| Subject: Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (10) |
Author:
Bento Gonçalves
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Date Posted: 16/04/05 15:03:49
In reply to:
Bento Gonçalves
's message, "PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927" on 11/04/05 22:35:11
PALAVRAS NECESSÁRIAS (10)
A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927
Bento Gonçalves
Edição de Virgínia Moura, 1ª edição sem data, 2ª edição 1973
No Partido Republicano Português deu-se uma crise. A sua influência nas massas, principalmente pequeno-burguesas, baixara muito. De sorte que a parte dos indivíduos mais liberais que a compunham sai dele e forma o Partido Radical. De resto, não era por falta de partidos políticos que a República era infeliz.
Também, logo após a formação do Partido Comunista, se dera uma cisão na Juventude Sindicalista da qual resultou a criação da Juventude Comunista. José de Sousa, secretário da Juventude Sindicalista, encabeça essa cisão e, aproveitando os elementos que o acompanham e outros (...) forma a Juventude Comunista.
Em 19 de Outubro de 1921, os “Radicais”, com reaccionários metidos de permeio, lançam um golpe putchista. Machado dos Santos, Granja, comandante Carlos da Maia e outros (...) são assassinados nas ruas (...) de Lisboa ou no interior do Arsenal da Marinha.
Disse-se que os assassinatos (...) foram uma provocação dos monárquicos a fim de apressarem o descrédito da República (...). Na verdade, os Radicais não tinham necessidade dos morticínios para fazerem triunfar o “putsch”. O certo é que a reacção se uniu para os derrubar ao fim dum mês.
A facilidade com que os adversários dos democratas provocavam e realizavam “bernardas” dá bem a medida do estado de crise do regime liberal. O ambiente era bom mas o proletariado é que não tinha consciência política nem os meios para a pôr a seu favor.
Entretanto, as greves económicas e políticas desenvolviam-se; como resultado (...) o índice dos salários tinha-se aproximado mais do índice do custo de vida. O número de sindicatos e dos seus aderentes crescia.
O Partido Comunista iniciara a sua vida em guerra aberta com a CGT. O manifesto publicara os 21 pontos da IC e este era quase, ou todo, o seu apetrechamento teórico. Mesmo assim, não eram integralmente compreendidos, nem os que eram para cumprir se cumpriram.
De resto, se o Partido surgira como uma necessidade política do proletariado, não é menos verdadeiro que um grande número de indivíduos da pequena burguesia, dos menos responsáveis mas mais astuciosamente maquiavélicos, pensava explorar o esforço da classe operária em seu benefício.
Este objectivo foi o que os trouxe à formação do Partido. Mais ainda, foi ele mesmo que determinou a sua acção de vanguarda na criação do Partido e que lhes assegurou, durante algum tempo, os principais cargos de direcção.
Porém, o seu oportunismo interesseiro não tinha alicerce teórico nem de organização e por isso o terreno, embora fértil, não podia dar os frutos apetecidos.
(continua)
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