| Subject: Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (9) |
Author:
Bento Gonçalves
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Date Posted: 16/04/05 0:08:16
In reply to:
Bento Gonçalves
's message, "PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927" on 11/04/05 22:35:11
PALAVRAS NECESSÁRIAS (9)
A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927
Bento Gonçalves
Edição de Virgínia Moura, 1ª edição sem data, 2ª edição 1973
Por altura de Outubro de 1920, os ferroviários declararam nova greve geral. O objectivo (...) era o da melhoria económica e reformas. A greve arrasta-se (...) e António Granjo, ministro do Governo de então, reedita a façanha terrorista do “vagão fantasma”. A greve é perdida. Manuel Ribeiro, na “Bandeira Vermelha”, publica uma série de artigos contra o terrorismo governamental sobre os ferroviários, terminando por ser preso.
Com a prisão de Manuel Ribeiro, cessa toda a actividade da Federação Maximalista. Dentro em pouco desapareceria para sempre.
Supunha-se ter-se dotado a classe operária dum instrumento político com a Federação Maximalista. A verdade, porém, é que se estava longe de compreender como se devia levar a cabo esse empreendimento. Partia-se duma concepção ideal, do desconhecimento teórico do marxismo.
A pretensão de aglutinar indivíduos de mentalidade e ideias heterogéneas como base de criação de um instrumento político e revolucionário de classe operária constituía um erro de premissa que revelava o oportunismo dos seus iniciadores.
Entretanto, o acontecimento significava certo amadurecimento de ideias sobre a necessidade de um partido revolucionário nas mãos do proletariado. Mas, coisa curiosa, entre os indivíduos que debatiam a ideia havia muitos que não eram proletários.
Isto era assim porque o proletariado português, devido às condições do atraso industrial do país, andava apegado à tradição da luta sindical e não tinha tomado ainda consciência da necessidade de transformar políticamente as condições da sua existência social.
Em princípios de 1921, a ideia da criação dum Partido revolucionário estava mais desenvolvida. De envolta com os proletários havia, agora, muitos indivíduos de profissões liberais que discutiam pelos cafés a possibilidade de criar um Partido.
O não ter vingado a Federação Maximalista atribuía-se ao facto da sabotagem da CGT, à prisão de Manuel Ribeiro e a uma inconsciência da maioria dos seus componentes.
Nascimento da Cunha, antigo anarquista, que mais tarde convivera muito com “Abrilistas” e a quem o Sidonismo tornara funcionário público, era um dos animadores da ideia. Foi ele quem, iludindo o controlo cegetista, fez inserir nas colunas da “Batalha” um artigo em que preconizava a formação do Partido Comunista.
O caso tornou-se muito discutido e a CGT fez imediatamente fogo contra a ideia. Mas, a despeito da discordância cegetista, promoveram-se várias reuniões no Sindicato dos Caixeiros e foi delas a resolução da constituição do Partido Comunista.
O Partido estabelece a sua sede na Rua do Arco do Marquês de Alegrete, abre uma inscrição para filiados, que dentro em pouco atingia cerca dum milhar, e faz a sua apresentação em público por meio dum manifesto que rompe com um ataque à CGT.
Este facto era o começo da resposta à campanha cegetista. A luta estava aberta e ia prolongar-se até ao desaparecimento da CGT e do seu jornal “A Batalha”.
O ano de 1921 é também um ano cheio de lutas operárias, de sabotagem e recontros com a força pública, devido ao carácter agressivo que os trabalhadores põem na luta. Metalúrgicos, construção civil e ferroviários estão no primeiro plano. O custo da vida, nesta data, tinha aumentado muito.
(continua)
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