| Subject: Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (8) |
Author:
Bento Gonçalves
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Date Posted: 14/04/05 22:38:09
In reply to:
Bento Gonçalves
's message, "PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927" on 11/04/05 22:35:11
PALAVRAS NECESSÁRIAS (8)
A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927
Bento Gonçalves
Edição de Virgínia Moura, 1ª edição sem data, 2ª edição 1973
A Revolução Bolchevique havia criado muita simpatia entre os trabalhadores portugueses e alguns indivíduos mais radicais da pequena burguesia. Esta simpatia não tinha a determiná-la o conhecimento do marxismo.
Eram também desconhecidas a estratégia e a táctica do Partido de Lenine. Entretanto, sabia-se que o proletariado russo esmagada a sua burguesia e se apoderara do poder político. Como é óbvio, reinava muita confusão acerca do maior acontecimento histórico da vida da humanidade.
Sabia-se o significado etimológico da palavra bolchevique e ligava-se o sentido revolucionário dele à Revolução levada ao máximo.
Veremos adiante o que isto deu.
Em Setembro de 1919, havia-se já reconhecido a tendência para a criação de sindicatos únicos da indústria e das respectivas federações nacionais. Os federalistas, vistas a sua situação especial na produção e ainda a circunstância de serem únicos no seu ramo e no país, debatiam o princípio de os seus sindicatos se equipararem às federações. Este novo conceito de organização implicava uma revisão da orgânica sindical.
A União Operária Sindical ia dar o passo à Confederação Geral dos Trabalhadores. A Confederação tornar-se-ia o centro onde, por escala crescente, iam ligar-se todos os compartimentos sindicais. Isto é: os sindicatos ligavam-se às suas respectivas Federações de indústria e, para efeitos de actividade local, às Uniões de Sindicatos. Estes últimos, em conjunto com as Federações, mandavam os seus representantes ao Conselho Confederal, cuja composição incluía, também, os delegados dos sindicatos arsenalistas. O Conselho, por sua vez, escolhia o Comité Confederal, composto de 5 membros, a quem competia a responsabilidade diária do conjunto.
Efectivamente, o Congresso Nacional Sindical, reunido em Coimbra, em Setembro de 1919, aprovou a criação da Organização Confederal – CGT – e confirmou a orientação sindical-revolucionária. O jornal “A Batalha” apareceu após o Congresso, onde os socialistas se tinham feito representar.
O ano de 1919 foi um ano rico de acontecimentos, de organizações, de agitação e de lutas operárias. A conquista da jornada das 8 horas tem um especial relevo na história do Movimento Operário. Havia, então, muitos dirigentes operários e amigos das classes trabalhadoras que, através da sua experiência de luta, tinham sentido a necessidade de criar um instrumento revolucionário que pusesse o proletariado em condições de atrair a si todas as camadas exploradas da população. A Confederação mobilizava apenas as massas operárias.
A luta política do proletariado contra o sistema capitalista precisava de abarcar horizontes mais largos. Só uma organização onde coubessem todos os indivíduos mais capazes da população explorada, com os operários à cabeça, podia efectivamente colocar a classe operária em condições de dirigir a luta até ao derrubamento da sociedade capitalista.
Foi esta verificação o ponto de partida para uma série de reuniões entre militantes operários e vários indivíduos cujas ocupações não permitem a sua sindicalização. Depois de um largo debate chegou-se à conclusão de que bolchevique queria dizer, revolução levada ao máximo. Este conceito deu à luz a Federação Maximalista para onde, por fim, entraram, com raras excepções, todos os assistentes às reuniões. Estava-se no fim de 1919.
A Manuel Ribeiro, então o amigo mais entusiasta da revolução russa, foi atribuído o cargo de Secretário Geral da Federação e de Director da “Bandeira Vermelha”, seu órgão de imprensa.
A actividade da Federação Maximalista quase se limitva à publicação da “Bandeira Vermelha”. Entretanto, Manuel Ribeiro e os restantes colaboradores davam ao jornal uma feição combativa que chamava a atenção das massas contrárias ao sistema burguês.
O apoio que prestava às lutas operárias, conduzidas pela CGT, era valiosíssimo, de acordo com as ideias sectárias da época. Mesmo assim, os militantes operários de tendência anarquista, porque o jornal procurasse aproximar-se das ideias da Revolução Russa, embora o fizesse confusamente, separaram-se da Federação.
(continua)
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