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Subject: Re: A Crítica dos Pequeno-burgueses


Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 20/12/04 12:27:22
In reply to: João Aguiar 's message, "Crítica do socialismo pequeno-burguês: o caso BE" on 19/12/04 23:28:08

O voluntarismo de certas pessoas ou grupos , a ansiedade com que olham a história e o protagonismo que nunca mais lhes é facultado, leva-os a passar por cima das realidades.
Globalização ,neoliberalismo,regressão civilizacional a par da imposição através dos Media de uma pseudo cultura de massas ,baseada no culto da violência gratuita ,da competitividade cega ,do sensacionalismo barato ,da banalidade pretensiosa , declinam a ética na vida quotidiana e retiram aos povos possibilidades combativas e de consciência política e de classe geram um sentimento de apatia generalizada...

Para eles ,estas realidades são de somenos;querer é poder realizar. Condições objectivas e subjectivas ? Lénin ? Não para eles a revolução é amanhã.Os pequenos combates persistentes ,a luta contra a desinformação, o esclarecimento sistemático é desvalorizado.


Boa Piada Ó Aguiar.






>Este artigo confronta algumas das teses que o Bloco de
>Esquerda aprovou na sua última Convenção Nacional em
>2003 (sempre entre aspas), com o que o autor considera
>serem alguns princípios mínimos de orientação política
>revolucionária. Digo desde já, para evitar confusões,
>que a minha orientação científica e política baseia-se
>no marxismo clássico, que nada tem que ver com as
>correntes de esquerda supostamente marxistas como o
>BE, PCP, RC ou a CGTP.
>
>
>I - "O século XXI está a ser inaugurado a ferro e fogo
>pela guerra, mas também por uma nova fractura que
>marca a entrada do Povo do mundo na política global”
>
>O Bloco de Esquerda (BE), na resolução política da sua
>convenção nacional de 2003, procura convencer-nos que
>Bush, Rumsfeld e Wolfowitz realizaram um putsch e
>estão a impor um "poder mundial sem regras nem
>regulação". O que é preciso é um Estado 'democrático'
>e legítimo que deixe uma certa pequena-burguesia e
>alguns intelectuais possam readquirir o seu direito
>consuetudinário a um lugar, perdido na última vaga de
>rearranjo do bloco no poder, no aparelho de Estado. A
>esses guerreiros de Washington, que não cumprem a
>legalidade, que recusam o Tribunal Penal
>Internacional, que ditam a "vontade imperial de um
>mundo sem lei", há que responder com a defesa do
>direito internacional, do desenvolvimento sustentável
>e dos Direitos Humanos (como o direito à propriedade;
>o direito ao trabalho, dixit, a ser explorado; o
>direito à liberdade religiosa, quer dizer, a ser
>alienado). Portanto, o Bloco espera poder controlar o
>imperialismo através da lei ... que o próprio
>imperialismo criou!! Na verdade, este pacifismo
>diplomático e serôdio entre as grandes potências é um
>libelo a uma nova espécie de ultra-imperialismo que
>faria de Kautsky um revolucionário!
>
>II - "O capitalismo neo-liberal é hoje o capitalismo
>realmente existente. A guerra como projecção de força
>imperial só pode ser compreendida como suporte da
>globalização neo-liberal. Esta é a segunda grande
>mudança que estrutura o nosso mundo"
>
>O imperialismo USA acabou com os acordos de Bretton
>Woods o que desestabilizou "as políticas económicas
>dos governos no quadro de cada Estado-Nação". Então, o
>sistema entrou numa crise de lucratividade na
>extracção de valor e passou a privilegiar a burguesia
>financeira parasita, ao passo que a burguesia
>industrial e sua congénere aliada da pequena-burguesia
>intelectual são destronadas. O problema para o Bloco é
>o mercado livre, não a existência de trabalho
>assalariado; o problema para o Bloco não é o Estado,
>mas a passagem de serviços públicos para a esfera
>privada, tidos como um suporte democrático pleno.
>Por outro lado, a "Nova Europa" é péssima porque tem
>ocorrido um "alinhamento subordinado da União Europeia
>aos desígnios imperiais da administração
>norte-americana". Há que defender a autonomização da
>Europa, afirmam. Por outras palavras, venha então a
>Europa para se juntar à pilhagem e ao devastar da
>periferia! Portanto, a Europa tem é de demonstrar a
