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Date Posted: 20:52:59 04/18/05 Mon
Author: Liliane Sade
Subject: Semana 08: interlíngua

Resumo 07 – semana 08

Liliane Assis Sade Resende
Lingüística Aplicada
Profa. Dra. Vera L. Menezes de O. e Paiva
FALE – UFMG


SCHUMANN, J.H. The pidgnization hypothesis. In; HATCH, E.M. Second language acquisition:a book of readings. Rowley, MA: Newbury House, 1978. p.256-271


Neste artigo, Schumann apresenta os resultados de uma pesquisa realizada com um Costa Riquenho de 33 anos de idade, chamado Alberto, que é imigrante nos Estados Unidos. O foco da pesquisa foi verificar a aquisição de negativas, perguntas com “wh” e uso de auxiliares. A análise da aquisição dessas estruturas revelou um padrão de desenvolvimento que consistiu em dois estágios: não diferenciação e diferenciação. Durante toda a pesquisa, Alberto se manteve apenas no primeiro estágio e seu uso do inglês foi caracterizado por uma forma reduzida e simplificada da língua, próxima à linguagem pidgin. Na tentativa de se saber o porquê deste baixo desenvolvimento no continuum da interlíngua, Schumann propôs três possíveis explicações: idade, habilidade (aptidão) e distância social e psicológica. Após descartar as duas primeiras, Schumann considera que a linguagem pidiginizada de Alberto está associada às funções da língua, conforme propostas por Smith (1972): comunicativa (língua usada apenas para comunicação), integrativa (língua usada para fazer parte de um grupo social) e expressiva (língua usada para demonstrar virtude lingüística). Para Schumann, como Alberto necessitava de usar a língua apenas para as funções comunicativas, não desenvolveu no continuum da interlíngua.
Para tentar explicar as possíveis causas para essa restrição a uma função lingüística, o autor propõe as distâncias social e psicológica entre o aprendiz e os falantes da língua alvo. A primeira diz respeito ao indivíduo como membro de um grupo e a segunda ao indivíduo como indivíduo. Schumann discorre sobre os fatores que podem causar distância social: dominância, padrão de interação (assimilação, aculturação ou preservação), grau de fechamento (o grau em que os dois grupos freqüentam as mesmas instituições sociais); coesão (grau em que falantes da L1 e L2 socializam juntos); tamanho do grupo dos falantes da L1; incongruência cultural, atitude (se existem estereótipos étnicos) e tempo de residência previsto. Quanto maior a proximidade entre os dois grupos sociais, maior a exposição ao input e maior a aquisição. Com relação à distância psicológica, Schumann discorre sobre o choque lingüístico, choque cultural, motivação e fronteiras do ego. Quanto menor a distância psicológica, maior a probabilidade de se transformar o input em intake.
Schumann aborda também o efeito da instrução formal. No caso de Alberto, o autor observa que sua linguagem pidginizada era suficiente para que ele exercesse as funções comunicativas, logo ele não se interessou pela instrução formal. Para testar o efeito que a instrução formal poderia exercer sobre a interlíngua de Alberto, Schumann o submeteu a um período de instrução, no qual os aspectos observados na pesquisa (negativas, perguntas e uso de auxiliares) foram trabalhados. A conclusão final a que o autor chegou foi que o efeito da instrução foi verificado apenas nas atividades artificiais (pedagógicas) preparadas para testar estas estruturas. No discurso espontâneo, a instrução foi irrelevante. Schumann verifica que a instrução não é suficiente para superar o processo de pidginização causado pelas distâncias social e psicológica.
Schumann procura estabelecer os processos cognitivos que poderiam estar atuando na pidginização de Alberto. Para tanto, o autor cita os trabalhos de Kay & Sankoff (1974), Smith (1973) e Corder (1975) e observa que a linguagem pidginizada é característica dos estágios iniciais de aquisição e resulta de restrições cognitivas. Essa linguagem persiste por causa das distâncias social e psicológica. Finalmente, Schumann conclui seu artigo sugerindo metodologias para testar a hipótese da pidginização.


