| Subject: Re: Posso meter uma colherada? - |
Author:
Luis Laranja
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Date Posted: 11/01/05 18:10:12
In reply to:
Guilherme Statter
's message, "Re: Posso meter uma colherada? -" on 10/01/05 20:06:20
Sr. Statter.
V. Ex.ª é detentor de uma organização mental muito sui generis, de que resultam criações do espírito engraçadas mas destituídas de qualquer interesse. Tem uma tendência irresistível para catalogar (isto é “construcionismo”, aquilo é “idealismo”, etc.) e para citar nomes de autores (fulano não diria melhor, como disse beltrano), mas é muito parco a formular ideias originais, e tem um gosto específico por dicotomias simples, elas próprias nem sempre oponíveis, resultantes de raciocínios incoerentes. Além do mais, V. Ex.ª tem uma visão muito original sobre as criações do espírito, restrita às criações abstractas, como se as representações mentais que elaboramos do concreto emanassem do próprio concreto e não fossem criações do espírito para o entender. Gostaria, por isso, que V. Ex.ª me dissesse, por exemplo, o que o sistema capitalista já lhe disse que era (os seus órgãos ou partes, as suas relações internas e externas, em suma, a sua constituição e objectivos de existência, para não ir muito longe), evitando-me assim a maçada de criar uma representação do espírito sobre ele.
Acusa-me V. Ex.ª de fazer processos de intenção por referir me parecer transparecer das suas intervenções a ideia de que as culpas do subdesenvolvimento deverão ser atribuídas ao capitalismo, e que um tal discurso é próximo da cantilena comunista. É melindre escusado, dado que não pretendo mover processos de intenções contra quem quer que seja, muito menos contra V. Ex.ª. Cada um tem o direito de professar as ideias que muito bem lhe aprouver; não pode é impedir a sua crítica. E se V. Ex.ª professar as ideias comunistas só lhe posso desejar bom proveito, ainda que pense reflectirem elas um modelo idealista, não só incapaz de explicar a realidade como, mais grave, entende que a realidade se desenvolve por força da vontade de desenvolver algo que nela não existe.
E se me refiro à ideia comunista como cantilena é precisamente por considerá-la uma lenga-lenga de estereótipos já gastos sobre os males que o capitalismo trouxe à humanidade, resultante de uma qualquer tendência hiper-criticista irracional dos seus autores e seguidores, eventualmente do foro clínico, mas certamente oriunda de vícios de raciocínio, que se torna já fastidioso ouvir.
Tenha V. Ex.ª um resto de dia proveitoso indo à missa.
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