>sua veia civilizadora, adoptar a Taxa Tobin e impor
>uma exploração da força de trabalho com mais direitos!
>Sobre a propalada e actual "regressão civilizacional"
>a ser corrigida, o Império Britânico e as duas guerras
>mundiais atestam esse amor do capital europeu pela
>pessoa humana e pela paz. Quanto à Taxa Tobin, ela só
>demonstra a fidelidade da camarilha bloquista ao
>keynesianismo, ao proporem o controlo dos capitais
>provenientes das transacções cambiais, porque senão a
>bolha financeira rebenta, as crises estalam, o
>proletariado sai à rua e... ai Jesus!
>Por outro lado, a concepção bloquista acerca da UE é
>tão revolucionária que omite o perigo da criação de um
>exército europeu!!
>
>III - "O movimento por uma globalização alternativa
>tem representado a única resposta mundial ao
>neo-liberalismo armado. Um novo protagonista social e
>político nasceu e com ele, a política deixa de correr
>para o centro e para a direita."
>
>Que o povo global não passa de um sarrabisco de uma
>sociedade ideal em que empresários, gestores e
>operários viverão felizes para sempre e serão
>explorados (ou vão explorar) com os mesmos direitos
>como cidadãos de corpo inteiro, disso já sabíamos. O
>que ficamos a saber é que a "heterogeneidade [que é
>nenhum mal em si] do movimento não o subordina a
>nenhum comando político nem a uma qualquer
>hierarquização táctica", o que demonstra, pelo menos,
>duas coisas: 1) o abandono da primazia da luta de
>classes, de acordo com a equiparação entre a luta
>operária (mesmo que reformista) e a luta pela
>legalização da maconha; 2) a rejeição de um partido
>proletário que coordene política e ideologicamente um
>movimento social amplo.
>
>IV - "De 1960 até hoje, Portugal mudou muito e muito
>depressa, tornando o país irreconhecível. Essa
>transformação social foi profunda mas não superou
>atrasos históricos decisivos: apenas os transportou no
>tempo".
>
>Muito resumidamente, o Bloco diz que Portugal é um
>país em crise apenas porque ganhamos pouco, o
>analfabetismo grassa nas massas e a estrutura de
>classes portuguesa ainda não se modernizou (as classes
>médias – gestores e supervisores qualificados, segundo
>a terminologia do Bloco, têm crescido mas não o
>suficiente). A questão é que estes rebeldes bloquistas
>esquecem que Portugal sofre os efeitos da lei do valor
>mundializado que submete o desenvolvimento da
>periferia aos objectivos de acumulação do centro,
>acabam por não colocar nada disto em causa, ocultando
>que esta polarização da riqueza à escala mundial é que
>é a obreira do atraso português e não era um governo
>Sócrates + Louçã + (Jerónimo) que ia dar a volta a
>isto.
>Há ainda uma nota deliciosa nesta tese. Então não é
>que o "proletariado industrial constitui uma grande
>minoria da massa dos trabalhadores"! Segundo os
>próprios Censos 2001 (que nem sequer consideram os
>operários dos transportes ou vários proletários
>intelectuais ligados às novas tecnologias como...
>operários, já para não falar dos desempregados ou dos
>milhares de imigrantes ilegais) os operários
>industriais andavam à volta dos 30% da população
>empregada portuguesa. Daqui a ser uma grande minoria
>há uma grande diferença!
>
>V – “O Bloco de Esquerda bate-se por uma plataforma de
>convergência das oposições e da luta social opondo à
>modernização conservadora uma política de modernização
>democrática capaz de ganhar a maioria do país”
>
>O que é preciso é uma política de esquerda, que junte
>os cidadãos honestos, que se comprometam com a
>edificação de “uma democracia social elementar”! Nada
>de lutar contra a exploração e para que os
>trabalhadores tomem em suas mãos os meios de produção
>e todo um conjunto de saberes técnicos e sociais de
>controlo das formas de produção da existência humana.
>Dizem-nos, temos é de modernizar, estabelecer o pleno
>emprego e ampliar os “serviços não-mercantis ao dispor
>de todos os cidadãos”. Por outras palavras, estamos
>perante uma política de vistas curtas e de conciliação
>de classes, em que a palavra é dada ao proletariado
>para poder ser explorado com mais qualificações e
>pague menos na conta do telefone! De facto, para
