| Subject: Re: A história deles contada por eles (6) |
Author:
João Mesquita
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Date Posted: 4/04/05 23:52:32
In reply to:
João Mesquita
's message, "A história deles contada por eles" on 4/04/05 21:39:56
Era uma vez a revolução (6)
João Mesquita, Grande Reportagem, 2/04/05
A 25 de Abril desse ano realizam-se as primeiras eleições legislativas (...). A UDP (...) embora perca votos em Lisboa, mantém o deputado. Este passa a ser Acácio Barreiros (...). Era um dos mais destacados activistas estudantis do IST, organizado num grupo que incluía (...) Mariano Gago. (...)
Cinco dias depois das legislativas, Otelo anuncia a sua candidatura a Belém. (...)
Sendo a UDP a organização frentista do PCP (R), as duas entidades confundem-se frequentemente. Em 18 de Abril de 1977, a Praça de Touros do Campo Pequeno enche-se para um comício do PCP (R) onde se apresenta uma delegação do Partido do Trabalho da Albânia. O evento surge a pretexto do II Congresso (...) que contrapõe o “25 de Abril do Povo” à “democracia burguesa”, lança a palavra de ordem “Os ricos que paguem a crise” e consagra Pires como seu novo líder. (...)
Quando em Março de 1979 (...) se realiza o III Congresso do PCP (R), consuma-se uma primeira cisão no partido.
Quatro dirigentes são expulsos sob a acusação de “fraccionismo” e “direitismo” e com eles solidarizam-se Carriço e João Carlos Espada, hoje um cronista pró-Bush, que então dirigia a Voz do Povo.
Mais umas centenas, incluindo quase todo o sector estudantil, Barreiros e a maioria dos redactores da Voz do Povo, a começar por José Manuel Fernandes e Nuno Pacheco, hoje, respectivamente, director e director adjunto do Público, dimitiram-se ou foram afastados (...).
Pires (...) assume a sua quota-parte de responsabilidade no processo de ruptura: “Não tive flexibilidade. Foi uma manifestação de esquerdismo infantil” (...)
O congresso ratifica a linha dos conclaves anteriores, respondendo à cisão com uma campanha de recrutamento (...) a que é dado o nome de “Promoção Estaline”. Com base nela, o PC(R) – assim se passou a chamar, assumindo por fim a condição de partido legal – chegou a atingir quatro mil membros. E a UDP perto de 20 mil. Mas Arruda morria pouco depois. Pires era substituído por (...) José Alves (...). E Monteiro passava a suplente do Comité Central.
Ainda assim, foi ao ex-operário da Cergal que coube substituir Barreiros na AR quando este foi afastado. Monteiro apresentou-se como “um soldado do proletariado” (...) zurziu forte e feio no programa do Governo de Maria de Lurdes Pintasilgo, cuja candidatura presidencial a UDP seria o único partido a apoiar sete anos depois.
Mas Monteiro não se mantém muito tempo em S. Bento. Inicia ele próprio um processo de afastamento que culminará num artigo publicado no semanário O Jornal em 1991, apontando a evolução da Albânia como exemplo “do fim das revoluções populares”. O Bandeira Vermelha, jornal oficial do PC(R), responde-lhe: “Os Monteiros passam a Albânia socialista continua” (...).
(continua)
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