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observador espantado
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Date Posted: 18/01/05 0:23:12
In reply to:
Edgar Correia (JN 17/1/2005)
's message, "Febre" on 18/01/05 0:00:37
Mas afinal qu'é isso da renovação comunista? Esses tipos - como este Edgar -pretendem renovar o comunismo? Mas como se pode renovar o que é tão velho e caduco que já ninguém deseja? E os tipos do Bloco de Esquerda querem estes palermas para quê? Estão todos doidos, como diz o macaco velho.
>O estado de espírito de muitos portugueses é
>compreensivelmente contraditório avaliação positiva da
>antecipação de eleições como oportunidade para a
>interrupção do descalabro governativo do PSD e do PP;
>fundadas dúvidas, ao mesmo tempo, na capacidade do
>sistema partidário gerar um debate e variantes
>políticas claras e, sobretudo, compromissos credíveis
>em relação ao futuro.
>
>Ora um voto que se defina em termos de mal menor, está
>longe de construir a base política e social necessária
>para o país sair com sucesso das dificuldades com que
>está confrontado.
>
>A febre eleitoralista que está de novo a manifestar-se
>e a subida de tom do circo político-mediático ameaça
>deixar muitos eleitores ainda mais descrentes, numa
>altura em que era democraticamente essencial que
>sucedesse o contrário.
>
>O campo à esquerda do PS podia constituir um espaço
>livre de eleitoralismo e de caça ao voto, e de recusa
>de uma abordagem primária e populista dos problemas do
>país e dos portugueses. Mas tal não está a acontecer.
>
>A operação de "pesca à linha" que Miguel Portas e
>outros dirigentes do Bloco de Esquerda desencadearam
>em relação a activistas da Renovação Comunista para
>integrarem as listas do BE, marginalizando ao mesmo
>tempo o próprio movimento da Renovação Comunista com
>quem tinham desde há um ano relações políticas,
>constituiu um esclarecedor episódio do doentio
>eleitoralismo e da pior forma de fazer política que
>atinge alguns sectores.
>
>Apesar da operação mediática que foi montada para
>apresentar essa participação nas listas como um facto
>consumado, foi necessário que alguns activistas da RC
>convidados para as listas do BE tivessem recusado o
>convite, que outros tivessem condicionado a sua
>aceitação à posição que a Renovação Comunista viesse a
>adoptar, e que esta se tivesse imposto, para que
>alguns dirigentes do BE tivessem tido que "enrolar a
>linha" e que aceitar a recondução do problema à via da
>negociação com o próprio movimento.
>
>Em Encontro Nacional realizado no passado dia 9 de
>Janeiro a Renovação Comunista, enquanto movimento,
>decidiu não dar uma indicação específica de voto.
>Traduzindo a sua posição através do "apelo à
>participação e ao voto dos cidadãos para a
>concretização de dois objectivos fundamentais
>1 - a colocação dos partidos da Direita em minoria na
>futura Assembleia da República; e,
>2 - a criação de condições para a subsequente formação
>de um Governo de esquerda com uma política de
>esquerda".
>
>Decidiu ainda que a sua participação na batalha
>política das legislativas passa pela promoção de
>iniciativas próprias e pela disponibilidade para a
>participação em iniciativas de debate promovidas por
>outras organizações de esquerda. E exprimiu o seu
>acordo com "a participação individual de activistas da
>RC em candidaturas do BE para a qual foram convidados,
>na qualidade de independentes, com possibilidade de
>darem voz própria às análises e às propostas da
>Renovação Comunista, no quadro de um acordo específico
>celebrado entre a RC e o BE", um acordo super-simples
>que cobre essa participação individual mas que não
>envolve qualquer compromisso em matéria de voto
>relativamente ao BE.
>
>É de esperar que deste insucesso da "pesca à linha"
>resulte o reconhecimento de que a Renovação Comunista
>é uma organização que funciona numa base de princípios
>e valores. De que não está em trânsito para lado
>nenhum, apenas para si própria, como projecto, em
>início, de renovação comunista democrática. Que
>combina a afirmação política própria com a
>disponibilidade para assumir acordos e compromissos
>políticos com outros, mesmo que de natureza pontual e
>de alcance muito limitado. Mas que toma decisões por
>si, com plena autonomia. E que nunca aceitará ser
>confundida com uma espécie de Verdes, nem do Bloco de
>Esquerda, nem de ninguém.
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