| Subject: Não confunda "género humano" com "manel germano" |
Author:
Rosa Redondo
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Date Posted: 14/04/05 19:05:57
In reply to:
João Carlos o 1º
's message, "Re: O 8º Pecado Capital é o Facciosismo" on 13/04/05 1:04:04
Eu disse:
A geração que fez o 25 de Abril, teve de fazer o exame
da 4ª classe; e 10 era a nota mínima para passar.....E
não se podia dar mais do que 2 erros no ditado....
Devíamos ter vergonha do quanto andámos para trás
desde então, depois de sucessivas e atabalhoadas
reformas cheias de teorias “politicamente correctas”
O João Carlos comenta:
>E daqui se poderia concluir que no tempo do fascismo,
>então sim, a escola sabia ensinar!!!
>Ensinava Salazar, Deus, Pátria, Autoridade. Mas será
>então esse o tipo de escola que a Rosa gosta?
Vade retro!!! Por favor, João Carlos, não confunda "Manel Germano" com "género humano"!!
Continua depois:
>A Rosa esquece um aspecto fundamental. Tratava-se duma
>escola virada para as elites. E é fácil ensinar as
>elites. Felizmente a democracia abriui a escola a
>todos. Entraram na escola também aqueles que sempre
>ouviram falar mal o português em casa. Entraram na
>escola tanbém aqueles que não têm livors em casa. E
>entraram e ficaram na escola até ao 9º ano e por vezes
>até conseguiram continuar mais além. Esta alteração
>corresponde a uma revolução cultural ao nível das
>escolas. Que passaram a ter de ensinar de formas
>diferentes. Infelizmente ainda não suficientemante
>diferentes.... A escola passou a ensinar literatura a
>miúdos que nunca tinham ouvido em casa falar de
>escritores....
Não gosto de invocar exemplos pessoais; mas para que perceba o que eu quero dizer, cá vai:
Os meus pais vieram do campo trabalhar para a cidade; minha mãe sabia assinar o nome, meu pai tinha feito na tropa o exame da 3ª classe. Deve calcular o tipo de português que se falava lá em casa... E como deve imaginar, os escritores não eram tema de conversa. Livros, além dos da escola que na época eram poucos, só começou a haver aqueles que, já a frequentar o liceu, eu levava emprestados da Biblioteca Popular
Estudei de graça até ao fim do curso liceal; com isenção de propinas e bolsa de estudo. Para isso,fiz os exames da 3ª e 4ª classes e a admissão aos liceus com a nota máxima. E nunca tive em nenhum período de ano lectivo média inferior a 14 (nessa altura era de 0 a 20).
Quando terminei o 7º ano, com 18 anos, fui galardoada com um prémio que anualmente distinguia um finalista em cada distrito do país.
E fiz o curso de História na Faculdade de Letras em Lisboa com a ajuda de uma bolsa da Fundação Gulbenkian.
Como vê, a unica élite a que pertenci foi a dos bons estudantes.... Mas percebi desde o principio que tinha que lutar muito para conseguir, pois nada me seria dado de bandeja. Não fui tratada com paternalismo por vir "de baixo"; perceberam que eu valia o esforço e ajudaram-me a "subir" para o meio dos outros.
E para evitar qualquer mal-entendido: fiz parte da Pró-Associação dos Liceus e da Pró-Associação de Letras.
E também ("the last but not the least...") eu não era caso único. Entre as minhas colegas no liceu havia gente de muitos estratos sociais; todas tinhamos porém uma coisa em comum: tínhamos merecido estar ali. Porque nesse tempo havia "chumbos": por notas e por faltas...
Claro que nessa época muita gente ficava pela escola primária. E muitos "doutores" se formaram apenas porque os pais tinham dinheiro para os pôr a frequentar colégios.E isso não era bom.
A democratização da escola é uma coisa boa; não pode é servir de desculpa para paternalismos laxistas. E infelizmente muitas das politicas da educação é nessa base que funcionam. Apesar do paternalismo ser nestes casos uma forma de racismo.
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