| Subject: Re: A história deles contada por eles (2) |
Author:
João Mesquita
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Date Posted: 4/04/05 22:04:37
In reply to:
João Mesquita
's message, "A história deles contada por eles" on 4/04/05 21:39:56
Era uma vez a revolução (2)
João Mesquita, Grande Reportagem, 2/04/05
Em 10 de Janeiro de 1975, Pires volta a estar na mesa do primeiro grande comício da UDP (...). Mas a intervenção de fundo é de Vladimiro Guinot, operário da General Electric: “Não há via pacífica para a tomada do poder”, garante. “As eleições são o momento em que o povo escolhe os homens que o vão oprimir e explorar no período de quatro ou sete anos seguintes.” Apesar disso e das resistências internas à ideia, a UDP disputará (...) as eleições para a Assembleia Constituinte (AC) de 25 de Abril de 1975.
Antes, a 9 de Março, a UDP realizara o seu primeiro congresso, no Montijo. José Mário Branco figura entre os 22 eleitos para a Comissão Central. António Peres Metelo, actual subdirector do DN, é outro. Pires, que não podia faltar nessa lista, ainda hoje se recorda de que os advogados Amadeu Lopes Sabino e Augusto Rocha percorriam o recinto do congresso à procura das cinco mil assinaturas necessárias à legalização do novo partido (...). “As pessoas acreditavam que estavam a fazer história”, justifica Pires, agora com 57 anos a aguardar a discussão do seu trabalho de fim de curso no IST.
É já a direcção eleita no Montijo que decide rejeitar o pacto entre o MFA (...) e os partidos, assinado em 11 de Abril de 75.
No primeiro sufrágio (...) a UDP alcança um feito até então inédito entre a chamada esquerda revolucionária europeia: a eleição de um deputado (...).
Pulido Valente (...) era o cabeça da lista (...). Mas o Avante causara a confusão (...) com a notícia de que o médico visitara o banqueiro Jorge de Brito em Caxias, onde fora encarcerado na sequência da tentativa de golpe da direita militar em 11 de Março. Era certo que (...) apoiara a família de Pulido Valente quando este pagara com a prisão a sua oposição ao salazarismo. Mas a época não se prestava a considerações sentimentais.
Isso e a glorificação do operariado, muito comum entre os maoistas, fizeram com que não fosse Pulido Valente a sentar-se no hemiciclo de S. Bento, mas sim o nº 2 da lista, o operário da Lisnave Américo Duarte.
(continua)
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