| Subject: Exige-se do Governo português uma posição firme na salvaguarda da nossa indústria... |
Author:
Ilda Figueiredo
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Date Posted: 8/04/05 22:35:31
URGÊNCIAS
Ilda Figueiredo*, Semanário, 08/04/05
(...) Relativamente ao sector do têxtil e vestuário, insistimos que é preciso conhecer a importância da fileira têxtil portuguesa, a sua evolução recente, com médias empresas dinâmicas e abertas ao exterior, com técnicos jovens e capacidade de inovação, apostadas na formação dos seus trabalhadores, para ver da importância de salvaguardar esta capacidade de produzir, criar riqueza, contribuir para o desenvolvimento de vastas zonas do País, designadamente no Norte e na zona da Covilhã.
A intervenção constante que temos feito tornou-se mais premente com a progressiva liberalização a nível mundial, para evitar os impactos negativos na destruição de empregos, no encerramento de empresas e na deslocalização de multinacionais.
Sabe-se como a liberalização do comércio internacional de têxteis e de vestuário, decorrente do fim do Acordo Têxtil e de Vestuário, a 1 de Janeiro deste ano, e a integração da China nas regras da OMC, desde Dezembro de 2001, aumenta a preocupação com a situação que se vive em Portugal.
É urgente que se accione de imediato a cláusula de salvaguarda específica para produtos finais mais sensíveis em Portugal (fatos de treino, têxteis lar, têxteis para a indústria automóvel e do calçado, blusas, malhas, lanifícios, etc.) de acordo com o parágrafo 1 do regulamento (CE) nº 138/2003, como propusemos no Parlamento Europeu e na Assembleia da República.
Industriais e técnicos do sector insistem, e com razão, que a União Europeia não pode continuar a privilegiar os grupos económicos e financeiros europeus interessados em colocar a alta tecnologia na Ásia e promover, depois, as importações de produtos finais (confecções e vestuário) para a Europa, à custa do sector têxtil nos países do sul da União Europeia, designadamente em Portugal.
É inaceitável que a Comissão Europeia, que até agora não interveio no accionar da cláusula de salvaguarda para a têxtil portuguesa, na área dos produtos finais das diversas confecções e vestuário mais sensíveis à concorrência asiática, já tenha actuado na defesa de meia dúzia de grandes empresas britânicas e alemãs da indústria química, criando barreiras à importação de filamentos contínuos derivados do petróleo (poliamidas, poliesters, etc.), que são matérias-primas essenciais para a indústria portuguesa de confecções e lanifícios, que assim fica sujeita a custos muito mais elevados e sem capacidade de concorrência com as importações de produtos finais, produzidos na Ásia, com matérias-primas próprias e, logo, mais baratas.
Entretanto, as linhas orientadoras propostas pela Comissão, em vez de terem em conta, desde já, os pedidos de importação, apenas prevê uma intervenção na base de importações reais, o que pode criar problemas irresolúveis para a indústria portuguesa.
Por isso, exige-se do Governo português uma posição firme na salvaguarda da nossa indústria, do direito de produzir, com uma aposta clara na produção, na defesa e apoio às micro e OME, ao emprego com direitos e ao desenvolvimento de vastas regiões do nosso país.
*Deputada do PCP no PE
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