| Subject: Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (15) |
Author:
Bento Gonçalves
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Date Posted: 16/04/05 23:42:02
In reply to:
Bento Gonçalves
's message, "PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927" on 11/04/05 22:35:11
PALAVRAS NECESSÁRIAS (15)
A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927
Bento Gonçalves
Edição de Virgínia Moura, 1ª edição sem data, 2ª edição 1973
O Congresso teve a duração de três dias.
As duas principais teses (...) eram: Organização Social Sindical e Relações Internacionais.
A primeira tese estabelecia as normas da sociedade futura, baseada no princípio da auto-suficiência do aparelho sindical para as questões da produção, distribuição e jurisdição. Isto é: todo o poder aos Sindicatos. A tese das Relações Internacionais preconizava a adesão à ISV.
Ora, a ISV preconizava uma aliança, na escala nacional, com o PCP e, na escala mundial, com a IC na base do interesse comum do esmagamento do capitalismo.
Evidentemente, as duas teses estavam em conflito. Na aparência (...) pareciam não se contradizer mas, na essência (...) eram antagónicas. Esta contradição não tinha sido vista pela maioria da Comissão Organizadora do Congresso, partidária da ISV, mas o mesmo não terá sucedido com os restantes componentes, que eram da tendência anarquizante.
No Congresso, a Comissão Organizadora assume funções de mesa relatora das Teses e dá prioridade à Tese de Organização Social Sindicalista. Esta é discutida e aprovada. A seguir entra em discussão a tese das Relações Internacionais. É nesta altura que Perfeito de Carvalho, sem ser congressista, pretende intervir na discussão, invocando a sua delegacia ao Congresso da ISV e portanto o seu superior conhecimento da causa. A maioria dos congressistas interrompe-o exigindo-lhe o informe, enquanto ele afirmava que o tinha na cabeça. O Congresso resolve, no meio de uma grande celeuma, expulsá-lo.
Antes deste incidente, já os partidários da ISV, os que compunham a Mesa Relatora, se tinham apercebido da contradição das teses. Tinham visto até que muitos dos congressistas anarquizantes, que em Lisboa lhes haviam garantido a sua concordância com a tese, se tinham passado para o lado da Oposição, inclusive os membros da Comissão Organizadora afectos às ideias anarquizantes. Reconhecendo a sua falsa posição, a Mesa demite-se em pleno Congresso.
O resto da discussão decorreu tumultuária. Apareceu entretanto um congressista, Clemente Vieira dos Santos, representante dos gráficos do Porto, que envia para a mesa uma moção prévia “harmonizadora”, cujo conteúdo revelava bem a manobra urdida pelos sindicalistas revolucionários acerca da ligação internacional do Movimento Sindical Português.
A moção prévia foi precedida de um esclarecimento sucinto sobre a razão que a justificava: o Congresso estava dividido. Era difícil, nessas condições, chegar a bom termo sobre a posição das relações internacionais da CGT. O problema era delicado e qualquer decisão naquele momento corria o risco das resoluções precipitadas e, por isso mesmo, produzidas fora do seu tempo.
Sabia-se, (...) que naquela altura se estava realizando, em Berlim, uma Conferência Internacional de Organizações Sindicais. Compunham-na delegados das Organizações Sindicais de vários países e era provável, concluía-se, que dessa Conferência saísse uma nova Organização Sindical Internacional.
Embora se não se conhecessem ainda a sua orientação e finalidades, devia-se aguardar o seu desfecho a fim de, sem precipitações e com clara consciência das conveniências do Movimento Sindical Português, se escolher entre a ISV e a Associação Internacional dos Trabalhadores, que foi, finalmente, o nome que a Conferência de Berlim veio a dar ao seu Movimento.
O teor da moção prévia era ilustrado pela doutrina do referido esclarecimento e propunha um referendo sindical que devia ser respondido por cada um dos sindicatos, depois de devidamente esclarecidos acerca dos princípios da futura A I dos Trabalhadores, na base de: Moscovo ou Berlim?
Este documento pôs termo à questão e à celeuma que se levantara. O Congresso terminara e, mais tarde, a maioria dos sindicatos pronunciou-se pela adesão à A I dos Trabalhadores.
(continua)
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