ELLIS, R. Second language acquisition. Oxford. Oxford University Press, 1997. p.31-71

Neste texto, Ellis procura estabelecer o conceito de interlíngua e, citando diversas pesquisas sobre esse tema, ele tenta abordar as variáveis envolvidas nesse processo. Antes de aprofundar as questões da interlíngua o autor descreve, brevemente, as teorias Behaviorista e Mentalista com o intuito de verificar os pontos da primeira que são criticados pela segunda. Em seguida oferece o conceito de interlíngua advindo da teoria mentalista. O termo interlíngua, cunhado por Selinker, diz respeito a um sistema lingüístico único que combina estruturas da L1 e da L2. Este conceito envolve as seguintes premissas: o sistema de regras é visto como uma gramática mental, essa gramática é permeável (aberta à influência externa e interna – inata), é um processo em transição (no continuum da interlíngua), reflete o uso de estratégias pelos aprendizes (essas estratégias podem ser verificadas pela observação dos erros dos aprendizes), tende a fossilizar. Além dessas premissas, o autor discute a variabilidade da interlíngua. Para alguns pesquisadores, a interlíngua é caracterizada pelo uso de regras variáveis pelos aprendizes. Para outros, no entanto, a interlíngua é um sistema homogêneo; a variabilidade está associada à performance e não à competência.
Em seguida, o autor apresenta um modelo computacional de aquisição da L2. Esse modelo foi criado na Psicolingüística e sugere que a mente humana funcione como um computador. O autor descreve como o aprendizado ocorre dentro deste modelo: a parte do input que é armazenado na memória curta representa o intake. A parte do intake que é armazenada na memória longa forma o conhecimento. Os processos usados para transformar input em intake e em conhecimento são mentais e não observáveis. Infere-se o seu funcionamento a partir do comportamento externo, da performance. O último estágio é o uso do conhecimento adquirido para produzir output.
Ellis observa que o modelo computacional carece do componente social representado pelo contexto social. Sendo assim, no capítulo 4, o autor descreve as pesquisas que tentaram estudar a influência do contexto social sobre a interlíngua. Isso foi feito com três abordagens diferentes.
A primeira abordagem vê a interlíngua como um processo que varia de acordo com estilos diferentes e de acordo com condições diferentes de uso da língua (interlíngua como um continuum estilístico). O autor descreve o trabalho de Tarone que sugere uma variabilidade lingüística da interlíngua de acordo com um continuum entre os estilos cuidadoso e vernáculo de uso da língua. O autor aponta seus pontos positivos e suas carências. Ellis descreve também o modelo de acomodação de Giles que se refere a como o grupo social do aprendiz influencia o curso da SLA. A idéia central deste modelo é a acomodação social, ou seja, a convergência e divergência entre os grupos de aprendizes e o de falantes da língua alvo. Os fatores sociais influenciam o desenvolvimento da interlíngua através do impacto que eles têm sobre as atitudes do aprendiz. Eles influenciam o ritmo e a rota da aquisição.
A segunda abordagem utilizada procura estudar como os fatores sociais determinam o input usado pelos aprendizes para construir a interlíngua. O autor descreve o modelo de aculturação de Schumann, segundo o qual as distâncias social e psicológica determinam a quantidade de input recebido, bem como sua transformação em intake. Logo, determinam até que ponto a aquisição irá ocorrer e até que ponto da interlíngua o aprendiz vai desenvolver de acordo com as funções lingüísticas que ele deseja exercer. O autor aponta algumas críticas a esse modelo.
Finalmente, a terceira abordagem procura identificar como as identidades sociais dos aprendizes configuram suas oportunidades de input. O autor descreve o modelo teórico de Bonny Peirce que diferencia as noções de “estar sujeito a” e “ser sujeito de”. A autora trata das identidades sociais construídas em termos das relações de poder que regem as relações sociais. A identidade social é múltipla e contraditória. A aquisição de L2 envolve as metáforas da “luta” e “investimento”. O aprendizado acontece com sucesso quando os aprendizes são capazes de construir uma identidade que os faz serem escutados e se tornarem agentes do discurso. Isso requer investimento que só será feito se o aprendizado implicar em aumento do capital cultural.
