| Subject: Re: A história deles contada por eles (5) |
Author:
João Mesquita
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Date Posted: 4/04/05 23:19:28
In reply to:
João Mesquita
's message, "A história deles contada por eles" on 4/04/05 21:39:56
Era uma vez a revolução (5)
João Mesquita, Grande Reportagem, 2/04/05
Em finais de Janeiro de 1976, Tomé é transferido para o presídio militar de Santarém (onde também está Otelo), sendo libertado em 23 de Abril, sem qualquer acusação judicial. Ainda sai a tempo de integrar a Comissão Política da candidatura de Otelo às presidenciais de Junho, que conta com o apoio da UDP. Mas muita coisa mudara no País.
Não tanto, ainda, na UDP, com que Tomé colaborava praticamente desde a sua fundação.
Em 25 de Novembro, além de Bagagem, a UDP perdera outro militante às mãos dos Comandos: Joaquim Leal, morto quando distribuía comunicados junto à estação da Amadora – e isto porque a UDP decidira furar o estado de sítio decretado por Costa Gomes, tendo mesmo lançado durante a sua vigência o jornal A Voz do Nosso Povo (...).
Em 17 de Dezembro, Dias ocupava o lugar de Duarte como deputado. Uma das últimas intervenções parlamentares do ex-operário da Lisnave (...) foi em solidariedade com o povo de Timor-Leste (...). Então já os dirigentes da Fretilin (...) usavam a sede da UDP (...), para as suas reuniões.
Nos dias de transição para 1976, os grupos ML que estão por trás da UDP fundem-se no congresso de fundação do PCP (R), (sendo o “R “ de “Reconstruído”, já que as ambições destes militantes, intitulando-se de “comunistas autênticos”, sempre foi tomar o lugar do “revisionista” partido de Cunhal) realizado no maior secretismo num ginásio doChiado.
José Caiado, um operário de Alhos Vedros, cunhado de Pires (...) é eleito primeiro-secretário do novo partido. Martins Rodrigues, António Carriço, actual administrador da Portugal Telecom, e Frederico de Carvalho, hoje jornalista do Expresso, são os restantes membros do Secretariado.
Exilado em Paris, Diógenes Arruda, célebre dirigente do PC do B (...), acompanha de muito perto o processo. Em princípios de 1976 instala-se mesmo em Lisboa e passa a participar nas reuniões de cúpula do PCP (R).
Em Abril, lança o “processo de revolucionarização e proletarização”, que leva ao afastamento de Martins Rodrigues e outros (...). É criada uma comissão de inquérito ao porte na cadeia durante a ditadura. José Martins, um electricista (...) é promovido a primeiro secretário.
“O Vinhas (pseudónimo de Arruda) mandava nisto, e toda a gente se rendeu a ele, impressionada com o facto de ter sido amigo de Estaline”, recorda Monteiro, hoje (...) comerciante de produtos higiénicos.
(continua)
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