Author:
Francisco Sarsfield Cabral - DN
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Date Posted: 19/01/05 11:40:03
Aumentou na opinião pública a consciência da gravidade do desequilíbrio das contas do Estado. Alguns já perceberam que levará muitos anos a corrigir a situação. Por isso tenho esperança de que comece a ser eleitoralmente lucrativo falar verdade aos portugueses. Mas talvez seja pedir de mais à coragem dos políticos esperar que eles refiram não apenas o presente défice orçamental como, também, os encargos que o Estado tem assumido para daqui a décadas.
O Tribunal de Contas revelou que o saldo da Segurança Social baixou mais de 24% no primeiro semestre de 2004, na linha de uma tendência de redução contínua que vem de trás. Há trinta anos havia 862 mil pensionistas, absorvendo 3,2% do PIB. Agora há mais de 2 milhões e meio, custando 10% do PIB. O FMI prevê que o envelhecimento da nossa população levará a que em 2075 as pensões absorvam 13% do PIB. Em 2050 teremos dois trabalhadores no activo por cada reformado - havia seis há trinta anos. No sector da saúde, em Portugal como noutros países, a tendência é para as despesas subirem muito as pessoas vivem até mais tarde e os tratamentos são mais sofisticados e mais caros. Em Portugal os gastos do Estado em medicamentos aumentaram 9,2% em 2004. E há outras despesas que se agravarão no futuro, como as ligadas às Scut.
Visto a médio prazo, o défice das contas públicas portuguesas é bem mais sério do que a actual dificuldade em cumprir o limite dos 3% do PIB. Ora, se o Orçamento não tiver dinheiro para financiar mais a Segurança Social e a Saúde, o débil Estado-Providência que temos desaparecerá. Travar a bancarrota do Estado é, assim, condição para não se eliminarem prestações sociais daqui a anos. Mas muitos ainda não perceberam que a obsessão com o défice é indispensável para haver justiça social.
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