Ellis observa que os modelos teóricos que tentam considerar a influência do fator social sobre a interlíngua procuram verificar a velocidade da aprendizagem e o último grau de proficiência atingido. Além disso, esses estudos foram realizados em situações de aprendizado de segunda língua. O autor observa que no caso de aprendizado de língua estrangeira, esses fatores podem ser menos relevantes.
No capítulo 5, Ellis trata dos aspectos do discurso da interlíngua. As pesquisas de interlíngua nessa área procuraram (1) tentar descobrir como os aprendizes de L2 adquirem as regras do discurso da L2, assim como adquirem as regras da gramática e (2) como as interações definem o desenvolvimento da interlíngua.
No primeiro grupo, Ellis observa que existem regularidades na forma como os falantes nativos mantêm a conversação e os aprendizes da L2 podem não saber essas regras o que causa uma falha no processo comunicativo. Ellis sugere que, até certo ponto, a aquisição das regras do discurso é sistemática e feita em seqüências de desenvolvimento. Algumas dessas regras são universais e outras específicas a cada cultura.
O papel do input e da interação na SLA foi verificado por diferentes posições teóricas. Na visão behaviorista, o aprendizado é determinado pelo meio-ambiente via input em forma de estímulo que gera uma resposta. Já as teorias mentalistas enfatizam a importância dos mecanismos internos do aprendiz e reduzem a importância do input externo a um mero mecanismo para ativar o conhecimento interno do aprendiz. A perspectiva interacionista, por sua vez, sugere que os falantes modificam seu discurso quando comunicam com aprendizes. Essas modificações de input foram estudadas através do estudo de como falantes nativos modificam sua fala para conversar com o estrangeiro. Essas modificações podem ser não gramaticais e socialmente marcadas, o que gera um desconforto para o estrangeiro e gramaticais através de uma diminuição da velocidade da fala, simplificação de input, regularização de input (uso de formas básicas) e elaboração mais completa de sentenças. Em uma interação quando o aprendiz ou estrangeiro não entende, há a necessidade de negociação de significado para tornar o input compreensível. A forma como essa negociação contribui para o aprendizado foi explorada nos trabalhos de Krashen (hipótese do input) e Long (hipótese da interação). Ambos os modelos enfatizam a importância do input causado pela negociação de significado para a aquisição.
Um outro estudo descrito por Ellis é o modelo teórico de Hatch que enfatiza o fator colaborativo através do “scaffolding”. Este modelo é baseado na teoria da atividade de Vygotsky a qual propõe as noções de motivo (definição de objetivos), internalização (resolver um problema com a ajuda de um falante mais proficiente) e zona de desenvolvimento proximal criada através da interação entre aprendiz e os falantes mais proficientes. De acordo como o modelo de Vygotsky, o desenvolvimento se manifesta primeiro na interação social e depois dentro do aprendiz. Sendo assim a construção social do conhecimento da L2 é condição para o desenvolvimento na interlíngua.
Ellis descreve as pesquisas que procuraram verificar o papel do output no desenvolvimento da interlíngua. O autor comenta o papel secundário do output no modelo teórico de Krashen e seu papel fundamental na teoria de Swain. Swain apresenta diferentes maneiras pelas quais o aprendiz pode aprender a partir do output: pela conscientização a respeito de falhas na interlíngua, por possibilitar que os aprendizes possam testar hipóteses sobre o uso da língua e por ajudar os aprendizes a identificar problemas quando falam sobre seu output.
No capítulo 6, Ellis trata dos aspectos psicolingüísticos da interlíngua. O autor comenta sobre o papel da transferência lingüística, o papel do aprendizado consciente, as operações para processamento do conhecimento e as estratégias de comunicação. Com relação ao papel da transferência, Ellis comenta a visão negativa da mesma na teoria Behaviorista, a qual considera que a influência da L1 causa interferência negativa na aquisição da L2. Através de análises contrastivas, procurava-se detectar os aspectos que poderiam causar mais erros de interferência. Por outro lado, nas teorias mentalistas, a influência da L1 sobre a L2 foi revista. Larry Selinker desenvolve a teoria da interlíngua na qual ele analisa a transferência lingüística por um prisma cognitivo. A transferência da L1 é um processo mental usado pelos aprendizes para construir hipóteses sobre a L2 (é o input procedente do interior do aprendiz - estratégia). Além