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Date Posted: 08:12:21 03/07/05 Mon
Author: Liliane Assis Sade
Subject: Semana 02: Controversies in Apllied Linguistics

Resumo 01

Liliane Assis Sade Resende
Lingüística Aplicada
Profa. Dra. Vera L. Menezes de O. e Paiva
FALE - UFMG

SEIDLHOFER, Bárbara (ed). Controversies in Applied Linguistics. Oxford: Oxford University Press, 2003. p.269-323.

Este texto apresenta alguns trabalhos constantes da edição realizada por Seidlhofer em seu livro “Controversies in Applied Linguistics”. Em um primeiro momento, a autora reconhece a posição da LA como uma área institucionalizada da pesquisa acadêmica e traça um breve histórico da mesma. Começando pelo final dos anos 40 quando a LA recebeu seu reconhecimento nominal e abrangia apenas as áreas de ensino de línguas e tradução e citando a criação de seus primeiros institutos e congressos internacionais, a autora discorre sobre os avanços da LA, que hoje abrange uma diversidade significativa de áreas de estudo. Esta diversidade gera questionamentos tais como: que áreas da LA já foram amplamente estudadas e qual seria o critério uniformizador para estabelecer que áreas do conhecimento estariam incluídas ou não na LA. Para tentar responder a tais questionamentos, a autora sugere que um dos pressupostos para definição da LA seria o de que a lingüística, de alguma forma, oferece insights relevantes para o domínio da prática de uso da língua. Mas essa relevância da lingüística, bem como a necessidade de seus insights, é questionada pelos diversos teóricos da área. O que parece ser comum a todas as subáreas da LA, segundo a autora, é o foco na linguagem e a relação entre teoria e prática. Para a discussão sobre o que é e qual a área de abrangência da LA, a autora apresenta um texto polêmico de Ben Rampton que motivou um debate teórico entre este autor e dois outros autores: Brumfit e Widdowson. As questões propulsoras deste debate giram em torno da relação teoria e prática e da mudança de paradigmas teóricos e metodológicos para definir a LA.
Rampton, em seu texto, propõe uma nova posição para a LA que questiona sua dependência teórica à Lingüística Geral. Para ele, a LA seria uma área multidisciplinar e que deveria estabelecer um diálogo teórico e metodológico com outras áreas do conhecimento. O autor critica a afirmação de Corder de que a LA seria apenas um campo de aplicação da LG e estabelece uma diferença entre o que vem a ser “Linguistics Applied” e “Applied Linguistics”, estando o primeiro termo vinculado à visão de Corder e o segundo constituiria uma nova visão sobre o papel da LA, que de acordo com o autor deveria assumir o status de “socialmente constituída” assim como propõe Hymes em 1972. Alguns pontos polêmicos do texto de Rampton foram: (1) a crítica feita a Widdowson que estaria propondo uma divisão entre teoria e prática, associando a segunda à pedagogia. (2) Rampton critica Brumfit e Widdowson de reduzir a LA à mera aplicação da Lingüística ao ensino de inglês e de língua estrangeira. (3) Rampton argumenta a favor de uma nova postura científica que questione o papel preponderante das ciências naturais e tradicionais para a pesquisa e sugere que esta última seja realizada pela incorporação de uma visão crítica da ciência, na qual o discurso de diversas outras áreas do conhecimento e até mesmo o discurso do homem comum se façam ouvir no discurso acadêmico. (4) Rampton advoga a favor de quatro dimensões da língua a serem consideradas: a diversidade lingüística, o meio (oral ou escrito), a estrutura e a função lingüística. Com esta visão, Rampton se coloca em consonância com as propostas teóricas de Hymes e Bersnstein e propõe uma crescente atenção sociológica ao discurso. Este novo paradigma teórico que questiona o papel das ciências naturais implica também em um novo paradigma metodológico que busca desenvolver uma abordagem interpretativa para o entendimento do homem enquanto socialmente construído. O autor considera Brumfit e Widdowson como generalistas uma vez que, segundo Rampton, eles associam a LA ao ensino de LE e SLA. Citando Coupland e outros autores posteriores a ele, Rampton advoga a favor da necessidade de uma LA ideológica, social e culturalmente construída e não de uma LA autônoma e centralizada.
