| Subject: Re: Não confunda "género humano" com "manel germano" |
Author:
asterix
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Date Posted: 14/04/05 21:47:26
In reply to:
Rosa Redondo
's message, "Não confunda "género humano" com "manel germano"" on 14/04/05 19:05:57
-Pois mas só aqueles que poderam ir a escola, e os outro que de escola nem cheiro;quantos tiveram de abandonar para poderem comer uma refeição decente outros nunca souberam o que era uma escola.
A escola fascista não era para todos ou já se esqueceu?
Os meninos; DESCALÇOS COM FOME À ESPERA DA SOPA QUE A LEGIÃO FORNECIA AQUELE PÃO ESCURO. e os outros meninos calçados com o lanchinho que as suas mães lhes metiam na sacola éra assim a escola fascista: dona Rosa Redondo eu não posso esquecer,e a senhora?
>Eu disse:
>A geração que fez o 25 de Abril, teve de fazer o
>exame
>da 4ª classe; e 10 era a nota mínima para passar.....E
>não se podia dar mais do que 2 erros no ditado....
>Devíamos ter vergonha do quanto andámos para trás
>desde então, depois de sucessivas e atabalhoadas
>reformas cheias de teorias “politicamente
>correctas”
>
>O João Carlos comenta:
>>E daqui se poderia concluir que no tempo do fascismo,
>>então sim, a escola sabia ensinar!!!
>>Ensinava Salazar, Deus, Pátria, Autoridade. Mas será
>>então esse o tipo de escola que a Rosa gosta?
>
>Vade retro!!! Por favor, João Carlos, não confunda
>"Manel Germano" com "género humano"!!
>
>Continua depois:
>>A Rosa esquece um aspecto fundamental. Tratava-se duma
>>escola virada para as elites. E é fácil ensinar as
>>elites. Felizmente a democracia abriui a escola a
>>todos. Entraram na escola também aqueles que sempre
>>ouviram falar mal o português em casa. Entraram na
>>escola tanbém aqueles que não têm livors em casa. E
>>entraram e ficaram na escola até ao 9º ano e por vezes
>>até conseguiram continuar mais além. Esta alteração
>>corresponde a uma revolução cultural ao nível das
>>escolas. Que passaram a ter de ensinar de formas
>>diferentes. Infelizmente ainda não suficientemante
>>diferentes.... A escola passou a ensinar literatura a
>>miúdos que nunca tinham ouvido em casa falar de
>>escritores....
>
>Não gosto de invocar exemplos pessoais; mas para que
>perceba o que eu quero dizer, cá vai:
>Os meus pais vieram do campo trabalhar para a cidade;
>minha mãe sabia assinar o nome, meu pai tinha feito na
>tropa o exame da 3ª classe. Deve calcular o tipo de
>português que se falava lá em casa... E como deve
>imaginar, os escritores não eram tema de conversa.
>Livros, além dos da escola que na época eram poucos,
>só começou a haver aqueles que, já a frequentar o
>liceu, eu levava emprestados da Biblioteca Popular
>Estudei de graça até ao fim do curso liceal; com
>isenção de propinas e bolsa de estudo. Para isso,fiz
>os exames da 3ª e 4ª classes e a admissão aos liceus
>com a nota máxima. E nunca tive em nenhum período de
>ano lectivo média inferior a 14 (nessa altura era de 0
>a 20).
>Quando terminei o 7º ano, com 18 anos, fui galardoada
>com um prémio que anualmente distinguia um finalista
>em cada distrito do país.
>E fiz o curso de História na Faculdade de Letras em
>Lisboa com a ajuda de uma bolsa da Fundação Gulbenkian.
>
>Como vê, a unica élite a que pertenci foi a dos bons
>estudantes.... Mas percebi desde o principio que tinha
>que lutar muito para conseguir, pois nada me seria
>dado de bandeja. Não fui tratada com paternalismo por
>vir "de baixo"; perceberam que eu valia o esforço e
>ajudaram-me a "subir" para o meio dos outros.
>E para evitar qualquer mal-entendido: fiz parte da
>Pró-Associação dos Liceus e da Pró-Associação de
>Letras.
>E também ("the last but not the least...") eu não era
>caso único. Entre as minhas colegas no liceu havia
>gente de muitos estratos sociais; todas tinhamos porém
>uma coisa em comum: tínhamos merecido estar ali.
>Porque nesse tempo havia "chumbos": por notas e por
>faltas...
>Claro que nessa época muita gente ficava pela escola
>primária. E muitos "doutores" se formaram apenas
>porque os pais tinham dinheiro para os pôr a
>frequentar colégios.E isso não era bom.
>A democratização da escola é uma coisa boa; não pode é
>servir de desculpa para paternalismos laxistas. E
>infelizmente muitas das politicas da educação é nessa
>base que funcionam. Apesar do paternalismo ser nestes
>casos uma forma de racismo.
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