disso, é também responsável pela fossilização. Por esse novo prisma, a transferência deixa de ser negativa e passa a ser positiva e estratégica. Teóricos como Eric Kellerman propõem que a transferência é controlada por restrições cognitivas como a percepção do aprendiz e o estágio de desenvolvimento do aprendiz. Foi observado que nos estágios iniciais da aprendizagem é mais possível de se ter a transferência. Finalmente Ellis propõe que o desenvolvimento da interlíngua não é um contínuo sendo reconstruído com transferência gradual de estruturas da L1 pelas da L2 e sim um sistema lingüístico único construído pelas regras do aprendiz que em alguns casos, usam a L1 para inferir sobre a L2. Ellis propõe ainda que a metáfora da transferência é inadequada para explicar a influência da L1 sobre a L2.
O papel do aprendizado consciente na aquisição da língua é comentado a seguir. Duas posições opostas são apresentadas pela teoria. A primeira é a de Krashen que argumenta que a uma diferença entre aquisição e aprendizado consciente das regras. O segundo não leva ao primeiro. A segunda posição é apresentada pelas teorias de construção de habilidades, as quais sugerem que a aquisição ocorra a partir do aprendizado consciente de regras gramaticais que são automatizadas pela prática. Richard Schimidt aborda o conceito de consciência e sugere que este conceito envolve a consciência como intencionalidade – a intenção de aprender que se contrasta com a aprendizagem incidental que Krashen argumenta ser a aquisição; e a consciência como atenção – a percepção das formas lingüísticas do input. Esta segunda posição diz respeito ao aprendizado explícito que contrasta com o implícito. Ellis cita algumas formas em que o conhecimento explícito das regras pode ajudar no desenvolvimento do conhecimento implícito. O papel e importância do aprendizado explícito ainda não foram determinados nas teorias da Psicologia e ainda representam um ponto polêmico nas discussões teóricas.
As operações de processamento lingüístico são divididas, segundo Ellis, em duas correntes teóricas: princípios de operação e restrições de processamento. Enquanto o primeiro grupo se preocupa em estudar as estratégias usadas pelas crianças para processar o conhecimento lingüístico, de forma linear, a partir da linguagem que elas ouvem, o segundo grupo se baseia em um modelo teórico (teoria multidimensional) que propõe uma distinção entre um eixo de desenvolvimento e um variacional. O progresso no eixo de desenvolvimento é conseguido através de restrições processuais. O movimento no eixo variacional é devido a fatores sócio-psicológicos.
A seguir Ellis discorre sobre as estratégias de comunicação usadas quando há falhas de conhecimento. O autor cita o modelo de Faerch e Kasper que divide a produção discursiva em duas fases: a de planejamento e a de execução. Selinker observa que a escolha de estratégias está atada ao estágio de desenvolvimento da interlíngua.
O autor descreve as duas correntes de modelos computacionais que tentam explicar o processamento mental: o processamento serial e o processamento distribuído e paralelo.
Finalmente no capítulo 7, Ellis trata dos aspectos lingüísticos da interlíngua e observa que a partir de estudos realizados com sentenças relativas, foi possível perceber que as diferenças lingüísticas influenciam o grau de dificuldade com que algumas estruturas são aprendidas. Além disso, a estrutura lingüística influencia como a aquisição ocorre (construções típicas são adquiridas primeiramente). O autor discorre sobre a hierarquia de acessibilidade que diz respeito a uma hierarquia de relativização lingüística. Essa hierarquia demonstra como a Lingüística e a SLA podem contribuir uma com a outra. Os fatos lingüísticos podem ser usados para prever a aquisição e os resultados dos estudos empíricos da aquisição podem ser usados para refinar o entendimento dos fatos lingüísticos.
Ellis discorre sobre a gramática universal (princípio geral que governa as línguas com uma variabilidade cross-lingüística) e o modelo de aprendizagem de Chomsky (inatismo e LAD). O autor comenta a hipótese do período crítico segundo a qual a aquisição ocorre até a puberdade apenas e argumenta que pesquisas recentes comprovam que após a puberdade, a aquisição também pode ocorrer. O autor apresenta as diversas posições teóricas a respeito do acesso à gramática universal e encerra seu texto comentando sobre o conceito de markedness dentro do modelo Chomskyano.

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