A primeira resposta ao texto de Rampton foi dada por Brumfit que discorre sobre como o conhecimento advindo da ciência, a metodologia empregada e as fronteiras da LA podem ser consideradas metafóricas em determinado momento e de acordo com a visão do pesquisador. Quanto ao rótulo de “generalista”, Brumfit argumenta que a investigação científica em dado momento sempre requer um ou diversos graus de especialização e essa necessidade de especialização não deve ser confundida como uma postura generalista. Brumfit argumenta que diferentes práticas requerem diferentes visões dos elementos significativos da experiência literária e diferentes posturas metodológicas. O autor considera que os lingüistas aplicados não são meros aplicadores das teorias lingüísticas. Para ele, os lingüistas investigam a língua como fenômeno e os lingüistas aplicados investigam a língua como prática. Uma área depende da outra. Brumfit reconhece ainda a necessidade da contribuição interdisciplinar para o entendimento da prática lingüística, mas considera que essas áreas multidisciplinares devem estar conectadas à realidade através de um comportamento centrado em uma área de estudo do conhecimento. O autor esclarece que não associa a LA apenas ao ELT e SLA, estes são apenas alguns exemplos, nos quais ele trabalhou dentro da LA. O autor critica Rampton também por não prestar deferência ao conhecimento acadêmico, crítica essa também levantada por Widdowson no seu texto-resposta a Rampton. Para Widdowson, a racionalidade do conhecimento científico advindo da academia é condição essencial para validar a pesquisa científica.
Uma segunda crítica de Widdowson a Rampton é a incorporação de outros discursos à pesquisa em LA. Para o autor, a apropriação de partes dos discursos de outras disciplinas é uma atitude parcial e ideológica na qual o pesquisador só se apropria da parte do discurso que lhe convém. A apropriação de outras vozes é também perigosa para o caráter científico da pesquisa. O argumento de Rampton de que a pesquisa deveria se descentralizar da academia e incorporar as vozes do homem comum tira, segundo Widdowson, o rigor da pesquisa. Neste ponto da discussão teórica, a relação validade e utilidade é evidenciada, com Rampton argumentando que a utilidade é tão importante quanto a validade e que há outras formas de validação científica alternativas para a pesquisa interpretativa e Widdowson reafirmando a necessidade da racionalidade acadêmica para a validação da pesquisa.
Outro ponto criticado por Widdowson foi o uso do termo proposto por Hymes – lingüística socialmente construída para justificar uma pesquisa fora da academia. Widdowson considera errônea a interpretação de Rampton da proposta de Hymes. Outra crítica de Widdowson focou a relação teoria e prática. Para ele, a busca pela aplicabilidade da teoria deve existir, mas a prática não deve conduzir a teoria.
Em resposta a Widdowson, Rampton o acusa de construir posições binárias que não levam em consideração toda a complexidade do processo da pesquisa. Rampton aponta as dicotomias entre utilidade x validade; parcialidade como seletividade x parcialidade como tendenciosa; ciência x experiência do dia-a-dia; Sociologia x Lingüística. Para justificar seu posicionamento ideológico quanto à racionalidade da pesquisa científica, Rampton cita Hannerz que a partir de uma citação de Gouldner distingue entre dois tipos de pesquisadores: os intelligentsia e os intellectuals. Os primeiros estariam centrados em uma disciplina autônoma e auto-suficiente não levando em consideração todos os aspectos envolvidos em um determinado fenômeno. O segundo grupo se desvincularia do eixo central para ter uma visão mais ampla do fenômeno. Rampton associa os lingüistas ao primeiro grupo e os lingüistas aplicados ao segundo. Widdowson replica a esse posicionamento, argumentando que tanto um quanto outro são necessários e que a pesquisa científica na AL deve procurar incorporar as contribuições de outras áreas do conhecimento sem, no entanto, perder seu eixo central.
Finalmente, o que se percebe da discussão teórica desenvolvida é que muito mais do que uma definição sobre o que vem a ser a LA, questões mais complexas como a metodologia e validade da pesquisa em LA entram em cena ao se tentar definir as fronteiras e a identidade dessa disciplina.

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