos com outros, mesmo que de natureza pontual e de alcance muito limitado. Mas que toma decisões por si, com plena autonomia. E que nunca aceitará ser confundida com uma espécie de Verdes, nem do Bloco de Esquerda, nem de ninguém.
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