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Subject: Re: Posso meter uma colherada? -


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 10/01/05 20:06:20
In reply to: Luis Laranja 's message, "Re: Posso meter uma colherada? -" on 10/01/05 18:39:13

Senhor Laranja,
Tem toda a razão... "Isto" é capaz de exceder em muito a paciência de leitura de um forum deste tipo. E tem razão em muitas outras coisas.
Mesmo assim arrisco-me a alguns comentários o mais breves possível.

1. Àcerca da minha alegada qualquer confusão sobre existência dos sistemas "abertos", "fechados" ou "mais ou menos porosos" antes ou depois...
O que existe, de facto, é uma realidade muito complexa, constituída por diversíssimas inter-relações de seres, objectos e coisas correspondentes a diversos estados de organização da energia (ou da matéria, como dizem alguns). Se esta realidade é ela própria constituída por variadíssimos sistemas (ou por um sistema geral com os seus sub-sistemas) é coisa que me escapa. Se assim for, caberá ao trabalho contínuo da ciência ir descobrindo esses sistemas e as leis que regem as suas relações internas e externas. No labor de representar adequadamente o objecto prático concreto realidade, baseando-nos em observações, experimentações, conjecturas, hipóteses e teorias, e na sua refutação, inventamos objectos teóricos que designamos por sistemas. Neste sentido, um sistema, com os seus constituintes e relações melhor ou pior definidos, não passa duma criação do espírito. Se isto é idealismo, então, a actividade científica, toda ela obra do espírito humano na interpretação da realidade existente, será o mais lato dos idealismos..
Na minha leitura, "isto" é "construccionismo", uma variante ou versão modernizada de "idealismo"... Mas, em qualquer caso, muito respeitável.
Só não entendo é que se aceite a existência (presume-se que material, objectiva e exterior aos observadores de uma realidade muito complexa, constituída por diversíssimas inter-relações de seres, objectos e coisas correspondentes a diversos estados de organização da energia (ou da matéria, como dizem alguns). (e de informação, acrescentaria eu), mas que se entenda como "criação do espírito" a sua própria e específica organização interna.
Para mim, criações do espírito são os números imaginários, a ideia de raíz quadrada ou o conceito de zero. Assim como a ideia, ela mesma (claro) de "sistema".

2. Não cabe aqui efectivamente uma discussão das ondas de Kondratieff ou dos ciclos de Juglar ou de Kitchin. Em todo o caso assinalo que aí sim, estaremos sempre perante abordagens de tipo "construcionista" na medida em que cada analista sempre utilizará os números e estatísticas que escolher e não outras. E no entanto as crises tem vindo a acontecer.

3. Uma outra questão interessante é a da queda da lucratividade do capitalismo, assim como a crítica que V. Ex.ª me dirige acerca de que pareço “ignorar o facto de a lucratividade do sistema ter estado a oscilar (ao longo dos últimos séculos) em ondas de 50-60 anos (entre picos). As famigeradas "Ondas de Kondratieff"”. O capitalismo tem crises cíclicas, de período ligeiramente variável, e, a modulá-las, terá outras de período ainda mais longo... .
A razão dos meus comentários deve-se ao facto de ter elaborado já há uns anos atrás, um algoritmo isolando 3 ou 4 variáveis (depende da definição que se lhe queira dar...) do sistema capitalista tal como este é entendido pela totalidade dos seus observadores.
Com esse algoritmo (elaborado para uma simulação iteractiva em computador) julgo poder demonstrar a relação directa entre (a) a queda tendencial da taxa de lucro, (b) a taxa de refluxo ou FBCF e (c) o período de tempo observado (pela história e estatísticas dos vários países industrializados) para as ondas Kondratieff.

4.O que designamos por capitalismo, porém, não se reduz a um mero sistema económico, e, muito menos, a um sistema económico restrito às relações de troca livremente estabelecidas no mercado. Trata-se, como todos sabemos, de um sistema económico-social, cuja esfera política exerce uma influência importante no comportamento dos actores no mercado. Etc...
Não podia estar mais de acordo... E só quero chamar a atenção para que é justamente este facto (que o capitalismo, porém, não se reduz a um mero sistema económico, e, muito menos, a um sistema económico restrito às relações de troca livremente estabelecidas no mercado) que a maioria dos economistas convencionais procura púdicamente ignorar, ou deixar de lado. O que não é economia de mercados (em particular os "mercados" financeiros...), são externalidades. E por isso continuam a achar que o sistema capitalistas é um sistema aberto, tirando daí as ilações lógicas (e ideológicas) mais convenientes.

5. Por fim, uma questão mais geral, que me parece transparecer das intervenções de V. Ex.ª. Pelo facto de uns se desenvolverem e outros não, ou se desenvolverem a ritmos diferentes, a culpa é atirada por inteiro para o capitalismo. Este é um discurso próximo da cantilena comunista, na qual o capitalismo é o causador de todos os males da humanidade, e que remete para um qualquer desarranjo intelectual.
Desculpar-me-á, mas "isto" é fazer processo de intenções.
Não sei o que se entende por "cantilena comunista", mas é hoje um dado consensual entre os peritos do PNUD (para indicar uma só agência das Nações Unidas), de que os chamados "Structural Adjustment Programs" - instrumento paradigmático do capitalismo tardio - impostos pelo Washington Consensus em particular aos países da África Sub-Sahariana, pura e simplesmente deram cabo daquilo tudo...
Quanto ao facto de eu dizer que países como a Nigéria, a Indonésia ou as Filipinas não mais se poderão desenvolver mais e/ou melhor "em regime capitalista" (como que numa réplica histórica do que aconteceu com os países do Noroeste da Europa e Nordeste dos EUA ao longo do século XIX), ser próximo da "cantilena comunista", bom...
Trago de novo a colação a tal estória dos sistemas "abertos" e "fechados"...
Mas parece-me, em todo o caso, que o sr. Laranja, ao reconhecer que o capitalismo promove o desenvolvimento desigual, é um facto, deverá também ser capaz de tirar daí as ilações logicas que se impõem. Aquilo que lhe sugiro é que procure transpôr o raciocínio de "países" para "classes sociais" (cantilena comunista?...)
Se assim fizer, facilmente verifica que a "nomenklatura" petrolífera de países como o Gabão ou a Nigéria pouco ou nada têm a ver com os respectivos países. Fazem parte da élite do "primeiro mundo".
É por isso que eu digo que aqueles países já se desenvolveram o que tinham que se desenvolver...
E os variadíssimos exemplos que se conhecem só vêm confirmar a minha (e não só, claro) asserção.
Casos exemplares (paradigmáticos) serão a África do Sul, da Argentina e da Coreia do Sul e o seus respectivos modos de inserção no sistema capitalista ao longo dos séculos XIX e XX.
Cordiais saudações,
Gilherme Statter

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Subject Author Date
Re: Posso meter uma colherada? -Luis Laranja11/01/05 18:10:12


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