>iludir os trabalhadores e ajudar à venda da força de
>trabalho no mercado a um preço ligeiramente superior,
>nada melhor do que uma “política de esquerda
>socialista moderna”!
>
>VI – “Em Janeiro de 2000, o BE assumiu
>estatutariamente a sua condição de movimento político
>plural empenhado na perspectiva do socialismo como
>expressão da luta emancipatória da Humanidade contra a
>exploração e a opressão”.
>
>Claro que o BE tem de manter uma certa verborreia
>pseudo-radical como o uso de expressões “a organização
>da produção pelos próprios produtores” ou “o
>socialismo propõe assim uma ruptura com a civilização
>capitalista”. Não sei se isto é escrito em ordem a
>manter qualquer tipo de rituais salvíficos de louvor
>religioso ao socialismo por quem há muito mudou da
>cruz e do martelo para o cifrão, ou se é para
>continuar a semear ilusões nos militantes ou em
>marxistas sem porto partidário. O certo é que o
>socialismo do BE é “o programa de redistribuição de
>oportunidades e de recursos que é a base da devolução
>do poder à democracia.” Desconstruindo isto, vemos que
>o capitalismo é mau porque o mercado promove
>desigualdades de oportunidades e de acesso a alguns
>bens (estas parecem mais umas considerações políticas
>de Weber sobre a democracia burguesa do que
>proposições de quem se afirma marxista, até porque
>identifica capitalismo com mercado, que é o discurso
>oficial da burguesia triunfante). Ora, esta é uma
>análise no plano fetichista da troca, do capitalista
>que compra a força de trabalho do operário, que a deve
>vender nas mesmas condições com que o outro a compra.
>Sobre o plano decisivo da produção – desapropriação
>dos meios de trabalho e, por conseguinte, do
>respectivo produto do trabalho – nada! Por outro lado,
>sobre poder operário, derrube da burguesia ou
>revolução socialista, nem uma linha!
>“O socialismo define-se assim como processo e
>estratégia de desenvolvimento de uma sociedade
>orgânica e politicamente plural, que defende a
>liberdade de expressão e de organização
>pluripartidária e que será democrática ou não será
>socialista”.
>O socialismo para o BE é, assim, construído a partir
>de categorias burguesas (multipartidarismo, liberdade
>de expressão, sociedade orgânica e plural...).
>Contudo, o socialismo não é uma mera questão da
>expressão multifacetada de tendências partidárias em
>luta pelas prebendas que o Estado oferece, mas a
>destruição do aparelho de Estado burguês e sua
>substituição por um sistema de conselhos operários,
>que para além de orgãos de poder político proletário
>(portanto completamente excludentes de qualquer tipo
>de acção política por parte da burguesia), terão de
>recusar essa concepção da sociedade orgânica. Quer
>dizer, a superação da divisão técnica e social do
>trabalho é um imperativo necessário para que os
>caminhos da emancipação humana sejam desbravados!
>É isto o socialismo ou não será nada!
>
>VII – “O Bloco tem respondido às exigências de uma
>luta política intensa, ganhou confiança e protagonismo
>e começou a construir a sua intervenção social.”
>
>O mesmo é dizer que o Bloco mais não é do que uma
>corrente de proposta e melhoria da sociedade burguesa,
>não constituindo qualquer alternativa a que os
>trabalhadores devam dar crédito algum! Isto porque: 1)
>não há uma crítica do Estado, mas apenas a algumas das
>suas perversões que o BE nem sequer considera
>intrínsecas ao sistema, mas como anomalias a serem
>corrigidas pelo próprio Estado burguês; 2) não há uma
>condenação do trabalho assalariado, fruto da divisão
>do trabalho e da propriedade privada, mas apenas se
>apresentam medidas de melhoria das condições de venda
>da força de trabalho no mercado; 3) não há um esboço
>que seja da construção de um partido revolucionário
>capaz de organizar politicamente a classe operária
>contra o Estado; 4) a luta de classes e a teoria da
>acção revolucionária perdem a sua centralidade a favor
>de um movimento de cidadãos = omissão dos antagonismos
>de classe.

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Replies:
Subject Author Date
Re: A Crítica dos Pequeno-burguesesJoão Aguiar20/12/04 13:05:48


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